domingo, 15 de agosto de 2010

OS VALDENSES

Pedro Valdo foi um rico comerciante de Lyon, no século XII. Em 1176, teve contato com uma tradução do Novo Testamento e decidiu abandonar todos os seus bens, com exceção daquilo que fosse necessário para o sustento de sua família.

Um grupo de discípulos logo se formou, tornando-se conhecidos como os Pobres de Espírito. Valdo e seus seguidores passaram, então, a pregar suas idéias pela região. Em virtude de sua recusa em interromper suas pregações, eles foram excomungados em 1184.

Valdo também foi um tradutor, que traduziu a Bíblia para o provençal.

Mesmo após a morte de Pedro Valdo, em 1217, seus discípulos continuaram o movimento, sendo nomeados, então, os valdenses.


Desde o início, os valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a Bíblia em sua própria língua, sendo esta Bíblia a fonte de toda autoridade eclesiástica.

Os valdenses reuniam-se em casas de família ou mesmo em grutas, clandestinamente, devido à perseguição da Igreja Católica. Celebravam a Santa Ceia uma vez por ano. São considerados como uma igreja pré-reformada. Negavam a supremacia de Roma, rejeitavam o culto às imagens como idolatria e eram guardadores do sábado bíblico.

Foram duramente perseguidos na França e na Itália, instalando-se com maior concentração nos vales alpinos de Piemonte, norte da Itália.

A Itália continua sendo o principal país dos Valdenses. Há comunidades valdenses em outros paises, principalmente no Uruguai.

A principal base doutrinária dos valdenses é a chamada Confissão de 1120. É o documento mais antigo da Reforma Protestante e embora não se tenha idéia das condições ou dos autores que o elaboraram, constituiu-se num marco demarcatório para a formação de uma tradição confessional reformada, ainda que de modo algum seja essa tradição homogênea. E de fato o texto da confissão valdense tem poucos pontos em comum com a literatura confessional do século XVI, especialmente com os credos luterano e calvinista, embora não possa ser definido como uma peculiaridade distinta do resto do conjunto dos textos confessionais. Essas aproximações são, em suma, a perspectiva do juízo final (art.9), a explícita condenação da liturgia católica (artgs.10 e 11) e a concordância de que as ordenanças de Cristo dizem respeito apenas à ceia e ao batismo nas águas, sendo excluídas todas as demais. Nesse sentido, o documento confessional dos valdenses pode ser sim considerado um documento reformado, não obstante o perfeccionismo de sua doutrina e outras peculiaridades que são decorrentes do próprio contexto histórico em que se desenvolveu esse movimento. A idéia dos valdenses em torno da predestinação, em particular, aproxima bastante a visão desse grupo das concepções monergísticas dos movimentos do século da Reforma, embora seja difícil falar ainda de um monergismo radical que pressuponha, de algum modo, antevisões do calvinismo extremado do Sínodo de Dort ou da Confissão de Westminster. Mas é evidente que o contexto geral de uma sociedade manietada e dominada até a opressão por uma igreja onipresente e onisciente e cujos líderes espirituais eram mais déspotas do que curas de almas, acabaram influenciando o desenvolviemnto doutrinário do movimento valdense em direção não só à auto-exclusão do mundo, mas ao sectarismo mais radical, inclusive no que tange aos demais movimentos reformados considerados, no mínimo, tão despóticos e arbitrários quanto os sequazes do romanismo, e passando a exigir, por conseguinte, uma eclesiologia e uma dogmática que lhe fossem acessíveis e peculiares, definindo desse modo a sua identididade confessional.

1º - Cremos que há um só Deus, que é Espírito – o Criador de todas as coisas – o Pai de tudo, que é sobre tudo, e por tudo e em tudo; o qual deve ser adorado em espírito e em verdade – do qual dependemos continuamente, e a quem rendemos louvor por nossa vida, alimento, abrigo, saúde, enfermidade, prosperidade, e adversidade. Nós O amamos por ser a fonte de toda bondade; e O reverenciamos pois é o ser sublime, que sonda e prova os corações dos filhos dos homens.
2º - Cremos que Jesus Cristo é o Filho e a imagem do Pai – que nEle habita toda a plenitude da Deidade, e que por Ele somente conhecemos ao Pai. Ele é o nosso Mediador e advogado; e não há outro nome dado debaixo do céu em que possamos ser salvos. Em Seu nome somente nos achegamos ao Pai; não nos utilizamos de orações além daquelas contidas nas Sagradas Escrituras, ou das que estão em concordância com elas.
3º - Cremos no Espírito Santo como o Consolador, que procede do Pai e do Filho, por cuja inspiração somos ensinados a orar, sendo renovados por Ele em nossas mentes; quem nos faz novas criaturas para as boas obras, e de quem recebemos o conhecimento da verdade.
4º - Cremos que há somente uma igreja santa, que compreende a assembléia dos eleitos e fiéis que existiram desde o principio do mundo e que existirão até o fim. O
Senhor Jesus Cristo é o cabeça dessa igreja – ela é governada por Sua Palavra e
guiada pelo Espírito Santo. Na igreja é necessário que os cristãos tenham
comunhão. Cristo intercede por Ela sem cessar, e Sua oração por ela é a mais
aceitável diante de Deus, sem a qual de fato não haveria possibilidade de
salvação.
5º - Sustentamos que os ministros da igreja devem ser irrepreensíveis tanto na vida como na doutrina; se se prova o contrário, eles devem ser depostos de seu ofício, e substituídos por outros; e que nenhuma pessoa pode presumir de tomar esta honra para si mesma senão aquele que é chamado por Deus como o foi Arão – que os deveres dos tais são alimentar o rebanho de Deus, não por lucro, ou como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas como exemplos para o rebanho, em palavra, em conversas, em caridade, em fé e em castidade.
6º - Afirmamos que os reis, príncipes e governadores são os ministros designados por Deus, aos quais temos que obedecer [em todo assunto legal e civil], porque portam a espada para defender o inocente e castigar aquele que faz o mal; essa é a razão por que devemos honrá-los e pagar-lhes tributo. Ninguém pode se excluir desse poder e autoridade, como vemos no exemplo do Senhor Jesus Cristo, o qual voluntariamente pagou o tributo, sem tomar para si mesmo jurisdição alguma do poder temporal.
7º - Cremos que a ordenança do batismo em águas é o sinal visível e externo que representa aquilo que, pela virtude da operação invisível de Deus está dentro de nós – isto é, a renovação de nossas mentes, e a mortificação dos nossos membros por meio da fé em Jesus Cristo. E por essa ordenança somos recebidos na santa congregação do povo de Deus, havendo professado e declarado nossa fé e novidade de vida.
8º - Mantemos que a ceia do Senhor é uma comemoração dos (e em agradecimento pelos) benefícios que temos recebido por Seus sofrimentos e morte – e que deve ser
recebida em fé e amor – examinando-nos a nós mesmos, de forma que possamos comer o pão e beber do vinho, como está escrito nas Sagradas Escrituras.
9º - Sustentamos que o matrimônio foi instituído por Deus, que é santo e honorável, e
que não deve ser proibido a ninguém, se não houver restrição por parte da Palavra de Deus.
10º - Asseguramos que todos aqueles em que habita o temor de Deus serão guiados a agradá-lo, e a abundar em boas obras [do Evangelho], as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas – amor, gozo, paz, paciência, benignidade, bondade, mansidão, sobriedade, e todas as demais boas
obras a que se exorta nas Sagradas Escrituras.
11º - Por outro lado, confessamos que consideramos nosso dever ter cuidado com os falsos mestres, cujo objetivo é desviar as mentes dos homens da adoração verdadeira de Deus, e levá-los a pôr sua confiança na criatura, ao se apartarem das boas obras do
Evangelho, e colocarem sua atenção nas invenções dos homens.
12º - Temos o Antigo e Novo Testamento como nossa regra de vida, e concordamos com a confissão de fé denominada Credo dos Apóstolos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

OS MENOMITAS

Os Menonitas (ou Mennonitas) são um ramo dos Anabatistas, movimento religioso surgido na Europa na época da Reforma.

O testemunho pessoal e a perseguição religiosa levaram os anabatistas e a nova doutrina a diferentes países da Europa, surgindo inúmeras igrejas inicialmente na Suíça, Prússia (atual Alemanha), Áustria e Países Baixos. Neste último, um dos grandes líderes anabatistas foi Menno Simons (1496-1561), cuja influência sobre o grupo foi tão profunda (moderada para alguns) que seus adversários passaram a chamar aos anabatistas de "menonitas".

O principal ponto de discórdia entre os menonitas e seus perseguidores era o batismo infantil. Os menonitas acreditam que a igreja deve ser formada a partir de membros batizados voluntariamente. Isso não era tolerado pelo Estado, nem pela igreja católica nem pela igreja protestante oficial da época.

Os menonitas tiveram durante a sua história diversos pontos de discórdia entre si o que sempre acabou levando a divisões e novas denominações entre eles, como por exemplo os Amish.

Durante o século XVI os menonitas e outros anabatistas foram duramente perseguidos, torturados e martirizados. Por isso muitos deles emigraram para os Estados Unidos, onde ainda hoje vive a maior parte dos menonitas. Eles estão entre os primeiros alemães a imigrarem para os Estados Unidos.

Em 1788, a convite de Catarina, a Grande, imperatriz da Rússia, agricultores menonitas da Prússia (atualmente Alemanha e Polónia) emigraram para Chortitza (em 1789) e Molotschna (em 1804) no sul da Rússia (atualmente Ucrânia). Com o passar do tempo, por escassez de terra e outros motivos, surgiram muitas outras colonizações menonitas que lutaram pelo seu bem-estar espiritual, cultural e material em diversas regiões da Rússia Europeia e asiática.

terça-feira, 27 de julho de 2010

OS BATISTAS

Em 1608, em virtude de perseguição aos grupos separatistas na Inglaterra, Jhon Smyth (1554 - 1612) e Thomas Helwys refugiaram-se na Holanda. No ano seguinte, Smyth adotou a doutrina do "batismo de crentes". Smyth realizou seu próprio batismo, passando a batizar outras pessoas, formando, em seguida, uma comunidade de 38 membros. Dessa forma iniciou-se a Igreja Batista, embora não com essa denominação. Ademais, os primeiros batismos foram por aspersão

Smith faleceu em 1612, holanda. Uma parte da comunidade holandesa uniu-se à Igreja Menomita, mas Helwys regressou a Inglaterra como remanescente dessa comunidade. Nesse mesmo ano, 1612, Helwys e Jhon Murton organizaram, em Spitalfields, na periferia de Londres, uma Igreja Batista com dez membros. Em 1626, os batistas na inglaterra já somavam 150 pessoas, em cinci igrejas, e, em 1660, o número de igrejas na Inglaterra atingia 131.

Os batistas oriundos do avivamento de Smyth foram denominados "batistas gerais". Adotaram a teologia arminiana. Os "batistas particulares", de orientação teológica calvinista, surgiram em Londres, em 1630, separando-se do congrecionalismo.

No século XVI, foram elaboradas algumas confissões de fé pelos batistas inglesses, como a Primeira Confissão de Fé de Londres (1644) e a Segunda Confissão de Londres (1689). Uma das principais caracteristicas das igrejas batistas aparece nessas confissões, o "batismo de crentes". A Confissão de 1644 sustenta que o batismo só é feito para os que têm fé.


OS BATISTAS NO BRASIL

Por força da Guerra Civil Americana ocorrida nos Estados Unidos em 1865, os os cidadãos dos Estados Unidos começam a buscar outras terras onde pudessem tentar a vida.

Em 1871, os Batistas emigrados dos Estados Unidos organizam a Primeira Igreja Batista do Brasil em Santa Bárbara d'Oeste. Anos mais tarde, em 1879, outro grupo de emigrados americanos fazem surgir a segunda Igreja Batista em solo brasileiro em Santa Bárbara d'Oeste, no Bairro da Estação, onde atualmente se localiza a cidade de Americana.

Enquanto isto, no Recife o Missionário Batista William Buck Bagby converte um Sacerdote Romano, Antonio Teixeira de Albuquerque. Após a conversão, Teixeira de Albuquerque tentou refugiar-se em Maceió, sua terra natal, mas, diante da perseguição romana, acode-se em Capivari, no Estado de São Paulo. Vindo a conhecer os Batistas em Santa Bárbara d'Oeste, aceita o Batismo, é ordenado como Pastor Batista e ajuda a comandar a evangelização que se iniciava entre brasileiros, franceses, ingleses e americanos. Os Batistas de então, em Santa Bárbara d'Oeste, se unem para solicitar a Junta de Richmond, dos Estados Unidos, o envio de missionários ao Brasil. Em razão do trabalho de evangelização intenso que já realizavam entre os nativos, percebem a abertura dos brasileiros para receberem o evangelho. Logo em 1881 chegam, William Buck Bagby e Ana Luther Bagby; Zacarias Taylor e Katarin Taylor. Os primeiros missionários são recebidos em Santa Bárbara d'Oeste e logo filiam-se à Igreja Batista existente e começam a estudar a língua portuguesa, tendo Antonio Teixeira de Albuquerque como professor.

Pouco tardou para que os dois casais de missionários americanos, unindo-se a Antonio Teixeira de Albuquerque rumassem para o Estado da Bahia, onde em 1882, com cartas de transferência das igrejas em Santa Bárbara d'Oeste, organizaram a Primeira Igreja Batista em Salvador. Em um ano aquela igreja já contava 70 membros, vale lembrar que a cidade de Salvador também possuia uma comunidade de imigrantes americanos que fugiram da Guerra de Secessão. O Pastor Antonio Teixeira de Albuquerque, casado, rumou para Maceió, onde organiza a Primeira Igreja Batista e prega para seus pais. A vida de Teixeira de Albuquerque foi curta, vindo a falecer aos 46 anos de idade. O Brasil não resiste as pressões sociais e políticas, internas e externas, vendo capitular o Império, sendo proclamada a República, em 1889. Nela a liberdade religiosa estava consagrada na Constituição, ainda que, por enquanto, apenas no papel. A influência evangélica era forte em todas as grandes decisões da nação, incluindo a libertação dos escravos, em 1888.

De Salvador, os missionários seguiram para outras capitais, plantando igrejas. De volta a São Paulo, com outros missionários recém-chegados foram organizando outras novas igrejas a partir de 1899 em São Paulo, Jundiaí, Santos, Campinas, São José dos Campos. Já em 1904 eram 7 Igrejas Batistas no Estado de São Paulo. Essas, reunindo-se em Jundiaí, organizaram em 1904 a Convenção Batista do Estado de São Paulo, então chamada de União Baptista Paulistana. Em 1914, eclode a Primeira Guerra Mundial, que faria ferver até 1918 toda a Europa. A Europa, destruída, vê muitos de seus habitantes saírem em busca de novas terras. O Brasil, e, principalmente o Estado de São Paulo, com um grande avanço na agricultura, (café, cana de açúcar e cereais) torna-se alvo de muitos desses europeus. Fugindo da guerra, aportam por aqui muitos protestantes, somaram-se a eles as dezenas de casais de missionários americanos que continuavam chegando.

domingo, 25 de julho de 2010

Unção Financeira dos$ último$ dia$: Eu Quero!!!

E olhando para os empresários disse: Venham a mim, todos os que querem alguma vantagem da religião. Vocês serão cabeça e não cauda. Comerão o melhor da terra! Unam-se a mim, e eu lhes farei milionários. Aprendam comigo, que sou malandro e esperto de coração. Espertos são os que riem da desgraça alheia. Espertos são os que gostam de ver o circo pegar fogo. Espertos são os que têm fome e sede de sucesso. Eu saciarei seu ego!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Unção Financeira?

“Filho, eu quero que você diga a meu povo que, nestes últimos dias, eu tenho uma unção (financeira?) muito especial para derramar sobre eles”.(Morris Cerullo)


“Se você quer que Deus te dê a unção financeira, a unção financeira dos último$ dia$, eu quero que você pegue esse telefone, eu quero que você faça um compromisso, para 900,00 Reais. E você diz: 'Irmão Cerullo, eu nunca fiz isso na minha vida, especialmente para um programa de televisão!’, mas eu te digo: Quando você semear o que Deu$ está no$ pedindo para fazer hoje, você vai receber da parte de Deus algo que você nunca recebeu antes. Por que 9? Por que eu estou pedindo por 9? Eu vou tedizer por quê. Por que este é o ano de 2009. E os números são importantes para Deus. No ano passado foi 2008, e você se lembra que celebramos um novo começo, porque o número 8 significa um novo começo. [...] 9 significa completo; 9 significa cumprimento total [...] Ouça a voz de Deu$ hoje. Se você for ao telefone e fizer este compromisso, para semear 900 Reais, e você disser: ‘Deus, eu quero dar um passo na minha unção financeira dos últimos dias’, Morri$ é profeta de Deu$, eu te prometo que antes de chegar o dia primeiro de janeiro, toda promessa, toda profecia, [...] você que está sentado em sua casa, repita comigo “nove”, este é o momento de Deus para cumprir toda profecia, toda promessa.” (Morris Cerullo)

terça-feira, 20 de julho de 2010

OS PRESBITERIANOS

Uma tentativa de implantar o protestantismo reformado na Escócia deu-se com George Wishart, que havia estudado na frança. Foi condenado à morte na fogueira, em 1546.

A implantação da reforma na Escócia deve-se a João Knox, que esteve em Genebra como refugiado, tendo sido aluno de João Calvino. Knox retornou à Escócia em 1559. Em 1560, o Parlamento adotou oficialmente a fé reformada, abolindo o catolicismo. Knox e outros prepararam uma declaração de fé, a Confissão Escocessa (1560). Nas ilhas britânicas, o protestantismo reformado passou a ser deniminado "presbiterianismo", o que significa uma rejeição ao regime episcopal.

No entanto, de 1561 a 1567, a Escócia foi governada por Maria Stuart, rainha Católica. Com a morte de knox, o presbiterianismo escocês foi liderado por Andrew Melville (1545 - 1622), que também havia sido refugiado na Suíça. Os sucessores de Maria Stuart não foram Católicos, mas procuram impor a Escócia o anglicanismo.

No século XVII, o rei Carlos tentou impor o anglicanismo e sua liturgia na Escõcia, todavia, o rei encontrou ressistência mesmo na Inglaterra. Ao convocar a eleição de um novo Parlamento na Inglaterra, consagrou-se a maioria puritana (Na Revolução Puritana, o Parlamento suprimiu o Episcopalismo. Foram mortos o rei Carlos -Decapitado- e o Arcebispo Laud, de Catuária). Nesse periodo, o Parlamento convocou a assembleia de Westminster (1643-1648), que redigiu a Confissão de Fé e os Catecismos maior e breve de Westminster, documentos que se tornariam padrão doutrinário principal do presbiterianismo no mundo. Os presbiterianos fizeram um pacto nacional ficando conhecido como covenantes, ou seja, pactuantes, no século XVII. Enfim, em 1689, o presbiterianismo estabeleceu-se de modo definitivo.



PRESBITERIANISMO NO BRASIL



A inserção do presbiterianismo no Brasil vincula-se ao missionário Ashbel Green Simonton (1833 - 1867). Simonton desembarcou no Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, prodedente dos EUA, enviado pelas Igrejas Presbiterianas dos Estados Unidos da América.

Em 25 de julho de 1860, chegou ao Brasil o Reverendo Alexander Blackford (1829 - 1890), cunhado de Simonton, com sua família. Em 1861 Simonton visitou colônias de alemães no Estado de São Paulo, tendo providenciado a vinda do missionário Francis Joseph Scheider (1832 - 1910), que segou em dezembro, para atender a esses colônos.

Simonton e Sheider organizaram a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro em 1862, pastoreada por Simonton até 1867, ano em que faleceu.



Fonte: Curso de História da Igreja de Carlos Jeremias Klein

quinta-feira, 15 de julho de 2010

OS CONGREGACIONAIS

O Congregacionalismo teve suas otigens na Inglaterra em fins do século XVI e inícios no século XVII, certamente em grupos puritanos. Diferente de outros países da Europa, na Inglaterra, a Reforma surge como iniciativa do próprio Rei Henrique VIII. As causas que levou a Inglaterra a romper com Roma são múltiplas, estão ligadas a questões de ordem intelectual, política, religiosa e pessoal que se tornou a causa direta da ruptura, pois o desejo do Rei de contrair um novo casamento não era aprovado pela igreja.

O fato é que a igreja da Inglaterra separa-se de Roma administrativamente, mas, em sua teologia e eclesiologia, mantém o mesmo paradigma romano. Passa por várias fases e essas fases são determinadas pelas tendências teológicas que seus monarcas defendem. Por isso que, na Inglaterra, ora o pêndulo teológico estava para o romanismo ora para o protestantismo.

Neste clima de indefinição teológica e de forte presença na igreja anglicana, tanto em sua liturgia como também em sua eclesiologia de elementos romanistas, é que surge o puritanismo. O grande lema apresentado e defendido pelos puritanos era o de libertar a igreja da Inglaterra dos elementos papistas, ou seja, da teologia Romana. Uma das grandes bandeiras defendidas e discutidas entre teólogos puritanos foi a questão da eclesiologia. Portanto, desses embates teológicos surgirão dois grupos que se opõem ao modelo episcopal defendido e aplicado nas igrejas anglicanas: são eles os independentes, também conhecidos como congregacionais, e os separatistas.

O que se buscava entender era qual deve ser a relação da Igreja com o Estado. Até que ponto o Estado deve intervir na vida e nos caminhos da Igreja. Os independentes queriam a separação entre a Igreja e o Estado e a adoção do sistema congregacional para a igreja. Essencialmente foi isto que se perpetuou ao longo da história do congregacionalismo: a isenção da intervenção estatal e a aplicação da democracia no governo da igreja, buscando quebrar o abismo entre o clero e o leigo, aplicando a doutrina do sacerdócio universal de todos os crentes, relacionando-a não apenas ao serviço ministerial e à liberdade de acesso à presença de Deus, mas também a questões de ordem administrativa.

Henry Jacob (1563 – 1624), que pode ser considerado o fundador do congregacionalismo puritano, foi preso por crer que cada congregação deveria ser livre para escolher seu próprio pastor, determinar seu programa e administrar seus negócios.

IGREJAS CONGREGACIONAIS NO BRASIL

Em 1855 chegaram ao brasil Robert Reid Kalley e sua mulher Sarah Poulton Kalley, que organizaram, em 1858, a Igreja Evangélica Fluminense, nos moldes do congrecionalismo.

A partir de fevereiro de 1865, Kalley recebeu como pastor auxiliar o missionário episcopal Richard Holden. Este homem foi influenciado pelo dispensacionalismo de J.N. Darby, causando apreensões em Kalley, conforme relata Sarah, em 1871: "holden tem criado certa dificuldade entre os moços, devido, em parte, às doutrinas excêntricas e extraordinárias que resolveu adotar - o que tem entristecido meu marido."


O casal Kelley organizou também a Igreja Evangélica Pernambucana, em 1873, tendo ,depois, à Grã-Betanha.

domingo, 11 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

Unidade na Diversidade


E a divisão não para...

Qualquer pessoa que ande pelas ruas das grandes cidades brasileiras há de ficar impressionado com a quantidade de igrejas evangélicas. São templos, pontos de pregação, salas e até portinhas, onde o nome de Jesus é exaltado e o povo de Deus reúne-se para exercer a sua fé. Símbolo da expansão do segmento evangélico na sociedade brasileira, a proliferação de igrejas, se por um lado possibilita a disseminação da Palavra de Deus, por outro, gera situações curiosas. Há ruas com vários templos e até mesmo congregações que funcionam coladas parede a parede. Agora, engraçado mesmo – com todo respeito, claro! – é conferir o nome de algumas igrejas. Existe, por exemplo, uma certa Assembléia de Deus Com Doutrinas e Sem Costumes, no subúrbio do Rio de Janeiro. No interior de Minas, funciona a Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará. Isso sem falar na Igreja Cuspe de Cristo, em São Paulo.
Pode-se discutir o gosto de quem inventa tais nomes, mas o fato é que os aproximadamente 26 milhões de evangélicos brasileiros têm à disposição um variadíssimo cardápio de opções para filiação religiosa. Curiosos, bizarros e imaginativos, os nomes de igrejas, digamos, originais, compõem uma extensa lista: há, por exemplo, a Igreja Pentecostal Alarido de Deus, de Anápolis (GO), cujos cultos não devem ser nada silenciosos; a Igreja Evangélica Deus Pentecostal da Profecia, de São Mateus (ES), que não deixa dúvidas sobre o caráter avivado do povo que se reúne ali; ou ainda a Igreja Evangélica Vida Profunda, da Itaperuna (RJ), onde o crente, já na entrada, recebe um estímulo para deixar de lado a superficialidade na sua relação com Deus. Já a Igreja da Revelação Rápida parece ter sido feita de encomenda para os fiéis mais apressadinhos. Há ainda muitas outras (ver quadro), quase sempre pequenas denominações pentecostais dirigidas por líderes leigos, onde o que vale é a espontaneidade litúrgica e uma boa dose de improvisação.
Mais do que simples tendência, a proliferação das igrejas evangélicas, há alguns anos, já chama a atenção como fenômeno sociológico. Nos anos 90, o Instituto Superior de Estudos da Religião (Iser) debruçou-se sobre os números e chegou a uma conclusão de espantar: só no Grande Rio, cinco novas igrejas surgiam... por semana! E as coisas só aumentaram de lá para cá. Números confiáveis não existem, mas levantamentos realizados por entidades missionárias apontam para a existência de cerca de 150 mil templos e casas de culto evangélicas no país. “Hoje, há uma média de 1,5 mil pessoas por igreja no Brasil”, diz o pesquisador Louranço Kraft, do Serviço para a Evangelização da América Latina (Sepal). Claro, elas concentram-se nos centros urbanos. Em regiões como a Amazônia ou o interior do Nordeste, a presença evangélica permanece extremamente rarefeita. Razões para tanto crescimento não faltam – além do evangelismo ostensivo, responsável por novas conversões, as igrejas evangélicas costumam receber muitos ex-fiéis de outras confissões, como o catolicismo e o espiritismo.
Há ainda outro aspecto – a ruptura com antigos dogmas, como restrições quanto a usos e costumes e normas rígidas de vestuário. “Os evangélicos aboliram a vida ascética que antes preconizavam”, avalia o doutor em sociologia Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais – Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Edições Loyola). Segundo ele, os crentes, cada vez mais adaptados à sociedade, conseguem fazer seu discurso penetrar com mais facilidade, atraindo novos adeptos até mesmo em setores das classes média e alta, tradicionalmente mais avessos à mensagem do Evangelho.
Bem menos acadêmico, mas igualmente sintomático, é o estudo desenvolvido por Orlando Corrêa Neves Castor, 17 anos, estudante de tradições e cultos religiosos. Ele, que mora em Teresópolis (RJ), criou um site sobregrejas com nomes curiosos (www.igrejologia.hpg.ig.com.br). Evangélico, o rapaz conta que a idéia de elaborar a página virtual veio depois de ver tantos nomes diferentes de igrejas. “Comecei o trabalho procurando em listas telefônicas de vários estados”, conta. “Depois, muitas pessoas se interessaram e começaram a mandar colaborações para a lista. Alguns nomes adotados são bem exóticos.”
“Sede mundial” – Segundo Orlando, a maioria das igrejas com este perfil tem localização restrita, ao contrário das denominações mais antigas e tradicionais, como Metodista, Quadrangular ou Luterana, cuja abrangência é nacional. “Noventa por cento delas funcionam em pequenos imóveis alugados, em bairros pobres”, comenta o estudante. No meio do bolo, há uma proliferação desenfreada de congregações evangélicas, muitas delas funcionando sem alvará e à margem de outras exigências legais. “Além disso, a falta de cultura e informação de seus criadores é patente”, aponta. Como exemplo, ele cita uma certa Igreja Evangélica Muçulmana Javé É Pai, e outra, tão bizarra quanto: Igreja Cristã Evangélica Espírita Nacional. “Nos dois nomes há união de religiões que não se relacionam entre si. Como um evangélico pode ser muçulmano ou espírita ao mesmo tempo?”, indaga.
Orlando não esconde que o objetivo do bem humorado levantamento que fez é, também, “criticar abusos praticados em nome da fé das pessoas”. Há pouco tempo, o jornal carioca Balcão, especializado em classificados de todo tipo – ali vende-se varas de pesca, violoncelos, apartamentos, coleção de gibis do Homem-Aranha e tudo o que se possa imaginar –, publicou um anúncio esquisitíssimo. Anunciava-se a oferta de uma igreja evangélica, equipada com som e móveis e que tinha “cerca de 200 membros”, que talvez jamais imaginassem virar objeto de uma transação do gênero. O problema é que fica muito difícil separar o trigo, ou seja, aqueles crentes sérios cujo objetivo ao abrir uma igreja é simplesmente atender um chamado divino e fazer a obra do Senhor, do joio – no caso, os picaretas que vêem a criação de uma congregação apenas como opção de negócio.
A multiplicação de igrejas só acontece porque, no Brasil, é muito fácil abri-las. É o que diz Rubens Moraes, 71, pastor da Assembléia de Deus de Madureira, no Rio. Ele também é contador e trabalha há quase 40 anos na área de legalização de entidades evangélicas. “Para se abrir uma igreja, não é necessário muita coisa”, explica. “Junta-se uma diretoria composta por oito pessoas; depois convoca-se uma reunião para emitir a ata de fundação. A partir daí, basta elaborar o estatuto e registrá-lo no cartório”, ensina. Com este registro, é possível solicitar o cartão do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, o CNPJ, o que pode ser feito até pela internet.
Segundo Rubens, todo o processo é baratíssimo. “Se o próprio interessado quiser fazer tudo, vai desembolsar cerca de R$ 250. Caso prefira contratar um contador, o gasto fica entre 600 e mil reais.” Isso, claro, se o empreendedor não preferir fazer tudo clandestinamente e atuar ao arrepio da lei. Especialista no assunto – ele é autor do livro Legislação para igrejas e entidades sem fins lucrativos, editado pela CPAD –, Rubens Moraes admite que não há como exercer controle sobre quem resolve criar uma igreja. “A lei permite a abertura por qualquer pessoa, mas não pode avaliar os interesses e a seriedade de cada um. Isso abre oportunidades para os aventureiros.” Ele conta que foi procurado recentemente por uma empresária que decidiu colocar uma igreja em seu nome. “Ela construiu, com o seu dinheiro, a comunidade. Apesar de não ser pastora nem nada, ela tem direito de tornar-se presidente da obra.”
Outra estratégia muito utilizada, até mesmo em busca de legitimidade, é a inclusão do nome de uma denominação já conhecida. É grande a quantidade de comunidades independentes que adotam, por exemplo, nomes como “Assembléia de Deus de tal-tal-tal, ou “Igreja Batista disso-ou-daquilo”, mesmo sem ter quaisquer vínculos com as convenções batistas ou assembleianas estabelecidas. “Este tipo de procedimento nos incomoda bastante, inclusive porque não temos qualquer controle sobre a doutrina ou liturgia praticada nestas igrejas”, comenta um pastor ligado à Convenção Batista Fluminense que, para evitar constrangimentos de parte a parte, pediu para não ser identificado.
Ele diz que a entidade já teve problemas com isso – segundo o pastor, houve casos, por exemplo, de fiéis dessas igrejas de linha independente buscarem algum tipo de satisfação por desvios de conduta de seus líderes. “A marca ‘Igreja Batista’ é respeitada até mesmo fora dos meios evangélicos. Então, há pessoas que se aproveitam disso e usam o nome de nossa denominação para passar credibilidade.” Interessante, também, é a megalomania encerrada em nomes grandiloqüentes, tais como “sede mundial” ou “ministério internacional”. Às vezes, igrejinhas que possuem um único templo ostentam, orgulhosas, placas com tais dizeres. Isso quando o nome do mandachuva não aparece em letras garrafais, às vezes, maiores até do que os nomes “Deus” ou “Jesus”.
Bacalhau com feijoada – O professor Paulo Donizéti Siepierski, 43 anos, crente batista de Recife (PE) e membro da Associação Brasileira de História das Religiões, aponta noutra direção. Para ele, a criatividade dos nomes é fundamental para o sucesso do empreendimento. “A concorrência no ‘mercado religioso’ tornou-se bastante acirrada nos últimos anos. Então, a necessidade de se diferenciar neste ‘mercado’ passou a ser imperativa”, explica. Paralelamente, salienta o estudioso, ocorreu uma crise de fidelidade no denominacionalismo. “Uma vez que as pessoas não estão mais buscando respostas convencionais, como as que as igrejas históricas oferecem em suas confissões de fé, mas ao contrário, estão atrás de uam espécie de bricolagem, passou a ser natural que os próprios nomes das novas igrejas simbolizassem tal possibilidade.”
Irônico, o professor usa como comparação os restaurantes de comida a quilo. “No restaurante tradicional, você recebe um cardápio com pratos já montados; no de refeições por quilo, o cliente é quem escolhe a combinação de alimentos, por mais contraditório que possam parecer. Dá até para misturar bacalhau com feijoada.” Sipierski vai além: para ele, a sobrevivência da nova igreja dependerá em grande parte da capacidade em expressar, através de seu nome, aquilo que ela pensa ser sua vantagem comparativa em relação à concorrência. “Precisamos entender que as pessoas não estão em busca de uma doutrina supostamente correta. Hoje, muitos buscam solução para seus problemas e um lugar onde se sintam bem.”
“Tanta criatividade não é bom sinal”, faz coro o historiador Jaime Francisco de Moura, 42, de Brazilândia (DF). Católico, ele é autor do livro As diferenças entre a Igreja Católica e igrejas evangélicas e bate pesado: “Muitas dessas igrejas com nomes fantásticos e chamativos prejudicam o cristianismo”, radicaliza. Para Moura – que, como muitos católicos e o próprio papa, insistem em chamar correntes pentecostais de “seitas” –, o crescimento destas novas denoninações tende a aumentar. “A Palavra de Deus é sagrada e não pode estar na boca de qualquer indivíduo. É preciso haver autoridades competentes para proclamar o Evangelho. Muitos acham que são iluminados pelo Espírito Santo, mas no fundo são movidos pelo erro e pelo engano”, reclama. Na opinião do historiador, qualquer pessoa que pretenda assumir um cargo de dirigente espiritual deveria ter, no mínimo, curso de teologia ou filosofia. Por mais que seja desejável estabelecer critérios deste tipo, contudo, não se deve esquecer que a história do cristianismo está cheia de líderes leigos que fizeram um tremendo trabalho espiritual, a começar pelos próprios discípulos de Jesus – os quais, segundo seus contemporâneos, eram homens “iletrados e incultos”, mas foi através deles que a a fé cristã chegou até nós. Isso sem falar na explosão evangélica verificada no Brasil na segunda metade do século 20, protagonizada, quase sempre, por pastores sem qualquer formação teológica. E não é apenas no protestantismo que o laicato tem destaque. Nas comunidades eclesiais de base, berço da renovação do catolicismo durante os anos 60 e 70, destacavam-se os líderes leigos.
Revelação de Deus – Na outra ponta, pastores que dirigem comunidades que poderiam entrar em qualquer levantamento sobre denominações curiosas, demonstram não apenas convicção espiritual, como também, muita consciência de seu papel. Caso do pastor José Basílio dos Reis, 55 anos, responsável pela Igreja Assembléia dos Primogênitos, de São Paulo. Ele explica que a denominação surgiu devido a uma revelação divina, e admite que ter um nome diferente atrai algumas pessoas para a congregação. “Muitos chegam movidos pela curiosidade, e acabam tendo um encontro com Cristo”, salienta. Contudo, o pastor exorta que, antes de se filiar a qualquer igreja, é fundamental que o aspirante a membro observe suas normas, conheça os líderes e, acima de tudo, peça a orientação do Senhor. “Hoje, há muita gente criando igrejas apenas para arrecadar dinheiro. Isso é um escândalo”, indigna-se.
Para o pastor Mizael Lima de Souza, presidente da Igreja Universal Assembléia dos Santos, com sede em São Paulo, mais importante do que o nome é a valorização do Evangelho e uma conduta justa e transparente que possa dar exemplo à sociedade. “Quando vamos evangelizar, muita gente pergunta se nossa igreja é uma mistura da Universal [do Reino de Deus] com a Assembléia [de Deus], e eu explico que não”, diz ele. O pastor conta que o nome surgiu de uma revelação divina a uma senhora crente há 45 anos – bem antes, portanto, do surgimento da Igreja Universal, a do bispo Edir Macedo, fundada em 1977. “Essa irmã era professora da Escola Bíblica e certo dia foi orar, pois via que sua igreja não obedecia certos preceitos bíblicos. Então, o Senhor disse a ela que o seguisse, pois iria usá-la para levantar uma obra à semelhança da Igreja Primitiva”. Mizael explica que o nome de sua denoninação é baseado nas passagens bíblicas de Hebreus 12:22 e Salmo 89:5. “Mas o que caracteriza mesmo a Igreja do Senhor é se ela tem ou não compromisso com Deus”, conclui. (Colaboraram Marcelo Santos e Marcos Stefano)

Curiosos e criativos

Algumas igrejas e comunidades evangélicas têm nomes que misturam citações bíblicas, fervor espiritual e uma boa dose de criatividade. Confira:

Igreja da Água Abençoada
Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder
Congregação Anti-Blasfêmias
Igreja Chave do Éden
Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta
Igreja Batista Incêndio de Bênçãos
Igreja Batista Ô Glória!
Congregação Passo para o Futuro
Igreja Explosão da Fé
Igreja Pedra Viva
Comunidade do Coração Reciclado
Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
Cruzada de Emoções
Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
Congregação Plena Paz Amando a Todos
Igreja A Fé de Gideão
Igreja Aceita a Jesus
Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém
Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo
Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)
Igreja Barco da Salvação
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo
Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação
Comunidade Arqueiros de Cristo
Igreja Automotiva do Fogo Sagrado
Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo
Igreja Palma da Mão de Cristo
Igreja Menina dos Olhos de Deus
Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos
Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água
Igreja Batista Ponte para o Céu
Igreja Pentecostal do Fogo Azul
Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
Igreja Filho do Varão
Igreja da Oração Eficiente
Igreja da Pomba Branca
Igreja Socorista Evangélica
Igreja ‘A’ de Amor
Cruzada do Poder Pleno e Misterioso
Igreja do Amor Maior que Outra Força
Igreja Dekanthalabassi
Igreja dos Bons Artifícios
Igreja Cristo é Show
Igreja dos Habitantes de Dabir
Igreja ‘Eu Sou a Porta’
Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo
Igreja da Bênção Mundial
Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse
Igreja Pentecostal do Pastor Sassá
Igreja Sinais e Prodígios
Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul
Igreja do Manto Branco
Igreja Caverna de Adulão
Igreja Este Brasil é Adventista
Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção)
Igreja Evangélica Florzinha de Jesus
Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando
Ministério Eis-me Aqui
Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia
Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará
Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos
Igreja Evangélica Facho de Luz
Igreja Batista Renovada Lugar Forte
Igreja Atual dos Últimos Dias
Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te
Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas
Igreja Evangélica Bola de Neve
Igreja Evangélica Adão é o Homem
Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado
Ministério Maravilhas de Deus
Igreja Evangélica Fonte de Milagres
Comunidade Porta das Ovelhas
Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica
Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo
Igreja Evangélica Luz no Escuro
Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim
Igreja Pentecostal Planeta Cristo
Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos
Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta

sexta-feira, 2 de julho de 2010

VOZ DA REFORMA: DOS SACRAMENTOS

Assim como os patriarcas sob a Lei, além da realidade dos sacrifícios, tinham dois sacramentos principais, isto é, a circuncisão e a páscoa, e aqueles que os desprezavam e negligenciavam não eram contados entre o povo de Deus, assim nós também reconhecemos e confessamos que agora, na era do Evangelho, só temos dois sacramentos principais, instituídos por Cristo e ordenados para uso de todos os que desejam ser considerados membros de seu corpo, isto é, o Batismo e a Ceia ou Mesa do Senhor, também chamada popularmente Comunhão do seu Corpo e do seu Sangue.

Esses sacramentos, tanto do Velho Testamento como do Novo, foram instituídos por Deus, não só para estabelecer distinção visível entre o seu povo e os que estavam fora da Aliança, mas também para exercitar a fé dos seus filhos e, pela participação de tais sacramentos, selar em seus corações a certeza da sua promessa e daquela associação, união e sociedade mui felizes que os escolhidos têm com seu Cabeça, Jesus Cristo.

E, assim, condenamos inteiramente a vaidade dos que afirmam que os sacramentos não são outra coisa que meros sinais desnudos. Muito ao contrário, cremos seguramente que pelo Batismo somos enxertados em Jesus Cristo, para nos tornarmos participantes de sua justiça, pela qual todos os nossos pecados são cobertos e perdoados; cremos também que na Ceia corretamente usada, Cristo se une de tal modo a nós, que se torna o próprio alimento e sustento de nossas almas.

Não que imaginemos qualquer transubstanciação do pão no corpo natural de Cristo e do vinho em seu sangue natural, como têm ensinado perniciosamente os pontifícios e como crêem para sua condenação; mas essa união e associação que temos com o corpo e o sangue de Jesus Cristo no uso reto dos sacramentos se realiza por meio do Espírito Santo, que pela verdadeira fé nos transporta acima de todas as coisas visíveis - que são carnais e terrenas - e nos habilita a alimentar-nos do corpo e do sangue de Jesus Cristo, uma vez partido e derramado por nós, e que agora está no céu e se apresenta por nós na presença do Pai.

Não obstante a distância entre o seu corpo agora glorificado no céu e nós mortos aqui na terra, contudo cremos firmemente que o pão que partimos é a comunhão do corpo de Cristo e o cálice que abençoamos é a comunhão do seu sangue. Assim, confessamos, e cremos, sem nenhuma dúvida, que os fiéis, mediante o uso reto da Ceia do Senhor, comem o corpo e bebem o sangue de Jesus Cristo, porque ele permanece neles e eles nele; eles, até, se tornam carne da sua carne e osso dos seus ossos de maneira tal que, como a Divindade eterna conferiu à carne de Jesus Cristo vida e imortalidade, assim também o comer e o beber da carne e do sangue de Jesus Cristo nos confere essas prerrogativas. Declaramos, contudo, que isto não nos é dado só na ocasião do sacramento, nem pela sua ação ou virtude; mas afirmamos que os fiéis, mediante o uso certo da Ceia do Senhor, têm com Jesus Cristo, uma união que o homem natural não pode compreender.

Além disso afirmamos que, embora os fiéis, impedidos pela negligência e pela fraqueza humana, não aproveitem tanto quanto desejariam, na própria ocasião em que se celebra a Ceia, no entanto subseqüentemente ela produzirá frutos, sendo semente viva semeada em boa terra, pois o Espírito Santo, que nunca pode estar separado do uso reto da Instituição de Cristo, não privará os fiéis do fruto dessa ação mística. Mas tudo isto, dizemos, vem da verdadeira fé que apreende Jesus Cristo, o único que faz o sacramento eficaz em nós. Portanto, todos os que nos difamam dizendo que afirmamos ou cremos que os sacramentos não são outra coisa que sinais desnudos e vazios, fazem-nos injustiça e falam contra a verdade manifesta.

Isto, no entanto, admitimos livre e espontaneamente, que fazemos distinção entre Cristo em sua substância eterna e os elementos dos sinais sacramentais. Assim, nem adoramos os elementos em lugar do que eles significam, nem os julgamos dignos de adoração, nem os desprezamos, ou interpretamos como inúteis e vãos, mas deles participamos com grande reverência, examinando-nos a nós mesmos o mais diligentemente antes de participarmos deles, pois somos persuadidos pelos lábios do apóstolo, de que "aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue de Jesus Cristo"



Fonte: Confissão de Fé Escocesa - A Confissão foi escrita por John Knox e outros cinco líderes da Reforma Protestante na Escócia: John Winram, John Spottiswoode, John Willock, John Douglas, e John Row. No entanto, a atribuição da autoria geralmente reforça o papel de John Knox.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Pode uma pessoa se batizar nas águas mais de uma vez?

Pode uma pessoa se batizar nas águas mais de uma vez?
Caso ela se batize e depois, venha a se desviar?


“Há um só senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, que age por meio de todos e está presente em todos” (Ef 4,5-6). “Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo, quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres. E todos bebemos de um só Espírito.” (I Cor 12,13)



Pelo Batismo nascemos para a vida da graça; pela Confissão dos pecados recuperamo-la, se tivermos a infelicidade de perdê-la.

Portanto, não há necessidade de um novo batismo, mas sim confissão (pedir perdão dos pecados) e renovação dos votos desse batismo.

* A Igreja reconhece como válido qualquer batismo com água feito em nome da Santíssima Trindade.
* Pessoas de qualquer idade podem ser batizadas, desde que não tenham ainda sido batizadas.
* A Igreja Cristã não pratica o rebatismo.
Alexandre Mello

domingo, 27 de junho de 2010

Pronunciamento da Igreja Metodista sobre o Batismo Infantil

Em nossa Igreja as nossas crianças são antes de tudo crianças do Senhor. Participam da Palavra, do Culto, da Nova Vida em Jesus e da Ceia do Senhor, a refeição sagrada.

Pais, mães, avós, família, padrinhos, professores das classes de crianças da Escola Dominical participam da tarefa de ensinar às crianças sobre o amor de Deus, o culto e também sobre a Ceia do Senhor.

Crianças participam do culto, da graça salvadora, da Ceia do Senhor e da Salvação. Aleluia!!!

O culto ao Senhor é tarefa de todo o povo de Deus. Das crianças vem o perfeito louvor.

Os nossos filhos e filhas são criados no temor e no amor do Senhor. São herança do Senhor!

O Deus que chama todos os povos para a sua graça e salvação, também chamou as crianças: "Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus", disse o Salvador Jesus.

O altar do Senhor é lugar para as crianças. Para receberem oração. Para orarem. A oração é tarefa de todo o povo de Deus.

As crianças junto dos adultos recebem as crianças que vão ser batizadas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Para nós metodistas o batismo substitui o rito da circuncisão estabelecida por Deus na Antiga Aliança. É o símbolo da Aliança na qual Deus nos chama para participar. O Batismo é consagração dos filhos(as) ao Senhor. É o sinal de que nossos filhos(as) pertencem ao Senhor e como pais e mães cristãos não admitimos outro caminho para nossos filhos que não seja o Evangelho de Jesus.


Fonte: http://www.metodistavilaisabel.org.br

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O batismo cristão



O batismo implica normalmente na imersão total (At 8,38) ou, se não for possível, ao menos uma aspersão ou derramamento de água sobre a cabeça, tal como nostestemunha Didaquê 7,3, o livro de ensinamentos dos Apóstolos. São Paulo, em várias de suas cartas fala e aprofunda o significado do batismo. Por exemplo, nos diz que a imersão na água representa a morte e sepultura de Cristo, a saída da água simboliza a ressurreição e união com Ele. O Batismo faz com que o corpo morra como instrumento do pecado (Rm 6,6) e o fazparticipar da vida para Deus em Cristo (Rm 6,11).

O batismo é, portanto, um sacramento Pascual, uma comunhão com a páscoa de Cristo; o batizado morre ao pecado e vive para Deus em Cristo (Rm 6,11), vive a mesma vida de Cristo (Gal 2,20). Assim, a transformação realizada é radical. O despojo e morte da antiga criatura e revestimento da nova criatura. Nova criação da imagem de Deus.

.


“Há um só senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, que age por meio de todos e está presente em todos” (Ef 4,5-6)




1 - O que significa a palavra “Batismo”?

O nome “batismo” deriva do verbo grego baptizein, que significa “submergir, lavar”. O batismo é, portanto, uma imersão ou uma ablução.

2 – Qual é o simbolismo da água no rito do batismo?

A água tem um papel simbólico como um sinal de purificação em todas as religiões. Vejamos brevemente o simbolismo da água na Bíblia.
No Antigo Testamento, o dilúvio e a passagem pelo Mar Vermelho foram interpretados mais tarde como prefigurações do batismo. Impõem-se leis de ablução rituais que purificam e capacitam para o culto. Os profetas anunciam uma efusão de água purificadora do pecado.
Um pouco antes da vinda de Jesus, os rabinos batizaram os prosélitos, de origem pagã que se juntavam ao povo judeu. Parece que alguns consideravam este batismo tão necessário quanto a circuncisão.

O batismo de João é um batismo único, conferido no deserto com vista ao arrependimento e ao perdão (Mc 1,4). Comporta a confissão dos pecados e um esforço de conversão definitiva, expressada no rito (Mt 3,6). João insiste na pureza moral, mas estabelece apenas uma celebração provisória, que é um batismo de água, preparatório para o batismo messiânico do Espírito Santo e no fogo (Mt 3,11),purificação suprema.

O batismo de Jesus. Jesus, ao apresentar-se para receber o batismo de João, se submete à vontade de seu Pai e se situa humildemente entre os pecadores. É o cordeiro de Deus que toma para si os pecados do mundo (Jo 1,29.36). O batismo de Jesus por João é corado pela descida do Espírito Santo e a proclamação pelo Pai celestial, de sua filiação divina. É também o anúncio do pentecostes, que inaugura o batismo no Espírito, para a Igreja (At 1,15;11,16) e para todos que entrem nela (Ef 5,25-32; Tt 3,5ss). O reconhecimento de Jesus como Filho anuncia a filiação adotiva dos crentes, participação em Jesus e como conseqüência do dom do Espírito (Gal 4,6).

3 – O que é um sacramento?

Os sacramentos são sinais externos visíveis instituídos por Jesus Cristo para conferir a graça santificante, que Deus nos concede para alcançar a vida eterna. A graça é um favor de Deus gratuito que ilumina nossas mentes e fortalece nossas vontades para realizar o bem.

4 – Qual é o sacramento mais importante?

O sacramento do Batismo.

5 – O que é o Batismo?

É o sacramento da regeneração divina.

6 – Quais outros efeitos o Batismo produz em nós?

Deus nos adota como seus filhos.
Nos incorpora ao corpo místico de Cristo, que é a Igreja.
Nos incorpora ao Povo de Deus.
Nos faz herdeiros do reino dos céus.
Ficamos livres de todos os pecados que pudéssemos ter ao ser batizados.
Depois do batismo, somos como um templo, onde Deus habita. O Pai, o Filho e o Espírito Santo estão no coração daquele que recebeu o batismo e mora nele.

7 – Quais são os sinais externos mais importantes do Batismo?

A água, com seu simbolismo purificador.
A tripla imersão ou ablução da água, pronunciando a fórmula trinitária.


8 – O que é necessário para ser batizado ou para batizar uma criança?

É necessário:
· renunciar ao mal;
· arrepender-se dos pecados;
· aceitar a Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

Além disto, fazemos um “pacto batismal” ou promessa:

· professamos a fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e na Igreja;
· estudamos os ensinamentos da Igreja; acompanhamos a Eucaristia; rezamos;
· resistimos ao mal e nos arrependemos do pecado se caímos nele;
· proclamamos o evangelho em palavra e ação;
· servimos a Cristo em todas as pessoas;
· lutamos pela justiça e paz entre todos os povos.

Devemos repetir estas promessas freqüentemente para não nos esquecermos de nosso compromisso cristão.

9 – Como uma criança pode realizar tudo isso?

Pelo Batismo, os batizados formam a família cristã, que é a Igreja, e o corpo místico de Cristo. Em nome de Cristo e da Igreja, os pais e padrinhos (padrinhos nos casos da igreja Luterana, Anglicana, Metodista Antiga/Tradicional ou Católica) prometem educar a criança na fé que eles professam. Caso estas pessoas falhem neste compromisso, toda a Igreja deve responder ante esta obrigação. Isto se encontra implícito na pergunta que se faz à congregação: “Vocês, testemunhos destes votos, farão tudo quanto possam para sustentar estas pessoas em sua vida em Cristo?”.

10 – Quem pode batizar?

O ministro apropriado para batizar é o bispo, mas em sua ausência, qualquer sacerdote. Em caso da falta do sacerdote, com permissão do bispo, um diácono pode batizar. E, em caso de emergência, qualquer pessoa pode batizar, derramando água sobre a cabeça e pronunciando a fórmula trinitária.

11 – Quais são os dias mais apropriados para batizar?

Os dias mais apropriados para batizar são: a Vigília Pascual e o dia de Páscoa, o dia de Pentecostes. Quando há muita demanda pelo batismo, poderá batizar-se uma vez ao mês. Fora do domingo, apenas em ocasiões muito especiais, assegurando-se de que sempre se realize durante a celebração e com a presença de vários fiéis.




“Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo, quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres. E todos bebemos de um só Espírito.” (I Cor 12,13)




Fonte: Site da ECUSA – Ministério Hispano http://www.iglesiaepiscopal.org

domingo, 20 de junho de 2010

A Santa Comunhão

Quando Nosso Senhor instituiu a Eucaristia antes de sua morte, fez quatro coisas e essas quatro ações ainda constituem os passos essenciais da Santa Comunhão:

• “Tomou o pão” (O ofertório)
O presbítero vai ao altar e recebe o pão e as ofertas em dinheiro dos representantes do povo de Deus. Toma-as e as apresenta a Deus, colocando-as sobre o altar. Hão de usar-se no sacramento e para a obra da Igreja, simbolizando também a oferenda de si mesmo que faz o povo de Deus em resposta ao amor de Deus revelado em Jesus Cristo.

• “Deu graças” (A consagração)
Seguindo o exemplo de Nosso Senhor, o presbítero dá graças ao Criador, Deus Pai e recorda a obra salvífica de seu Filho, Nosso Senhor. Pede também que o Espírito Santo santifique tanto a nós como ao pão e vinho, de maneira que sejam o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor e Salvador. A presença real de Cristo no Sacramento é a resposta à nossa oração, para que ele possa habitar em nós e nós nele.

• “...o partiu” (A partição)
Quando a grande súplica eucarística termina com o Pai Nosso, há um momento de silêncio, dando aos participantes uma oportunidade de refletir com recolhimento e alegria sobre o amor que Deus nos mostrou em Jesus Cristo. Após, o celebrante parte o pão bendito em preparação para que o recebamos e como símbolo do Corpo de Cristo quebrantado por nós na cruz. Então, citando as Escrituras, diz: “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado por nós” e o povo responde com alegria: “Celebramos a festa!” (I Cor. 5:7-8).

• “...o deu a seus discípulos” (A comunhão)
Quando tudo está pronto, o presbítero se volta para a congregação e a convida a receber o bendito sacramento, dizendo: “Os dons de Deus são para o povo de Deus”. Em seguida, cada um participa do ‘’Corpo de Cristo” e “do Cálice da Salvação” que nos nutrem espiritualmente e são um sinal visível da vida eterna.

Depois que todos tiverem comungado, diz-se uma oração de ação e graças e o bispo, quando presente no altar, ou o presbítero, dão a bênção. Logo após, um diácono diz uma das várias despedidas, a qual respondemos: “Demos graças a Deus (da Páscoa à quadra de Pentecostes se acrescenta: “Aleluia! Aleluia!”.


Encarnando a Cristo no mundo

A liturgia terminou, mas num certo sentido, a Eucaristia não terminou. A Eucaristia não é meramente o que os cristãos fazem ocasionalmente, mas sim o modo como vivem – em fidelidade, gratidão, alegria e em Cristo. O Corpo de Cristo (a Igreja), tendo se alimentado do Corpo de Cristo (o sacramento), sai agora para cumprir sua vocação de ser o Corpo de Cristo (o instrumento) no mundo: servindo assim, num certo sentido, como a continuação da encarnação e como instrumento nas mãos de Deus para o cumprimento do grande drama da redenção que começou há dois mil anos.



Este trabalho foi preparado pela comissão de liturgia da Diocese Ocidental de Massachusetts da Igreja Episcopal (ECUSA) e foi traduzido para o português por Norton A. Coll.

sábado, 19 de junho de 2010

SOMOS EVANGÉLICOS, MAS ELE ME ESPANCA

O soco no queixo que derrubou Tereza, 33 anos, sobre os armários da sala, também jogou-a nas estatísticas que contabilizam uma mulher agredida no Brasil a cada quinze segundos. Tereza não sabe disso, nem se importou em contar quanto tempo durou a primeira surra. A única coisa que lhe vinha á cabeça era um arrependimento uma frustração. Casada com Pedro e natural do Rio de Janeiro, ela havia se mudado para São Paulo acompanhado do marido, que buscava uma oportunidade de emprego na área de enfermagem. Evangélicos, freqüentadores de uma grande igreja pentecostal na zona leste da capital, ela achava que tudo iria se ajeitar. Foi quando viu seu marido conversando com uma desconhecida, que se sentava bem á vontade no capô do carro do casal. "Fui perguntar quem era e, como resposta recebi um soco", relembra. Além da agressão, ela foi trancada em casa e proibida de sair.

Era o início de um ciclo de violência de todos os tipos: físicas, psíquicas, morais e sexuais. Tereza teve forte depressão. “Não entendia porque isso estava acontecendo. Não tinha vontade de fazer mais nada”.
Já na igreja, tudo parecia ir muito bem. Atuante, Pedro é um dizimista fiel, serve a santa ceia, lidera o grupo de missões, participa dos encontros de coordenadores e é bem visto pela liderança. Mas em casa se transforma: humilha e agride a esposa. "Ele me obriga a praticar sexo oral e anal". Sei que isso não agrada a Deus. Não sei o que fazer. Se não faço, ele me ameaça", conta em meio às lágrimas.

Tanto o nome dela quanto o dele, assim como das demais vítimas que contam suas histórias nessa reportagem são fictícios. Uma exigência da justiça. Porém, suas histórias são dolorosamente verídicas. Afinal, longe de ser exceção, casos como de Tereza são comuns no Brasil. Os dados de um levantamento realizado pela Fundação Perseu Abramo em 2001 apontam para um número mínimo de 2,1 milhões de mulheres, uma já foi vítima de agressão doméstica.

Apesar de várias pesquisas, realizadas por organizações não governamentais (ONGs) que atuam na defesa do direito das mulheres, não mensurarem a religião das vítimas, é inegável que muitas famílias, dentro da Igreja Evangélica, vivem este drama. Prova disso é a CASA DE ISABEL, um Centro de Apoio a Mulheres Vítimas de Violência, localizada no Bairro do Itaim Paulista, Zona Leste da Cidade de São Paulo, que é dirigida pela pesquisadora Dr. Sônia Regina Maurelli, 45. "Posso dizer que mais de 90% das mulheres que procuram a Casa de Isabel são evangélicas. Na grande maioria, membros de Igrejas Pentecostais", revela a pesquisadora, que também freqüenta uma Igreja Pentecostal, cujo nome não quis revelar.
Ela é enfática ao analisar a importância que as igrejas protestantes dão ao problema da violência contra a mulher.

"Nenhuma. As igrejas, com raras exceções, não dão importância a essa questão", critica.

Sonia acredita que os métodos usados por evangélicos para trabalhar nos relacionamentos, como os populares encontros de casais, são pouco eficazes na diminuição do problema. “Se fosse assim, não haveria tantas mulheres crentes aqui”. Para ela, é preciso abrir um espaço nas igrejas, em que temas que envolvam a família possam ser discutidos. “É necessário uma mudança radical. É preciso criar reuniões, em que as famílias possam abrir seus problemas. Um fim de semana viajando não resolve”.

Nas dissidências da Casa de Isabel, é fácil encontrar grupos de mulheres com a bíblia aberta, senhoras murmurando corinhos cristãos e até mesmo a música no rádio da recepção, tocando canções evangélicas. “Toda nossa diretoria é evangélica e a maioria das funcionárias também”, explica à dirigente, que considera seu trabalho, uma espécie de ministério.

E realmente não difere muito é na sala de Sônia que chegam histórias como de Joana, 28. Desde criança, ela carregou uma terrível herança: foi vitima de abuso sexual de seu pai biológico. “Até hoje tenho pesadelos com isso”, conta, muito emocionada. Quando casou com André, achou que o ciclo de violência havia cessado. Evangélico, membro de uma igreja neopentecostal, ele parecia um modelo de marido e pai. Tiveram cinco filhos. Mas o relacionamento começou a se complicar e Joana passou a dormir na casa dos fundos á sua, onde morava sua mãe. Uma noite, ouvi seu bebê chorar-ele dormia com os demais filhos do casal e o pai. “Fiquei muito preocupada, mas meu marido dizia que eu estava louca e que não devia incomodá-lo”. Dias depois, sua filha de cinco anos contou que o pai a assediava e também molestava o bebê a noite. O mundo de Joana desabou. “Não entendo como ele pôde fazer isso. Ele disse que era doente, me pediu perdão. Mas eu o expulsei de casa”.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O maior crime da história e o maior gesto de amor do mundo

O processo que culminou na sentença da morte de Jesus estava eivado de muitos e gritantes erros. As autoridades judaicas tropeçaram nas suas próprias leis e atropelaram todo o processo no mais importante julgamento do mundo. Tanto a sua prisão no Getsêmani como seu interrogatório diante do sinédrio revelaram grandes deficiências na condução do processo.

Na verdade as autoridades já haviam decidido matar Jesus antes mesmo de interrogá-lo (Mc 14.1; Jo 11.47-53). Eles haviam decidido fazer isto depois da Festa da Páscoa, para evitarem uma revolta popular (Mc 14.2). A atitude de Judas de entregar a Jesus, porém, adiantou o intento deles (Mc 14.10,11). O processo, assim, não passou de um simulacro de justiça desde o princípio até o fim, pois não tinha outra finalidade que a de dar uma aparência de legalidade ao crime já predeterminado.

Suas leis não permitiam um prisioneiro ser interrogado pelo sinédrio à noite. No dia antes de sábado ou de uma festa, todas as sessões estavam proibidas. Nenhuma pessoa podia ser condenada senão por meio do testemunho de duas outras testemunhas, mas eles contrataram testemunhas falsas. O anúncio de uma pena de morte só podia ser feito um dia depois do processo. Nenhuma condenação podia ser executada no mesmo dia, mas eles sentenciaram Jesus à morte durante a noite e logo cedo o levaram a Pilatos para que este lavrasse sua pena de morte. A reunião do sinédrio que sentenciou Jesus à morte foi ilegal uma vez que foi à noite e o método usado também foi ilegal, visto que eles ouviram apenas testemunhas contra Jesus.

Jesus passou por dois julgamentos: um eclesiástico e outro civil; o primeiro aconteceu nas mãos dos judeus, o segundo, nas mãos dos romanos. No tribunal judaico apresentou-se uma acusação teológica contra Jesus: Blasfêmia. No tribunal romano, a acusação era política: Sedição. Os judeus o acusaram por se identificar como Filho de Deus e os romanos o acusaram por se identificar como Rei dos judeus. Assim, acusaram Jesus de delito contra Deus e contra César. Tanto no tribunal judaico como no romano, seguiu-se certo procedimento legal: 1) A vítima foi presa; 2) a vítima foi acusada e examinada; 3) chamaram-se testemunhas; 4) então, o juiz deu o seu veredicto e pronunciou a sentença. Mas Jesus não era culpado das acusações; as testemunhas eram falsas e por isso, a sentença de morte foi um horrendo erro judicial.

Tanto o julgamento judaico quanto o romano tiveram três estágios. O julgamento judaico foi aberto por Anás, o antigo sumo sacerdote (Jo 18.13-24). Em seguida Jesus foi levado ao tribunal pleno para ouvir as testemunhas (Mc 14.53-65), e então na sessão matutina do dia seguinte para o voto final de condenação (Mc 15.1). Jesus foi então enviado a Pilatos (Mc 15.1-5; Jo 18.28-38), que o enviou a Herodes (Lc 23.6-12), que o mandou de volta a Pilatos (Mc 15.6-15; Jo 18.39-19.6). Pilatos atendeu o clamor da multidão e entregou Jesus para ser crucificado.

É importante ressaltar, porém, que Jesus foi para a cruz não apenas porque os judeus o entregaram por inveja, ou porque Judas o traiu por dinheiro nem mesmo porque Pilatos o condenou por covardia. Cristo foi para a cruzporque o Pai o entregou por amor. Cristo foi para cruz porque ele se entregou a si mesmo por nós voluntariamente, não levando em conta a ignomínia da cruz pela alegria que lhe estava proposta, a alegria de conquistar-nos com seu amor e salvar-nos por sua graça.


Autor: Rev. Hernandes Dias Lopes, natural de Nova Venécia-ES. Casado com Udemilta Pimentel Lopes, pai de Thiago e Mariana.
*Fez o seu curso de Bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas-SP no período de 1978 a 1981 e o seu Doutorado em Ministério no Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos no período de 2000 a 2001.
*Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista no período de 1982 a 1984 e desde 1985 é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória-IPB.
*É conferencista e escritor, com mais de 70 obras disponíveis neste site.
*Site: http://hernandesdiaslopes.com.br

terça-feira, 15 de junho de 2010

Mulheres evangélicas, agredidas em nome de Deus, pedem ajuda

Quem vê Antonio na rua, Bíblia debaixo do braço, roupa social, jeito de gente boa, já imagina: "O sujeito é crente." Na igreja, então, o homem é um exemplo de bondade. É calmo, freqüenta o curso para se tornar obreiro (quando se formar, dará aula na escola dominical), vira anjo ao cruzar a porta do templo. "Faz pregações maravilhosas", diz a mulher, Joana, 39 anos, casada há 15 com Antonio. "Ele fala sobre a paz e como todos devem amar seus inimigos."

Só que Antonio, manso como uma ovelha do rebanho do Senhor ao lado de seus "irmãozinhos", se transforma em bicho bravo quando está sozinho com a família. Dentro de casa, diz palavrões, agride a mulher. "Ele já me agarrou pelo cabelo e me jogou em cima da cama", conta Joana. "Também atirou um frasco de xampu na minha cabeça. Não sei por que age assim."

Como Joana, outras evangélicas, com saias longas, cabelos e mágoa pesando sobre os ombros, também não entendem a mudança de seus homens quando eles põem os pés fora da igreja e brandem as mãos dentro de casa. E, cansadas de não achar refúgio na paz de seus templos - elas preferem não divulgar o nome das igrejas que freqüentam -, encontraram abrigo na Casa de Isabel, uma ONG da Zona Leste que, em parceria com a Prefeitura e o Estado, oferece assistência psicológica e jurídica a mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência.

A romaria de evangélicas à Casa de Isabel está assustando a pesquisadora da área da violência e presidente da entidade Sônia Regina Maurelli. A ONG atende 3 mil mulheres por mês. "Posso afirmar que 90% são freqüentadoras assíduas de igrejas evangélicas", diz a pesquisadora. "Me surpreende é ver as mulheres submetidas à doutrina das igrejas. Ser submissa não é tolerar espancamento."

Analisando suas estatísticas, Sônia observa que grande parte das igrejas não oferece aos fiéis um trabalho de aconselhamento. "Se existisse, esta casa não estaria tão cheia. Acredito que essas mulheres estão nos procurando porque estão lendo e se informando mais." Joana, a mulher de Antonio, admite que as portas da Casa de Isabel foram as únicas que se abriram para socorrê-la: "Procurei a pastora da minha igreja e ela me falou que problema como o meu tinha de ser resolvido entre marido e mulher."

A palavra-chave citada pelas evangélicas ouvidas pelo JT foi "submissão" - além de Joana, Lurdes, 33 anos, e Ana, 54, concordaram em falar sobre o que acontece dentro de suas casas. Joana diz: "Quando reclamo com o Antonio, ele fala de um versículo bíblico: 'Mulheres, sujeitai-vos aos vossos maridos'. Só que a Bíblia não fala para a gente ser escrava deles."

Ana, 33 anos de casada, convive com o marido que esqueceu os ensinamentos sobre respeito e harmonia: "Não tenho nenhum carinho. Só palavrões. A agressão verbal às vezes é pior que tapa. Um tapa você revida, mas a mágoa nada pode tirar." Muitas vezes, Ana pensou em separação, mas desistiu: "Ele me xinga. Depois fica mansinho e lava a louça para mim."

Joana também fica dividida entre deixar Antonio, por causa das agressões, e a culpa que sente por não se considerar uma boa dona de casa. "Não sei arrumar um guarda-roupa tão impecável como minha mãe", conta. "Detesto passar roupa e ele só usa camisa social."

Casada há 9 anos, Lurdes, até pouco tempo atrás, ia com o marido à igreja. Hoje, depois de uma decepção, ele parou de freqüentar o templo: " Viu uns 'irmãos' da igreja bebendo num bar e ficou revoltado. Não me bate, mas me humilha e diz todo tipo de palavrões."

A vida de Lurdes se tornou mais difícil depois que, meses atrás, foi vítima de estupro. "Começou a dizer que, se fui atacada, é porque dei bola para o estuprador. Eu não exponho meu corpo. Mas meu marido não teve compreensão. Vive dizendo: 'Você não é uma mulher direita'. Não posso contar com ninguém na igreja porque lá me dizem: 'Ninguém precisa de psicólogo. Aqui, o psicólogo é Jesus'." (destaques nossos)

Campos, Marinês - Jornal da Tarde - "Mulheres protestantes, agredidas em nome de Deus, pedem ajuda"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=imprensa&subsecao=brasil&artigo=20060308p&lang=bra
Online, 15/06/2010 às 20:51h

John Wycliff - A luz começa a brilhar

Introdução

“Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). Depois das trevas, do medo e da perseguição, chega o alívio com os primeiros raios de luz. A Bíblia, escondida na era das trevas, começar agora a aparecer. A bem sucedida participação na história da reforma de homens como Martinho Lutero e João Calvino, parece apagar um pouco da importante contribuição de John Wycliff e John Huss. Mas estes foram os precursores do movimento reformado. São chamados de pré-reformadores. Depois de uma época de descontentamento contra os abusos da Igreja Romana por toda a Europa, Deus, pela sua misericórdia, começa a levantar homens para fazer a Igreja de Cristo, a noiva, voltar a ser pura, santa e sem mancha. John Wycliff é chamado de a “Estrela d’alva da Reforma” por ser o primeiro instrumento usado por Deus a enfrentar o sistema papal antibíblica e as injustiças da Igreja Católica. Foi ele quem deu o “ponta-pé inicial” na emocionante história da volta da Igreja às Escrituras Sagradas. A presente lição pretende mostrar o valor do ensino Bíblico para a Igreja de Cristo e a importância de servos que se colocam como verdadeiras ferramentas na mãos do Senhor.

John Wycliff

Um grande erudito

O que marcou a vida deste homem foi sua erudição e dedicação ao estudo da teologia. Nasceu em Hipswell, Yorkshire na Inglaterra, em 1329. Foi estudar em Oxford e logo se notabilizou por sua inteligência e erudição. Dominou a filosofia e os ensinos de Agostinho (ensinos que mais tarde influenciariam homens com Lutero e Calvino). Por ser um grande teólogo, tornou-se capelão do Rei da Inglaterra, Ricardo II. Nesta posição pôde fazer muito pela reforma de sua Igreja.

A presença de Deus na História

Deus é o Senhor da História. Nela ele mostra o seu amor e cuidado pela Igreja. Estando numa posição de grande destaque, Wycliff pôde ter acesso ao Parlamento e traduzir a Vulgata (Bíblia em Latim) para o Inglês. Essa tradução foi de fundamental importância, tanto para a vida espiritual do povo, como também para o próprio inglês.

Como fez com a rainha Ester, Deus ainda hoje eleva homens e mulheres para posições de grande destaque, conforme seus soberanos propósitos, para o engrandecimento do seu nome e crescimento de sua Igreja. Vemos aqui a distinção entre o homem de Deus e o homem sem Deus – Wycliff usou sua autoridade para a glória de Deus, enquanto que o papa perdeu sua autoridade diante de Deus pois a usava para si próprio.

Wycliff defendeu as seguintes idéias para obter a reforma da sua igreja:

Sobre a Bíblia

Wycliff ensinava que os concílios e a liderança da Igreja deveriam ser provados pelas Escrituras Sagradas. A palavra do papa e a tradição da igreja não poderiam ter uma autoridade de maior do que a da Bíblia. Para o reformador Inglês, a Bíblia é a única regra de fé e prática. Ela é suficiente pra suprir as necessidades da alma humana, sem que sejam necessárias as intervenções da Igreja e as mágicas de seus sacerdotes. Wycliff entendia também que as Sagradas Escrituras deveriam ser colocadas na mão do povo e não ficarem limitadas ao clero (liderança da Igreja).

Sobre o Papa e seus sacerdotes

Wycliff ensinava que os papas eram homens sujeitos ao erro e ao engano. Assim como dentro da Igreja de Cristo havia joio e o trigo, ser líder da igreja não era garantia de salvação, muito menos de perfeição. Ensinava que o ofício do papado era invenção do homem e não de Deus e que o papa seria o anticristo se não seguisse fielmente os ensinamentos de Cristo. Censurou monges quanto à preguiça e ignorância deles no que dizia respeito ao estudo das Escrituras.

Sobre a Ceia

Segundo a Igreja Católica Romana, no momento da ceia o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo. Este dogma é chamado de transubstanciação. Wycliff declarou que esta doutrina era antibíblica, pois Cristo está presente nos elementos de forma espiritual e não física.

O historiador E.E.Cairns diz que “se a idéia de Wycliff fosse adotada, significaria que o sacerdote não mais reteria a salvação de alguém por ter em suas mãos o corpo e o sangue de Cristo na comunhão”¹

Com sua inteligência e posição dadas por Deus, a pregação de Wycliff começava a ser ouvida nos mais distantes cantões da Inglaterra, chegando a atravessar o mar em direção ao continente. Muitas pessoas devem ter recebido seus ensinos ou ganhado uma Bíblia na sua própria língua conhecendo assim a vontade de Deus para suas vidas.

Influência que Atravessou Fronteiras

Os lolardos

Para que o ensino bíblico fosse transmitido por toda Inglaterra, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos, os quais receberam o nome de Lolardos. O trabalho de expansão deu certo, mas o papa não gostou. Em um decreto², a Igreja condenou os Lobardos à pena de morte. Apesar disto, Deus não permitiu que nenhum desses pregadores fossem mortos.


Os boêmios

Estudantes da região da Boêmia, no centro da Europa, foram para Oxford e lá tiveram contato com os escritos de Wycliff e com alguns dos Lolardos. Ao regressarem para a sua terra, os boêmios levaram as novas informações e ensinos que acabaram influenciando aquele que seria um outro grande reformador, John Huss.

Ao tomar os primeiros contatos com os escritos de Wycliff, Huss escreve na margem de seus papéis: “Wycliff, Wycliff, você vai virar muitas cabeças”. Anos mais tarde, Huss teria sido acusado pela Igreja de Wicliffismo.

A história nos mostra que Deus vai espalhando sua semente. Assim como na Igreja Primitiva, crentes foram influenciando pessoas, autoridades e até reis, a ponto de ocupar todo o mundo. Temos a Bíblia em nossas mãos hoje porque servos e servas de Deus se dedicaram para isto. A mensagem continua viva. Será que a Igreja tem influenciado? O Evangelho de Cristo tem de fato sido pregado?

Condenado Depois de Morto

Próximo aos 55 anos de idade, Wycliff sofreu um derrame e morreu. Passados 30 anos, o Concílio de Constança, convocado pelo papa João XXIII, reuniu-se em 1415 e, sob a condenação de heresia, decidiu exumar o corpo de Wycliff e queimá-lo em praça pública.

Como pode-se observar, o poder arbitrário tomou conta da Igreja. Absurdos como a punição de um homem depois de morto e outros mais preencheram a sua história.

Mas tudo isso não foi suficiente para calar a voz do Evangelho. O clero não percebeu que estava lutando contra o próprio Deus.

Conclusão

Vimos que a escuridão da Idade Média começa a ser vencida pelos primeiros raios de luz de manhã. Deus prepara um homem, coloca-o numa posição de influência e autoridade e começa a trazer a Igreja de volta para o seu noivo.

John Wycliff envolve-se numa batalha de fé pela Verdade das Escrituras, coloca a Bíblia na mão do povo, ensina-a e tenta tirar este povo das mãos daqueles que exploravam suas vidas. Morre, mas deixa uma mensagem viva, um exemplo de luta pelo Evangelho.

Certo autor escreveu que a luta dos pré-reformadores terminou com insucesso. Entretanto, devemos crer que a perseguição e morte de homens com Wycliff e Huss não foram empreendimentos frustrados, e sim o plano soberano de Deus abrindo caminho para acontecimentos maiores. Anos mais tarde os reformadores levantaram a bandeira da “Sola Scriptura”, em favor da suficiência e autoridade exclusiva da Palavra de Deus sobre qualquer dogma ou direção humana. A semente do ensino de Wycliff e Huss estava lá e, até hoje, dá os seus frutos.

A presente lição serve como um alerta para a Igreja de hoje. Os crentes devem viver uma vida santa e, ao mesmo tempo, devem estar prontos para reformar a igreja sempre que ela se afastar do ensino bíblico. Agindo assim seremos encontrados por Deus fiéis.

Autor: Dráusio Piratininga Gonçalves

Fonte: revista Palavra Viva – Graça e Fé, pg 5-8, Editora Cultura Cristã. Compre esta trim

quarta-feira, 9 de junho de 2010

POR QUE A IGREJA PRECISA DE UMA NOVA REFORMA

A Reforma Protestante do Século XVI foi o maior movimento na igreja cristã. Não foi uma inovação, mas uma volta ao cristianismo puro e simples, uma retomada da doutrina apostólica, um retorno às Escrituras. A igreja cristã havia se desviado da verdade, e introduzido doutrinas e práticas estranhas às Escrituras. O culto às imagens, a mediação dos santos, a veneração a Maria, a salvação pelas obras, o confessionário, o purgatório, as reliquias, as indulgências e a infalibilidade papal foram desvios gritantes que encontraram guarida na igreja. Urgia uma Reforma, e Deus preparou o momento e as pessoas certas para essa volta às Escrituras. No dia 31 de Outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero, fixava nas portas da igreja de Wittenberg suas noventa e cinco teses contras as indulgências, deflagrando, assim, esse decisivo movimento.

Hoje, ao olharmos o cenário religioso brasileiro constatamos que a igreja evangélica precisa de uma nova Reforma. Desviamo-nos do caminho da ortodoxia. As verdades essenciais da fé evangélica estão ausentes de muitos púlpitos chamados protestantes. Novidades forâneas às Escrituras têm sido introduzidas nas igrejas sob a conivência de uns e o silêncio de outros. A igreja protestante já não protesta mais. Somos chamados de evangélicos, mas o puro evangelho está escasseando em muitas igrejas. Temos influência política, mas falta-nos autoridade moral. Temos poder econômico, mas falta-nos poder espiritual. Temos um explosivo crescimento quantitativo, mas falta-nos o crescimento qualitativo. Precisamos de uma nova Reforma. Alistaremos a seguir três motivos que exigem uma nova Reforma já.

1. Porque o liberalismo teológico tem assaltado muitas igrejas em nossa Pátria - O mesmo liberalismo que devastou as igrejas na Europa, e na América do Norte chegou às terras brasileiras, e seu fermento maldito está presente em muitos seminários, e este veneno letal tem sido espalhado das cátedras para os púlpitos e dos púlpitos para os crentes e assim, muitas igrejas já não crêem mais na inerrância e suficiência das Escrituras. Em consequência desse colapso espiritual há algumas igrejas que defendem um concubinato espúrio entre cristianismo e evolucionismo, negando a realidade da criação, conforme registrada em Gênesis 1 e 2.

2. Porque o misticismo sincrético tem invadido muitos arraiais evangélicos - Temos visto a igreja evangélica brasileira capitular-se ao misticismo pagão. O verdadeiro evangelho está ausente de muitos púlpitos. Prega-se sobre prosperidade e não sobre salvação. Prega-se sobre curas e milagres e não sobre arrependimento e novo nascimento. O lucro substituiu a mensagem da salvação em muitas igrejas. Temos visto igrejas se transformando em empresas, o púlpito em balcão, o evangelho num produto e os crentes em consumidores. Além desse descalabro, muitas crendices têm substituído a verdade em não poucas igrejas. Esses crentes incautos têm se alimentado do farelo do sincretismo em vez de serem nutridos pelo Pão da Vida. Há crentes que olham para a Palavra de Deus como um livro mágico e consultam a Bíblia como se ela fosse um horóscopo. Há aqueles que colocam um copo d'água sobre o aparelho de televisão, enquanto o suposto homem de Deus ora, pensando que essa água "benzida" tem poder extraordinário. Essas práticas não são bíblicas e devem ser reprovadas. Urge certamente uma nova Reforma.

3. Porque muitas igrejas se acomodaram a uma ortodoxia morta - A Reforma restaurou não apenas a supremacia das Escrituras e a primazia da pregação, mas também, enfatizou a necessidade de uma vida piedosa. Não podemos separar a teologia da vida; a doutrina da prática; a ortodoxia da piedade. Não basta conhecer a verdade, precisamos ser transformados por essa verdade. Na Igreja Reformada encontramos teologia pura e vida santa.


Rev. Hernandes Dias Lopes
Site:http://hernandesdiaslopes.com.br

sábado, 5 de junho de 2010

SÉRIE IGREJAS: Lakewood Church

Lakewood Church é um megaigreja norte-americana situada em Houston, Texas. Até à data de 2007, é a igreja que mais cresce nos EUA com os mais de 52 mil participantes durante seus cultos que são ministrados em língua inglesa e espanhola.


A igreja de Lakewood foi fundada por John Osteen e sua esposa, Dodie, em 1959 numa loja abandonada de alimentação em Houston . John e Dodie criaram e hospedaram o programa semanal da televisão de Lakewood, que pode ser visto em aproximadamente 100 países. Quando Jonh faleceu ,em 1999, seu filho mais novo, Joel, tornou-se pastor de Lakewood. Sob a liderança de Joel Osteen, a congregação de Lakewood aumentou quase quintuplicadamente. Por causa deste aumento grande no comparecimento, os oficiais da igreja começaram a procurar por um novo local para se reunirem.

Em 2003 , a igreja assinou um contrato de longo prazo com a cidade de Houston para adquirir o Compaq Center, uma arena esportiva da cidade. Compaq Center, a 29-year-old former sports arena. O contrato para criar a nova sede de Lakewood no Compaq Center é estimados em 75 milhões de dólares..[4] A igreja foi requerida para pagar adiantado 11 milhões e 800 mil no aluguel pelos primeiros 30 anos.


Lakewood Church gasta quase 30 milhões de dólares a cada ano em investimentos em seu ministério televisivo..[7] O programa semanal da televisão da igreja alcança semanalmente aproximadamaente 100 países e pode ser visto em 200 milhões de casas nos Estados Unidos. [13] Os serviços são tempos múltiplos da transmissão na rede TBN ( Trinity Broadcast Network) e na rede da televisão Daystar, e em outros canais locais das principais cidades americanas. Lakewood aparece também em diversas "redes secular," como a Black Entertainment Television, ABC Family, e também a USA Network.

A Lakewood Church gravou três CD ao vivo de adoração: "We Speak to Nations, Cover the Earth" e "Amazing God", com participação de Cindy Cruse-Ratcliff (diretor de música e do coral local - Choir de Lakewood ), Israel Houghton, e Marcos Witt. Em 2006, a Houston Symphony Orchestra juntou-se a Lakewood Church e gravou um álbum de Natal denominado "The Gift".Já em 2007, a Lakewood Church gravou seu terceiro álbum ao vivo lançado em 2007, com o título "Free to worship".

Lakewood Church acredita que toda a Bíblia é inspirada por Deus, e a igreja baseia a sua doutrina nesta crença. A igreja também tem em conta a crença na Trindade , bem como o reconhecimento da morte de Cristo na cruz e ressurreição.

Críticos: Alguns observadores criticam a ausência dos tradicionais símbolos religiosos na antiga Compaq Center, tais como ou uma cruz de altar

quinta-feira, 3 de junho de 2010

John Huss - Semente da Reforma

Infância Pobre

John Huss (1369-1415) foi um homem de origem simples. Nasceu no vilarejo de Hussinecz, sul da Boêmia. Seus pais eram camponeses. Sua mãe, muito religiosa, quis que o filho fosse sacerdote. Mais tarde, Huss admitiu ter iniciado a carreira religiosa pelo dinheiro e prestígio que ela dava, mas seu interesse por Deus veio quando ele começou a estudar mais profundamente.

Aluno Médio


Huss não foi um aluno brilhante, mas parecia determinado a estudar e crescer. Assim, formou-se na universidade, tornou-se Mestre e dirigente da Capela de Belém, em Praga, cidade importante em seu país. Nesta Igreja, Huss pregava na língua do povo. Nas outras, o serviço religioso era feito em latim.

Pastor Preocupado

Huss foi um pastor dedicado. Sua preocupação era agradar a Deus com uma vida santa e prover sólida alimentação espiritual ao povo. Criticava duramente os líderes da Igreja por usarem seus ofícios em benefício próprio, vivendo no conforto e na imoralidade. Para Huss, a autoridade de um líder religioso vinha do seu caráter e não da sua posição.

Huss insistia que o povo deveria viver em total dependência de Deus, numa vida simples e consagrada ao trabalho.

Deus sempre levanta homens simples que sonham em ver a verdade de Deus como luz e guia dos homens. Muitos jovens, homens e mulheres de hoje buscam realizar seu sonho pessoal ou projeto de vida, mas poucos estão dispostos a abraçar o projeto de Deus e lutar contra o erro e o engano. É sobre isso que tratamos no próximo ponto.


Deus Agindo na História

Deus é soberano. Ele é Senhor da história. Age na história e a dirige segundo a sua vontade. Aquele filho de camponeses foi ferramenta importante. Pela providencia de Deus, Huss fora colocado como o dirigente da Capela de Belém, na importante cidade de praga. A rainha Zofie costumava freqüentar aquela igreja. Ela era esposa do rei Václav da Boêmia. Zofie influenciou o rei para que facilitasse as reformas pretendidas por Huss. Com isso, a reforma cresceu, tendo Huss como líder e o Rei como escudo contra as investidas do papa.

Coragem para Estabelecer a Verdade

Apesar da cobertura do Rei, surge no cenário o Arcebispo de praga, chamado Zbynek, um ex-militar e agora superior de Huss. Um estrategista, que usou de sus recursos financeiros e políticos para obter este poderoso cargo no arcebispo de Praga. Zbynek não teve qualquer preparo teológico ou formação eclesiástica. A missão dele era a de erradicar a heresias de Wycliff naquela região e com isso ganhar favores do papa. Zbynek tornou-se grande inimigo da causa reformista de Huss.

Radicalismo ou Fidelidade a Deus?

Huss, influenciado pelos escritores de John Wycliff, tornava-se cada vez mais um apaixonado pela reforma da Igreja de Jesus Cristo. Começa então a andar em terreno perigoso. Em 1405 declara que a suposta aparição do sangue de Cristo nos elementos da comunhão não passava de embuste. Em seus sermões, condenava o pecado dos padres, bispos e arcebispos. Declarava que os crentes tinham o mesmo direito que os sacerdotes de participarem do cálice na ceia, e não somente do pão. Ridicularizava o pretenso poder dos sacerdotes de concederem o Espírito Santo a uma pessoa ou mandarem-na para o inferno.

Foram muitas e duras as críticas expostas por Huss do púlpito de sua igreja e da tinha de sua pena. Huss via a Igreja de Cristo em uma situação de clamidade e não pôde se conter diante de tantas irregularidades.

Conseqüentemente a liderança da Igreja começou a reagir. Zbynek ficou enfurecido ao saber que muitos pregadores, seguidores de Huss, acusavam Zbynek de simonia (venda de milagres) e imoralidade. Zbynek resolveu calá-los prendendo-os. Entretanto, Huss respondeu: “Como pode haver sacerdotes imorais e criminosos andando pelas ruas livremente, enquanto que os humildes homens de Deus estão enjaulados como hereges e sofrendo privações por causa da proclamação do Evangelho?”¹

O arcebispo Zbynek passou a enviar espias à igreja de Huss para ouvirem seus sermões. Huss sabia disso, mas não se intimidava.

Com a força do Espírito de Deus Huss tornou-se um gigante em plena Idade Média. Huss enfrentou o poder corrupto dentro de sua própria igreja e não temeu. Seu única temor era reservado àquele que é Senhor da Igreja e da História. Ao constatarmos isso podemos perceber quão omissos somos nós hoje!. Diante de corrupção, da violência e injustiça que verificamos em nossos dias, a coragem e audácia de John Huss não deveria nos mover em favor do reino de Deus?

Uma Cilada para John Huss

Huss recebeu ordens do próprio papa para se cala, mas não se calou. Em 1412, o papa João XXIII proclamou uma cruzada contra o rei Nápoles, que tornara-se rebelde. Para levantar fundos contra a guerra, o papa institui a venda de indulgências (perdão) em larga escala por todo o império. Huss ficou horrorizado com isso e declarou: “mesmo que o fogo para queimar o meu corpo seja colocado diante dos meus olhos, eu não obedecerei”. E ainda, diante de grande pressão, declarou: “Ficarei em silêncio? Deus não permita! Ai de mim, se me calar. É melhor morrer, do que não me opor diante desta impiedade, o que me faria participante da culpa e do inferno.” Excomungado já quatro vezes, Huss resolveu exilar-se voluntariamente, para que sua igreja não privada das ministrações. Foi para o sul da Boêmia, onde escreveu livro e pregou em alguns vilarejos. Dois anos depois, o papa convocou um concílio em Constança e convidou Huss. Depois de receber garantias do imperador da Boêmia, Sigismund, meio irmão do rei Václav, que prometeu conceder-lhe salvo conduto enquanto estivesse em Constança, Huss aceitou o convite. Na segunda semana que estava em Constança, Huss foi preso e ficou nesta condição vários meses enquanto o Concílio prosseguia.

Uma Triste Ironia

Huss sofria amargamente numa prisão onde hoje se encontra um luxuoso hotel. As condições na sela eram tão precárias que Huss ficou seriamente enfermo e quase morreu. Nenhuma oportunidade de defesa lhe foi dada.

A Morte de Huss

Finalmente Huss foi chamado ao Concílio. Advertiram: “Reconsidere seus escritos, ou morre”. Huss não voltou atrás. Então, rasgaram suas vestes e colocaram em sua cabeça uma mitra de papel com 3 demônios desenhados e escrito “Eis um herege”. Acompanhado por uma multidão, Huss, amarrado e puxado pela ruas de Constança foi ao local de sua morte.

Na presença de homens, mulheres, velhos e crianças, Huss foi amarrado numa estaca e lhe deram mais um oportunidade para rever seu ensino. Mas em um grito respondeu: “Deus é minha testemunha de que a principal intenção foi tão somente libertar os homens de seus pecados e baseado na verdade do Evangelho que preguei e ensineu, estou realmente feliz em morrer hoje.” Com estas palavras um sinal foi dado ao executor que acendeu a fogueira. Por entre chamas e fumaças Huss entoou uma melodia “Jesus, Filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim.” Huss morreu cantando.

Huss enfrentou pressões terríveis. Poderia viver uma vida confortável, desfrutando de seu status de mestre e líder religioso, mas, com Moisés, “preferiu ser maltratado... a usufruir os prazeres transitórios de pecado; porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão” (Hb 11.25,26).

Conclusão

Apesar de morto, John Huss não foi derrotado. Deixou um legado para a causa da Reforma Protestante que surgiria décadas depois, com Martinho Lutero. Tanto Wycliff como Huss foram sementes semeadas a seu tempo, que brotaram anos mais tarde, cujos frutos colhemos ainda hoje.

Que possamos, como verdadeiros cristão, defender a verdade do Evangelho e, se preciso for, assim como John Huss, morrer por ela.


Fonte: revista Palavra Viva – Graça e Fé, pg 9-12, Editora Cultura Cristã. Compre esta trimestral e excelente revista dominical em www.cep.org.br .
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...