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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O que penso sobre o DÍZIMO?


Eu, particularmente, creio que tanto a guarda do sábado quanto o dízimo, entre outras ordenanças, são bíblicos, pois todos estão escritos na bíblia. Contudo creio que eles não foram recepcionado pela Igreja da Nova Aliança. O silêncio apostólico, principalmente o de São Paulo em suas cartas às igrejas nos faz refletir sobre o assunto. De fato não existe uma vírgula sobre o dízimo sendo recepcionado pela igreja cristã. 

No tempo da igreja primitiva os dízimos eram entregues pelos judeus para manter os sacerdotes e a tribo de Levi, que mantinha o Templo, já que eles não poderiam possuir herdades e territórios como as outras tribos. Também dízimo que era dado em forma de mantimento era usado para assistir os órfãos, viúvas e os pobres.

Ressalta-se que a comunidade apostólica nunca teve a pretensão de ser uma extensão do templo judaico ou uma seita judaizante. 

Os cristãos primitivos sempre contribuíram segundo as suas possibilidades, alguns vendiam tudo que tinham e depositavam aos pés dos apóstolos. 

As igrejas que cobram ou recebem o dízimo possuem o meu respeito, assim como aquelas que praticam a circuncisão e a guarda do sábado.

A contribuição é um ato de amor, por isso continuem contribuindo, segundo as suas possibilidades, seja com apenas 1%, 5%, 10%, 20% ou 30% de sua renda ou com até mesmo com tudo, com fez aquela viúva que depositou aos pés de Cristo a sua humilde oferta ou como fez os cristãos primitivos que vendiam todos os seus bens e depositavam aos pés dos apóstolos. Esta viúva foi além da lei! Este evento foi tão importante que foi digno de ser registrado nos evangelhos, pois já era um prenúncio do que estava por vir.

Não importa a quantidade, mas o amor que se manifesta através do ato de ofertar.

Na Antiga Aliança a contribuição era obrigatória, sob as penas da lei e de se estar praticando roubo a Deus; enquanto na Nova Aliança a contribuição passa a ser espontânea, voluntária, facultativa, não existe penas,castigos e maldições, ou seja, é um ato de pura liberalidade e amor. O amor não se cobra, não se impõe, não busca algo em troca, não se barganha. 

As ordenanças do Antigo Testamento foram sombras das coisas que estavam por vir e que se cumpriram em Cristo no momento em que Nosso Senhor disse: "está consumado". 

Conforme se demonstrou, o dízimo era entregue aos sacerdotes do Templo de Salomão que foi destruído no ano 70 da Era cristã e não na igreja. 

O modelo de contribuição da igreja dos apóstolos consta registrado no livro de atos dos apóstolos, cap. 11 vers 29.

Alexandre Mello

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Para pastor presbiteriano, homossexualidade “não era um problema para Jesus”

Em participação no programa de web Conexão TV, do site carioca Conexão Jornalismo, o professor de teologia e pastor da Igreja Presbiteriana, Alexandre Cabral, afirma que as igrejas cristãs são sexofóbicas e não sabem lidar com o sexo o prazer. 
 
“Na condição homoafetiva, isso é colocado em jogo de uma maneira gritante, porque nas relações homossexuais, você não pode sublima- lá como nas heterossexuais, com a idéia de que a gente tem que casar para ter filhos. Que foi uma das maneiras que o cristianismo teve para lidar e driblar os problemas da sexualidade. Ao mesmo tempo você tem a liberação do prazer pelo prazer. Foi o primeiro grito de libertação do prazer sexual por ele mesmo, antes mesmo do movimento feminista, do uso do contraceptivo no século passado”, teorizou o evangélico. 
 
Ele cita Freud, as leis vitorianas, e a gênese da palavra homossexual. Para o pastor, o choque da moral cristã com a maior visibilidade da população gay nos dias de hoje, sobretudo com os programas do governo destinados a esta comunidade. Sobre o projeto apelidado de “cura gay”, de autoria do deputado federal João Campos (PSDB-GO), presidente da bancada evangélica no Congresso Nacional, afirmou que o projeto de “cura gay” demonstra “desrespeito”, defendeu o estado laico e que a atitude das igrejas evangpelicas “se assemelha ao nazismo” e lembrou ainda que o nazismo tinha proximidades com o cristianismo protestante que continuam a pregar a heteronomatividade e a perseguição. 
 
Cabral afirma que os atos sexuais condenados na Bíblia se referiam a rituais pagãos e lembrou ainda “Você não tem nenhuma relação, de nenhum texto dos evangelhos de Jesus com padronização dos prazeres sexuais”, “isso mostra que isso não era um problema para Jesus”. Ele afirmou ainda que qualquer leitura da Bíblia que não pregue a diversidade, e pregue a condenação, não pode falar em nome de Cristo. 
 
Fonte: http://revistaladoa.com.br 
 
Assista o programa:
 
 

domingo, 1 de abril de 2012

Abençoadíssimo DOMINGO DE RAMOS para todos!!!

Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta, num jumentinho,
filho da que leva o jugo (Zc 9,9).


Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar. Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus! (Mateus 21. 4-9)


segunda-feira, 5 de março de 2012

A Quaresma e a Penitência na Tradição Protestante

PENITÊNCIA, na tradição protestante quer dizer ARREPENDIMENTO está ligado a EXAME DE CONSCIÊNCIA, CONTRIÇÃO e CONFISSÃO!

Dessa forma são atos penitenciais: O arrependimento (mudança de mentalidade/pesar por alguma falta cometida), a contrição (arrependimento sincero dos pecados cometidos) e a confissão (declaração ou admissão de que pecou).

Lutero, em sua 4ª tese fala diz o seguinte: o arrependimento, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desgastar a si mesmo, a saber, até à sua entrada para a vida eterna.

Segundo o pensamento de Ignacio Briantchaninov, "para crer em nosso Senhor Jesus Cristo é necessário o arrependimento; para habilitarmos nessa fé salvadora, é necessário o arrependimento; para avançarmos nela é necessário o arrependimento".

C.H. Spurgeon, pregador batista, diz em seus sermões que "Cristo ordenou o arrependimento", baseando-se no texto de São Marcos 1:15: "Arrependei-vos e credes no evangelho!"

O mesmo pregador, para ilustrar o sermão cita uma bela expressão de antigo crente no leito de morte: "Senhor, em arrependimento faze-me descer tão baixo como o inferno, em fé, ergue-me tão alto como o céu".

Vamos ao dicionário? Não é o Pentecostal de Línguas Estranhas!!!

Pena vem de penitência: arrependimento, pensar na reparação, contrição, sacrífico, expiação dos pecados ou da própria falta (dicionário Aurélio).

Quanto ao sacrífico, Cristo foi a oferta oferecida ao Pai. Quanto a expiação de nossos pecados, Cristo os levou sobre Si.

Interessante era o que ocorria nos sistemas penitenciários pensilvânicos, onde o preso só tinha contato com o Capelão do presídio e a única leitura autorizada era da Bíblia ou de um evangelho, para forçar um arrependimento ou o reconhecimento do erro e da falta cometida pelo recluso.

De fato Cristo tomou a nossa culpa cumpriu a nossa pena!!!

Contudo, nos convida ao arrependimento, a contrição, ao exame de consciência, a confessar os seus pecados em todo tempo.

O arrependimento deve ser constante na vida do homem!!!

A quaresma na visão do protestantismo é uma forma litúrgica de dar ênfase a esse arrependimento continuo não limitando-se ao tempo litúrgico, mas como diz Lutero, 'até a nossa entrada para a vida eterna".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Questões sobre o Batismo e Rebatismo

A fé é o elemento mais importante em todo o tipo de relacionamento com Deus.

Se a fé não estiver presente no momento da celebração do ato batismal, não importa a quantidade de água (aspersão, imersão ou efusão) que vai ser utilizada, a pessoa não estará participando do batismo.

Com relação a quantidade de água, eu e muitos irmãos, temos a visão de que o Batismo não é nas águas, mas com água, conforme evangelhos citados abaixo:

"E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo." (Mateus 3.11)

Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. (Lucas 3.16)

"João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis." (João 1.26)

A ênfase da Palavra de Deus não está na forma, ou no local onde o cristão deve ser batizado, mas com o que deve ser batizado e em nome de quem o batismo é ministrado na vida do batizando.

Logo a denominação que adote somente o batismo por imersão (batizando é imerso nas águas) como o único e verdadeiro sinal de fé, questionando e descreditando das demais formas, terá que excluir da graça do Senhor muitos idosos, inválidos e enfermos...

Neste caso, não importa se a pessoa recebeu apenas uma gota de água sobre a cabeça, ou foi imersa no Piscinão de Ramos, como ocorre aqui no Rio de Janeiro, é a fé que determinará se o Batismo foi valido ou não.

Ainda com relação as formas do Batismo, é interessante notar que São Paulo não se dirigiu para nemhum rio ou tanque, muito pelo contrário, Paulo foi para uma casa (Atos 9. 17 - 18) e lá, colocando-se de pé imediatamente foi batizado. Dentro daquela casa, localizada na Rua chamadda Direita de Jerusalém não havia um rio ou tanque de batismo. O que havia nas casas eral talhas com água utilizadas na purificação, lavagem das mão e dos pés, e, paulo certamente não entrou em menhuma delas.

A pratica do rebatismo é muito comum no meio evangélico, sendo obrigatório nas correntes batistas, congregacionais e pentecostais, e, tardiamente adotado pelo Presbiterianismo norte-americano e brasileiro, nos séculos XIX e XX.

O rebatismo no cristianismo teve seu inicio no movimento dos donatistas. O bispo donatista Parmeniano, sucessor de Donato, o Grande, em carta aberta, afirmou que a igreja dos donatistas "é a única que se encontra na posse do verdadeiro batismo de Cristo".

Agostinho, bispo de Hipona, é um dos principais opositores da prática rebatismal. A teologia de Agostinho, em polêmica com os donatistas, veio a constituir-se norma do cristianismo ocidental, católico e das igrejas otiundas da Reforma do Séc. XVI, exceto da ala radical, chamada de anabatista.

O inicio do rebatismo é meio evangélico não está em Lutero, Calvino, Zwinglio e outros.

O rebatismo é rejeitado por Reformador Martinho Lutero. Segundo o Reformador alemão, assim "como o Evangelho não é falso ou incorreto porque alguns o utilizam de forma errada... assim támbem o batismo não é falso ou incorreto mesmo que alguns o tenham recebido ou administrado com fé ou dele fazem uso indevido. Por isso rejeito e condeno totalmente os ensinamentos dos anabatistas, donatistas e quem quer que esteja praticando um segundo batismo".

Para o Reformador Calvino, os anabatistas repetem os erros dos donatistas, ao negarem a validade do batismo realizado na Igreja Católica. Lembra havermos "sido iniciados pelo batismo não em nome de algum homem, pelo contrário, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

O não reconhecimento do batismo administrado em outras igreja tem realçado a divisão entre as Igrejas Cristãs.

Alexandre Mello

Os Correios lançam selo comemorativo aos 150 anos da Primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.

Os Correios lançam selo comemorativo aos 150 anos da Primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Conhecida como Catedral do Rio de Janeiro, a igreja é descendente histórica e arquitetônica da Catedral de Saint-Pierre, em Genebra — a “Igreja de Calvino”.

O selo — Na composição do selo, a artista Juliana Souza apresenta a atual Catedral do Rio de Janeiro, num conjunto arquitetônico composto por torres, esculturas, torreões e vitrais. Embora restaurada, apresenta, ainda, traços de sua estrutura inicial neogótica, com a multiplicidade de traços e decoração, interna e externa, bastante complexas, com grande quantidade de vitrais. O maior deles, e mais expressivo, que traz a inscrição “A tua palavra é uma lâmpada para os meus pés e uma luz para meu caminho”, destaca-se na parte superior do selo, onde foi aplicada uma película holográfica transparente e relevo.

O fundo, na cor prata, completa a beleza do selo. Foi utilizada a técnica de ilustração digital. O selo tem valor facial de R$ 1,60 e tiragem de 300 mil exemplares.O selo pode ser adquirido pela loja virtual dos Correios (www.correios.com.br/correiosonline), pela Agência de Vendas a Distância (centralvendas@correios.com.br) ou nas agências dos Correios.

Fonte: O NORTÃO

domingo, 1 de janeiro de 2012

Declaração Conjunta sobre a Mãe de Deus

Reuniu-se na ilha de Malta, de 8 a 15 de setembro de 1983, um Congresso destinado a estudar o papel de Maria na história da salvação; este evento contou com a presença de teólogos ortodoxos, anglicanos, luteranos e reformados (calvinistas) que apresentaram suas contribuições ao aprofundamento do tema. Ao fim do Congresso, quatorze participantes, de diversas denominações cristãs assinaram uma Declaração sobre a figura e a posição da Santa Mãe de Deus na piedade cristã. Este documento significa um passo importante na linha de convergência entre cristãos que ultimamente vem sendo trilhada em reafirmação dos artigos da fé.

DECLARAÇÃO

Em prosseguimento dos cinco Congressos Mariológicos Internacionais precedentes, o Congresso de Malta (8-15 de setembro de 1983) permitiu a um grupo de teólogos ortodoxos, anglicanos, luteranos e reformados, reunir-se com um grupo de teólogos católicos para refletir sobre a Comunhão dos Santos e sobre o lugar que Maria ali ocupa. Reconhecidos ao Senhor pelos encontros precedentes, e pelas convergências que surgiram, acreditam poder apresentar ao Congresso as conclusões do seu diálogo.

1. Todos reconhecemos a existência da Comunhão dos Santos como comunhão daqueles que na terra estão unidos a Cristo, como membros vivos do seu Corpo Místico. O fundamento e o ponto central de referência desta comunhão é Cristo, o Filho de Deus feito homem e Cabeça da Igreja (Ef 4,15-16), para nos unir ao Pai e ao Espírito Santo.

2. Esta comunhão, que é comunhão com Cristo e entre todos os que são de Cristo, implica uma solidariedade que se exprime também na oração de uns pelos outros; esta oração depende daquela de Cristo, sempre vivo para interceder por nós (cf. Hb 7, 25).

3. O fato mesmo de que, no céu à direita do Pai, Cristo ora por nós, indica-nos que a morte não rompe a comunhão daqueles que durante a própria vida estiveram pelos laços da fraternidade unidos em Cristo. Existe, pois, uma comunhão entre os que pertencem a Cristo, quer vivam na terra, quer, tendo deixado os seus corpos, estejam com o Senhor (cf. 2Cor 5,8; Mc 12,27).

4. Neste contexto, compreende-se que a intercessão dos Santos por nós existe de maneira semelhante à oração que os fiéis fazem uns pelos outros. A intercessão dos Santos não deve ser entendida como um meio de “informar” Deus das nossas necessidades. Nenhuma oração pode ter este sentido a respeito de Deus, cujo conhecimento é infinito. Trata-se de uma abertura à vontade de Deus por parte de si mesmo e dos outros, e da prática do amor fraterno.

5. No interior desta doutrina, compreende-se o lugar que pertence a Maria Mãe de Deus. É precisamente a relação a Cristo que, na Comunhão dos Santos, lhe confere uma função singular de ordem cristológica. Além disso, a oração de Maria por nós deve ser considerada no contexto cultural de toda a Igreja celeste descrito no Apocalipse, ao qual a Igreja terrestre quer unir-se na sua oração comunitária. Maria ora no seio da Igreja como outrora o fez na expectativa do Pentecostes (cf. At 1,14). Por outro lado, quaisquer que sejam as nossa diferença confessionais, não há razão alguma que impeça unir a nossa oração a Deus no Espírito Santo com a da liturgia celeste, e de modo especial com a da Mãe de Deus.

6. Esta inserção de Maria no culto ao redor do Cordeiro imolado (aspecto cristológico), associada a toda a liturgia celeste (aspecto eclesiológico), não pode dar lugar a alguma interpretação que venha atribuir a Maria uma honra que é devida só a Deus. Além disso, nenhum membro da Igreja saberia acrescentar qualquer coisa à obra de Cristo, que é a única fonte de salvação; não é possível passar senão por Ele, nem recorrer a uma via “mais cômoda” que a do Filho de Deus, para se chegar ao Pai. Ao mesmo tempo é claro que Maria tem o seu lugar na Comunhão dos Santos.

Ao término destas reflexões, nós desejamos dar um testemunho público da fraterna experiência vivida nestes dias. Ela não se limita à atmosfera em que o diálogo se realizou, mas entende-se a todas as atividades do Congresso e à mentalidade religiosa do povo maltês, que, no fervor da sua oração com Maria, nos acompanhava. Conscientes de que há muitos problemas teológicos aos quais o diálogo deverá ainda levar, nós declaramos a nossa vontade de continuar as nossas reflexões no Nome do Senhor.

Não é supérfluo recordar, como se fez ao término do Congresso de Saragoça em 1979, que os signatários, como membros da Comissão Ecumênica do Congresso, não querem senão empenhar-se, bem que tenham trabalhado com a preocupação constante de exprimir a fé das suas respectivas Igrejas.

Malta, 15 de setembro de 1983.

WOLFGANG BOROWSKY, Luterano
HENRY CHAVANNES, Reformado
JOHN DE SATGE, Anglicano
JOHANNES KALOGIROU, Ortodoxo
JOHN MILBURN, Anglicano
HOWARD ROOT, Anglicano
JOHN EVANS, Anglicano
FRANZ COURTH, S.A.C.
THEODORE KOEHLER, S. M.
CÂNDIDO POZO, S. J.
CHARLES MOLETTE, Sac.
ENRIQUE LLAMAS, O. C. D.
STEFANO DE FIORES, S. M. M.
PIERRE, MASSON, O. P., Secretário

Fonte: Revista: «Pergunte e Responderemos», Nº 273 – Ano 1984 – Pág. 90.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

2º Domingo de Dezembro, "O Dia da Bíblia".

Grego, hebraico e aramaico foram os idiomas utilizados para escrever os originais das Escrituras Sagradas. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Apenas alguns poucos textos foram escritos em aramaico. O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, que era a língua mais utilizada na época.

Estima-se que a primeira tradução da Bíblia foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Porém, não eram apenas os judeus, que viviam no estrangeiro, que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico.

Denominada Septuaginta (ou Tradução dos Setenta), esta primeira tradução foi realizada por 70 sábios e contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C. A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.

Outras traduções começaram a ser realizadas por cristãos novos, sendo a mais importante de todas a tradução na língua latina pela sua ampla utilização no Ocidente. No ano 382 d.C, o bispo de Roma nomeou o grande exegeta Jerônimo para fazer uma tradução oficial das Escrituras. Sua tradução tornou-se conhecida como "Vulgata", ou seja, escrita na língua de pessoas comuns ("vulgus"), e difundiu-se por todas as regiões do Mediterrâneo, alcançando até o Norte da Europa.

Na Alemanha, em meados do Século 15, um ourives chamado Johannes Gutemberg desenvolveu a arte de fundir tipos metálicos móveis. O primeiro livro de grande porte produzido por sua prensa foi a Bíblia em latim. Cópias impressas decoradas a mão passaram a competir com os mais belos manuscritos. Esta nova arte foi utilizada para imprimir Bíblias em seis línguas antes de 1500 - alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão; e em outras seis línguas até meados do século 16 - espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês, polonês e finlandês.

No início do século 16, manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados nas igrejas orientais, começaram a chegar à Europa ocidental. Uma pessoa de grande destaque durante este novo período de estudo e aprendizado foi Erasmo de Roterdã. Ele passou alguns anos atuando como professor na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua edição do Novo Testamento em grego foi publicada. Pela primeira vez estudiosos da Europa ocidental puderam ter acesso ao Novo Testamento na língua original, embora, infelizmente, os manuscritos fornecidos a Erasmo fossem de origem relativamente recente e, portanto, não eram completamente confiáveis.

Os originais da Bíblia são a base para a elaboração de uma tradução confiável das Escrituras. Porém, não existe nenhuma versão original de manuscrito da Bíblia, mas sim cópias de cópias de cópias. Todos os autógrafos, isto é, os livros originais, como foram escritos pelos seus autores, se perderam.
Hoje é possível encontrar a Bíblia completa ou em porções traduzida em mais de 2.000 línguas.

Os mais antigos registros de tradução de trechos da Bíblia para o português datam do final do século XV. Porém, centenas de anos se passaram até que a primeira versão completa estivesse disponível em três volumes, em 1753. Trata-se da tradução de João Ferreira de Almeida. A primeira impressão da Bíblia completa em português, em um único volume, aconteceu em Londres, em 1819, também na versão de Almeida.

O Dia da Bíblia surgiu em 1549, na Grã-Bretanha, quando o Bispo Cranmer, incluiu no livro de orações do Rei Eduardo VI um dia especial para que a população intercedesse em favor da leitura do Livro Sagrado. A data escolhida foi o segundo domingo do Advento - celebrado nos quatro domingos que antecedem o Natal. Foi assim que o segundo domingo de dezembro tornou-se o Dia da Bíblia. No Brasil, o Dia da Bíblia passou a ser celebrado em 1850, com a chegada, da Europa e dos Estados Unidos, dos primeiros missionários evangélicos que aqui vieram semear a Palavra de Deus.

Hoje, o dia dedicado às Escrituras Sagradas é comemorado em cerca de 60 países, sendo que em alguns, a data é celebrada no segundo domingo de setembro, numa referência ao trabalho do tradutor Jerônimo, na Vulgata, conhecida tradução da Bíblia para o latim. As comemorações do segundo domingo de dezembro mobilizam, todos os anos, milhões de cristãos em todo o País.

Fonte: www.saf.org.br

domingo, 20 de novembro de 2011

Leonardo Boff e a Doutrina trinitária

A doutrina trinitária do cristianismo conheceu semelhante percurso. Em primeiro lugar ocorreu a experiência-fonte; os primeiros discípulos conviveram com Jesus, observaram como rezava, como falava com Deus, como pregava, como tratava as pessoas, particularmente os pobres, como enfrentou os conflitos, como sofreu e morreu e como ressuscitou; observavam também o que ocorria na comunidade que creu nele, especialmente a partir do Pentecostes. Proclamavam com alegria em suas orações e com simplicidade em suas pregações o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Sem quererem multiplicar a divindade, pois vinham todos do judaísmo, para o qual o monoteísmo é um dogma estrito, chamavam cada um deles de Deus. Mais tarde, os cristãos começaram a pensar esta experiência e a traduzir numa fórmula esta proclamação. Surgiu então a doutrina trinitária expressa claramente assim: Um Deus em três pessoas ou uma natureza e três Hipóstases ou três Amantes e um só amor ou três Sujeitos e uma única substância, ou três Únicos e uma só comunhão. (Boff, Leonardo. A Trindade e a Sociedade, 1999)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Rio de Janeiro realizará, aos pés do Cristo Redentor, a Celebração da Acolhida do Advento

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Rio de Janeiro (CONIC-Rio) vai realizar, aos pés do Cristo Redentor, a Celebração da Acolhida do Advento, no dia 25 de novembro, às 10 horas. O encontro ecumênico será um momento de oração e comunhão com integrantes das religiões-membros do CONIC: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Cristã de Ipanema, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de confissão Luterana no Brasil e Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. O evento será marcado por músicas e leituras diversas.

O Advento marca o inicio do calendário cristão. É o tempo de preparação para o nascimento de Jesus, momento de espera por aquele que há de vir. Para o Vice-Presidente do CONIC-Rio, Reverendo Sérgio Duarte, da Igreja Cristã de Ipanema, a escolha do Cristo Redentor como local do encontro mostra a importância ecumênica do monumento.

“O Cristo é um monumento-marco da cidade do Rio de Janeiro. Quando você o escolhe como sede do evento, você pensa em centralizar as orações em um lugar característico da cidade, que é aceito por todas as religiões”, disse. A celebração será gratuita e aberta ao público.

CONIC

O CONIC foi fundado em 1982, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Hoje, tem sua sede em Brasília, no Distrito Federal. Seus objetivos envolvem a promoção das relações ecumênicas entre as Igrejas cristãs e o testemunho conjunto das Igrejas-membros em defesa dos direitos humanos como exigência de fidelidade ao Evangelho.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Igreja Anglicana consagrará oratório homoafetivo de São Sérgio e São Baco

A Pastoral da Diversidade da Capela da Inclusão, Missão da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil em Campo Grande consagrará neste domingo (09), um pequeno oratório no interior da Capela com um ícone de São Sérgio e São Baco. Sérgio e Baco eram militares e formavam um casal quando se converteram ao cristianismo no século III.

Eles permaneceram vivendo em união estável até que foram denunciados e perseguidos pelo Imperador Maximiano, que mandou torturá-los e condená-los à morte. Posteriormente, a Igreja Bizantina (Ramo Ortodoxo do Cristianismo no Oriente) os canonizou. Seu dia no calendário cristão é 07 de outubro.

Fonte:http://www.midiamax.com/noticias

sábado, 3 de setembro de 2011

Heresias Cristológicas II

Apolinarismo

Definição: heresia difundida no século IV por Apolinário que nega a Alma numana de Cristo, crendo que esta alma humana seria como a nossa, pecaminosa. Assim acreditava salvar a divindade de Cristo. A Igreja, no sínodo e Alexandria (362), assegurou a alma de Cristo dizendo: "O Verbo se encarnou para salvar alma e corpo; por isso teve que tomar um corpo". O sínodo de Roma ao ano 377 condenou a heresia de Apolinário. A alma humana de Cristo não é pecaminosa, porque não teve pecado original, e, portanto, tampouco as consequências desse pecado original com o qual nascemos todos nós, mortais. Só o pecado é o que deixa a marca pecaminosa na alma. Jesus não teve pecado e, portanto, a conclusão é bem clara.

Nestorianismo:

doutrina cristológica proposta por Nestório, Patriarca de Constantinopola (428 - 431 d.C.). A doutrina, que foi formada durante os estudos de Nestório sob Teodoro de Mopsuéstia na Escola de Alexandria, enfatiza a desunião entre as naturezas humana e divina de Jesus. Os ensinamentos de Nestório o colocaram em conflito com alguns dos mais proeminentes líderes da igreja antiga, principalmente Cirilo dde Alexandria, que criticou-o particularmente por negar o título Theotokos ("Mãe de Deus") para a Virgem Maria. Nestório e seus ensinamentos foram condenados como heréticos no Primeiro Concílio de Éfeso em 431 d.C. e no Concílio de Calcedônia em 451 d.C., o que acabou por provocar o cisma nestoriano, no qual as igrejas que apoiavam Nestório deixaram o corpo da Igreja.
Porém, o crescimento da Igreja do Oriente no século VII d.C. e nos seguintes espalhou o nestorianismo por toda a Ásia. Há que se distinguir porém que nem todas as igrejas afiliadas com a Igreja do Oriente parecem ter seguido a cristologia nestoriana. A Igreja Assíria do Oriente, por exemplo, que reverencia Nestório, não segue a doutrina nestoriana histórica. Fonte: Encyclopædia Britannica (11ª edição)

sábado, 20 de agosto de 2011

Cristianismo ao Longo dos Séculos

Há tempos atrás postei um esquema sobre a trajetória do cristianismo dando ênfase a linha histórica do protestantismo. Quando falamos em protestantismo, lembramos que os Pais da Reforma eram católicos romanos e que não tinham a pretensão de sair da igreja romana, contudo a separação foi inevitável, pois havia um grande clamor da própria igreja que estava cativa.

No esquema anterior, um leitor do blog fez uma crítica pertinente e construtiva ao alegar que no esquema só havia a Sé Romana como tronco comum do cristianismo em detrimento de outras igrejas autônomas existentes na era pós apostólica ou era dos bispos.

Quando estudamos o cristianismo sob a ênfase do surgimento do protestantismo, teremos como tronco comum a Igreja de Roma, por outro lado, quando estudamos o cristianismo com ênfase global, teremos uma diversidade cristã (p.ex. Igreja Celta, Grã Bretanha, séc. II) e não em uma hierarquia monárquica.

Podemos citar, por exemplo, a título de diversidade cristã, a primeira menção a cristãos na Grã-Bretanha que aparece no Tratado contra os Judeus (202), de Tertuliano, no qual se faz referência a zonas da Bretanha inacessíveis aos Romanos, mas onde já vigoravam os ensinamentos de Cristo.

Insta salientar que somente no ano de 596 d.C., Santo Agostinho (de Cantuária) foi enviado pelo Papa Gregório, o Grande, como missionário para a Grã Bretanha. No livro II do Venerável Beda, "Uma História da Igreja e do Povo Inglês", escrito em torno do ano de 850, é relatado que Gregório, antes de se tornar Papa, viu umas crianças loiras `a venda no mercado de Roma. Quando contaram para ele que eram da Grã Bretanha, de uma raça chamada "anglos", Gregório teria dito: "non angli, sed angeli", que significa, "não anglos, mas anjos".

Desde então, duas correntes – celta e romana –, coexistiram nas Ilhas Britânicas, ora conseguindo posições, ora perdendo-as num "combate" em nome de Deus e com duas diferenças de fundo que iam desde a celebração da data da Páscoa à tonsura, passando pelo próprio ritual ou Liturgia.

Em 603, Agostinho chamou representantes da Igreja Celta numa tentativa de convencê-los a se submeter `as práticas e disciplinas romanas, mas eles recusaram. Santo Agostinho morreu em 605, mas a questão das diferenças entre a Igreja Britânica e a Igreja Romana continuou sendo motivo de controvérsias.

No ano 664, séc. VI, o rei Oswaldo, de Northumbria, decidiu convocar uma reunião em Whitby em 664, com representantes das duas correntes, de modo a tentar chegar a um possível acordo, partindo da questão há muito polêmica da marcação da data da Páscoa. Tal reunião seria de importância capital, uma vez que dela resultou a unificação religiosa da Grã-Bretanha, subordinando-a a Roma, mantendo-se fiel ao cristianismo romano até ao período da Reforma.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Culto Verdadeiro (reforma)



terça-feira, 15 de março de 2011

Pecado - O que é?

Talvez não houvesse pecado se não houvesse lei. Mas a lei existe. É a lei de Deus. Portanto, qualquer desconhecimento ou desrespeito a essa lei chama-se de pecado. Poderia chamar-se de infração ou crime ou de qualquer outra palavra. Todavia, por se tratar de uma desobediência à lei de Deus, a palavra mais própria é pecado. É uma palavra técnica, profundamente religiosa, usada primeiramente nas Escrituras Sagradas e, depois, na Teologia e na literatura religiosa.

Por essa razão, os catecismos e as confissões de fé cristãs relacionam o pecado com a lei de Deus.

Catecismo Menor de Martinho Lutero (1483-1517):
Pecado é qualquer desvio da norma da Lei divina.

Catecismo Menor redigido pela Assembléia de Westminster, em Londres, de 1643 a 1649, até hoje usado pelas Igrejas Reformadas, que contém a mais conhecida e apreciada definição:
Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou qualquer transgressão dessa lei.

Primeiro Catecismo de Doutrina Cristã, preparado pelo Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro e bispos da província meridional do Brasil, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em 1903:
Pecado é uma desobediência voluntária à lei de Deus”.

Catecismo Metodista, compilado por A. M. Ungaretti, no início do século (a 2a. edição é de 1926), que fica apenas com a metade da declaração de Westminster:
Pecado é qualquer transgressão da lei de Deus.

Novo Catecismo da Igreja Católica, colocado em perguntas e respostas por Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, arcebispo de Maceió, em 1993, que repete Santo Agostinho:
Pecado é uma palavra, um ato ou um desejo, contrários à lei eterna.

Segunda Confissão Helvética:
Por pecado entendemos a corrupção inata do homem, que se comunicou ou propagou de nossos primeiros pais a todos nós, pela qual nós — mergulhados em más concupiscências, avessos a todo o bem, inclinados a todo o mal, cheios de toda impiedade, de descrenças, de desprezo e de ódio a Deus — nada de bom podemos fazer, e, até, nem ao menos podemos pensar por nós mesmos. Além disso, à medida que passam os anos, por pensamentos, palavras e obras más, contrárias à lei de Deus, produzimos frutos corrompidos, dignos de uma árvore má.

Confissão Escocesa:
Pecado são os atos contrários à vontade de Deus expressa em sua lei, contra Deus e contra o próximo.

Departamento de Educação Religiosa da Igreja Episcopal:
Pecado é como uma doença que está no sangue e que se manifesta aqui e ali em feridas pelo corpo. Por trás de todos os nossos atos pecaminosos está esta infecção interior.

Centro Informativo Católico:
Pecado é antes de tudo falta de cortesia para com o imenso amor de Deus.

Billy Graham:
Pecado não é apenas o uso do que é corrupto, mas muitas vezes o mau uso daquilo que é puro e bom.

Cláudio Rondello:
Pecado é a traça que nos come por dentro.

Apóstolo Paulo:
Aquilo que não tem base na fé é pecado.

Júlio Andrade Ferreira:
A desgraça do pecado é que o homem, de interlocutor de Deus, passou a competidor.

David Wilkerson:
Pecado é a recusa de se viver sabiamente ou de ajustar a vida às verdades da Palavra de Deus. Pecado não é apenas fraqueza, mas um estado de rebelião. Você peca não porque não tenha compreensão das coisas, mas porque se recusa a reconhecer suas nítidas obrigações para com Deus e com os homens.

Plínio Salgado:
Pecado é a subversão da ordem estabelecida por Deus.

Gorgônio Barbosa Alves:
O homem carrega sobre seus ombros um fardo pesado. Ele sabe que leva esse peso. Algumas vezes deseja libertar-se, tenta lançá-lo fora, mas não tem condições. O fardo continua ligado ao seu corpo, bem seguro, como se já fizesse parte de sua natureza. O nome desse fardo é pecado. Isto não é produto da imaginação, não é literatura nem ficção. Pecado é realidade universal.

Salomão:
O pecado é o opróbrio dos povos.

Emil Brunner:
O pecado não é outra coisa do que a presunção de que poderíamos viver sem Deus. Esse pensamento “posso sem Deus, sou meu próprio senhor” é veneno na fonte da vida humana. Dali tudo se contamina. “Ser como Deus” não quer dizer que se afirme a sua própria divindade; antes significa que se cobiça a independência de Deus. Ser independente, livre do Criador, é ser ateu, é ser mau. Todos os mandamentos combatem exatamente isso.

Ultimato - Ed. 253

sábado, 12 de março de 2011

A Data da Última Ceia

Ratzinger-Bento XVI: A data da Última Ceia
Passagem do livro “Jesus de Nazaré, Da entrada em Jerusalém até à Ressurreição”

* * *

1. A data da Última Ceia

O problema da datação da Última Ceia de Jesus assenta no contraste, a este respeito, entre os Evangelhos sinópticos, de um lado, e o Evangelho de João, do outro. Marcos, que Mateus e Lucas seguem no essencial, oferece a este propósito uma datação precisa. «No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava a Páscoa, os discípulos perguntaram-Lhe: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?” [...] Chegada a noite, Jesus foi com os Doze» (Mc 14, 12.17). A tarde do primeiro dia dos Ázimos, quando no templo se imolavam os cordeiros pascais, é a vigília da Páscoa. Segundo a cronologia dos sinópticos trata-se de uma quinta-feira.

Depois do ocaso, começava a Páscoa, e foi então consumida a ceia pascal por Jesus com os seus discípulos, bem como por todos os peregrinos idos a Jerusalém. Na noite de quinta para sexta-feira – sempre segundo a cronologia sinóptica –, Jesus foi preso e apresentado ao tribunal, na manhã de sexta-feira foi condenado à morte por Pila- tos e sucessivamente, «pela hora tércia» (cerca das nove da manhã), foi crucificado. A morte de Jesus deu-se à hora nona (cerca das três horas da tarde). «Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é, véspera do sábado, José de Arimateia [...] foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus» (Mc 15, 42-43). A sepultura devia fazer-se ainda antes do ocaso porque depois começava o sábado. O sábado é o dia do repouso sepulcral de Jesus. A ressurreição tem lugar na ma- nhã do «primeiro dia da semana», no domingo.

Esta cronologia vê-se comprometida pelo seguinte problema: o processo e a crucifixão de Jesus teriam acontecido na festa da Páscoa, que naquele ano calhava na sexta-feira. É verdade que muitos estudiosos procuraram demonstrar que o processo e a crucifixão eram compatíveis com as prescrições da Páscoa. Mas, não obstante toda a erudição, resta problemático que, naquela festa muito importante para os judeus, fossem admissíveis e possíveis o processo diante de Pilatos e a crucifixão. Aliás, esta hipótese vê-se obstaculizada também por uma informação fornecida por Marcos. Afirma ele que, dois dias antes da festa dos Ázimos, os sumos sacerdotes e os escribas procuravam maneira de se apoderarem de Jesus à má-fé para O matarem, mas a propósito declaravam: «Durante a festa não, para que o povo não se revolte» (14, 2; cf. v. 1). Segundo a cronologia sinóptica, porém, a execução capital de Jesus terá de facto tido lugar precisamente no dia da festa.

Vejamos agora a cronologia joanina. João tem o cuidado de não apresentar a Última Ceia como ceia pascal. Pelo contrário, as autoridades judaicas, que levam Jesus ao tribunal de Pilatos, evitam entrar no pretório «para não se contaminarem e poderem celebrar a Páscoa» (18, 28). A Páscoa começa apenas ao entardecer; durante o processo, ainda se está a pensar na ceia pascal; processo e crucifixão têm lugar no dia antes da Páscoa, na parasceve, a «preparação», e não na própria festa. Naquele ano, portanto, a Páscoa estende-se do ocaso de sexta-feira até ao ocaso de sábado, e não do entardecer de quinta-feira até ao entardecer de sexta-feira.

Quanto ao resto, o desenrolar dos acontecimentos permanece o mesmo. Na tarde de quinta-feira, a Última Ceia de Jesus com os discípulos, que não é porém uma ceia pascal; na sexta-feira, a vigília da festa, e não a própria festa, o processo e a execução capital; no sábado, o repouso no sepulcro; no domingo, a ressurreição. Com esta cronologia, Jesus morre na hora em que são imolados no templo os cordeiros pascais. Morre como o verdadeiro Cordeiro, que estava apenas preanunciado nos cordeiros.

Esta coincidência, teologicamente importante, de Jesus morrer contemporaneamente com a imolação dos cordeiros pascais tem levado muitos estudiosos a desmerecerem a versão joanina como cronologia teológica. João teria mudado a cronologia para construir esta coincidência teológica, que todavia no Evangelho não é explicitamente afirmada. Mas, hoje, vai-se vendo de maneira cada vez mais clara que a cronologia joanina é historicamente mais provável do que a sinóptica, visto que – como se disse – processo e execução capital no dia da festa parecem pouco concebíveis. Por outro lado, a Última Ceia de Jesus aparece tão estreitamente ligada à tradição da Páscoa que a negação do seu carácter pascal redunda problemática.

Por isso desde há muito que se fazem tentativas para conciliar as duas cronologias. A mais importante e, em vários dos seus pormenores, fascinante de chegar a uma compatibilidade entre as duas tradições provém da estudiosa francesa Annie Jaubert, que desde 1953 tem vindo a desenvolver a sua tese numa série de publicações. Dado que aqui não devemos entrar nos detalhes da sua proposta, limitamo-nos ao essencial.

A senhora Jaubert baseia-se principalmente em dois textos antigos que parecem apontar para uma solução do problema. O primeiro é a indicação de um calendário sacerdotal antigo, presente no Livro dos Jubileus, que foi redigido em língua hebraica na segunda metade do século II antes de Cristo. Este calendário não toma em consideração a translação da Lua, prevendo um ano de 364 dias, dividido em quatro estações de três meses, dois dos quais têm 30 dias e o outro 31. Cada trimestre, sempre com 91 dias, contém exactamente 13 semanas, e cada ano 52 semanas. Consequentemente, as festas litúrgicas de cada ano seriam sempre no mesmo dia da semana. Isto significa que, no caso da Páscoa, o 15 de Nisan seria sempre à quarta-feira, sendo a ceia pascal consumada depois do ocaso na noite de terça-feira. Jaubert defende que Jesus terá celebrado a Páscoa segundo este calendário, isto é, na terça-feira à noite, e sido preso nessa noite que dá para quarta-feira.

Deste modo, a estudiosa vê resolvidos dois problemas: por um lado, Jesus terá celebrado uma verdadeira ceia pascal, como referem os sinópticos; por outro, João tem razão em que as autoridades judaicas, atendo-se ao seu próprio calendário, celebraram a Páscoa só depois do processo de Jesus; e, por conseguinte, Jesus terá sido justiçado na vigília da verdadeira Páscoa e não no próprio dia da festa. Assim a tradição sinóptica e a joanina apresentam-se igualmente certas com base na diferença que há entre dois calendários diversos. A segunda vantagem sublinhada por Annie Jaubert mostra, simultaneamente, o ponto fraco desta tentativa de encontrar uma solução.

Observa a estudiosa francesa que as cronologias referidas (nos sinópticos e em João) têm de conjugar uma série de acontecimentos no reduzido espaço de poucas horas: o interrogatório na presença do Sinédrio, a transferência para Pilatos, o sonho da mulher de Pilatos, o envio a Herodes, o regresso a Pilatos, a flagelação, a condenação à morte, a via crucis e a crucifixão. Colocar tudo isto num arco de poucas horas parece – segundo Jaubert – quase impossível. A este propósito, a sua solução proporciona um espaço temporal que vai da noite entre terça-feira e quarta-feira até à manhã de sexta-feira.

Neste contexto, a estudiosa mostra que, em Marcos, nos dias de «Domingo de Ramos», segunda-feira, terça-feira e quarta-feira, existe uma sequência concreta dos acontecimentos, mas depois se salta di- rectamente para a ceia pascal. Por conseguinte, segundo a datação referida, ficariam dois dias sobre os quais nada se refere. Por fim, re- corda Jaubert que, deste modo, teria podido funcionar o projecto das autoridades judaicas de matar Jesus ainda antes da festa. Mas Pilatos, com a sua titubeação, teria depois adiado a crucifixão até sexta-feira.

No entanto, contra a mudança da data da Última Ceia de quinta para terça-feira fala a antiga tradição da quinta-feira, que em todo o caso encontramos claramente já no século II. A isto objecta a senhora Jaubert citando o segundo texto sobre o qual assenta a sua tese: trata-se da chamada Didascália dos Apóstolos, um escrito do início do século III que fixa a data da Ceia de Jesus na terça-feira. A estudiosa procura demonstrar que este livro terá recolhido uma tradição antiga, cujos vestígios poderão ser encontrados também noutros textos.

A isto, porém, é preciso responder que os vestígios da tradição encontrados são demasiado frágeis para poderem convencer. A outra dificuldade consiste no facto de ser pouco verosímil o uso, por parte de Jesus, de um calendário difundido principalmente em Qumrân. Nas grandes festas, Jesus frequentava o templo. E, embora tenha predito o seu fim confirmando-o com um acto simbólico dramático, Ele seguiu o calendário judaico das festividades, como mostra sobretudo o Evangelho de João. Poder-se-á, sem dúvida, admitir com a estudiosa francesa que o Calendário dos Jubileus não estava estritamente confinado a Qumrân e aos Essénios. Mas isto não basta para poder fazê-lo valer para a Páscoa de Jesus. Assim se explica que a tese, à primeira vista fascinante, de Annie Jaubert seja rejeitada pela maioria dos exegetas.

Ilustrei esta tese de maneira particularmente detalhada porque ela permite imaginar algo da multiplicidade e da complexidade do mundo judaico no tempo de Jesus: um mundo que, não obstante o considerável aumento dos nossos conhecimentos das fontes, podemos reconstituir apenas de modo insuficiente. Portanto, não negaria a esta tese qual- quer probabilidade, mas, tendo em consideração os seus problemas, penso que não é pura e simplesmente possível acolhê-la.

Que dizer então? A avaliação mais cuidada de todas as soluções tentadas até agora, encontrei-a no livro sobre Jesus de John P. Meier, que, no final do seu primeiro volume, expôs um amplo estudo sobre a cronologia da vida de Jesus. E chega à conclusão de que é preciso escolher entre a cronologia sinóptica e a joanina, demonstrando, com base no conjunto das fontes, que a decisão deve ser favorável a João.

João tem razão quando afirma que, no momento do processo de Jesus diante de Pilatos, as autoridades judaicas ainda não tinham comi- do a Páscoa e por isso deviam conservar-se cultualmente puras. Tem razão ao dizer que a crucifixão não teve lugar no dia da festa, mas na sua vigília. Isto significa que Jesus morreu na altura em que se imola- vam no templo os cordeiros pascais. Que depois os cristãos tivessem visto nisso mais do que um puro acaso, que tivessem reconhecido Je- sus como o autêntico Cordeiro, que precisamente assim tivessem encontrado o rito dos cordeiros elevado ao seu verdadeiro significado – tudo isso é simplesmente normal.

Resta a pergunta: mas, então, porque é que os sinópticos falam de uma ceia pascal? Em que se baseia esta linha da tradição? Uma resposta verdadeiramente convincente a esta pergunta, nem Meier a pôde dar. Todavia, faz a tentativa, como aliás muitos outros exegetas, através da crítica redaccional e literária; procura demonstrar que os textos de Mc 14, 1a e 14, 12-16 – os únicos lugares onde se fala da Páscoa em Marcos – terão sido inseridos posteriormente. Na narrativa verdadeira e própria da Última Ceia, não seria mencionada a Páscoa.

Esta operação, apesar dos numerosos nomes importantes que a sustentam, é artificial. Mas é justa a indicação de Meier segundo a qual, na narrativa da própria Ceia feita pelos sinópticos, o ritual pascal aparece tão pouco como em João. Assim, poder-se-á, embora com alguma reserva, subscrever a afirmação de que «toda a tradição joanina [...] concorda plenamente com a tradição original dos sinópticos relativamente ao carácter da Ceia como não pertencente à Páscoa» (A Marginal Jew, I, p. 398).

Mas então o que foi, verdadeiramente, a Última Ceia de Jesus? E como se chegou à concepção, seguramente muito antiga, do seu carácter pascal? A resposta de Meier é surpreendentemente simples e, sob muitos aspectos, convincente. Jesus estava consciente da sua mor- te iminente; sabia que não mais iria poder comer a Páscoa. Nesta clara certeza, convidou os seus para uma Última Ceia de carácter muito particular, uma Ceia que não pertencia a nenhum rito judaico determinado, mas era a sua despedida, na qual Ele deu algo novo, isto é, Se deu a Si mesmo como o verdadeiro Cordeiro, instituindo assim a sua Páscoa.

Em todos os Evangelhos sinópticos fazem parte desta Ceia as profecias de Jesus sobre a sua morte e sobre a sua ressurreição. Em Lucas, elas assumem uma forma particularmente solene e misteriosa: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus» (22, 15-16). A frase permanece equívoca: pode significar que Jesus come, pela última vez, a Páscoa habitual com os seus; mas pode significar também que já não a come mais, encaminhando-se para a nova Páscoa.

Um dado é evidente em toda a tradição: o essencial desta Ceia de despedida não foi a Páscoa antiga, mas a novidade que Jesus realizou neste contexto. Mesmo se esta refeição de Jesus com os Doze não foi uma ceia pascal segundo as prescrições rituais do judaísmo, num olhar retrospectivo tornou-se evidente, com a morte e a ressurreição de Jesus, o significado intrínseco do todo: era a Páscoa de Jesus. E, neste sentido, Ele celebrou a Páscoa e não a celebrou. Os ritos antigos não podiam ser praticados; quando chegou o momento, Jesus já estava morto. Mas Ele entregara-Se a Si mesmo e assim tinha celebrado com eles verdadeiramente a Páscoa. Desta forma, o antigo não tinha sido negado, mas – e só assim poderia ser – levado ao seu sentido pleno.

O primeiro testemunho desta visão unificadora do novo e do antigo que é operada pela nova interpretação da Ceia de Jesus em relação com a Páscoa no contexto das suas morte e ressurreição encontra-se em Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios 5, 7: «Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, já que sois pães ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado» (cf. Meier, A Marginal Jew, I, p. 429 s.). Como em Marcos 14, 1, também aqui se sucedem o primeiro dia dos Ázimos e a Páscoa, mas o sentido ritual de então é transformado num significado cristológico e existencial. Agora, os «ázimos» devem ser os próprios cristãos, libertados do fermento do pecado. E o Cordeiro imolado é Cristo. Nisto, Paulo concorda perfeitamente com a descrição joanina dos acontecimentos. Assim, para ele, morte e ressurreição de Cristo tornaram-se a Páscoa que permanece.

Com base nisto, pode-se compreender como a Última Ceia de Je- sus – que não era só um prenúncio, mas nos dons eucarísticos compreendia também uma antecipação de cruz e ressurreição – bem depressa acabou por ser considerada como Páscoa, como a sua Páscoa. E era-o verdadeiramente.
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