terça-feira, 29 de junho de 2010

Pode uma pessoa se batizar nas águas mais de uma vez?

Pode uma pessoa se batizar nas águas mais de uma vez?
Caso ela se batize e depois, venha a se desviar?


“Há um só senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, que age por meio de todos e está presente em todos” (Ef 4,5-6). “Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo, quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres. E todos bebemos de um só Espírito.” (I Cor 12,13)



Pelo Batismo nascemos para a vida da graça; pela Confissão dos pecados recuperamo-la, se tivermos a infelicidade de perdê-la.

Portanto, não há necessidade de um novo batismo, mas sim confissão (pedir perdão dos pecados) e renovação dos votos desse batismo.

* A Igreja reconhece como válido qualquer batismo com água feito em nome da Santíssima Trindade.
* Pessoas de qualquer idade podem ser batizadas, desde que não tenham ainda sido batizadas.
* A Igreja Cristã não pratica o rebatismo.
Alexandre Mello

domingo, 27 de junho de 2010

Pronunciamento da Igreja Metodista sobre o Batismo Infantil

Em nossa Igreja as nossas crianças são antes de tudo crianças do Senhor. Participam da Palavra, do Culto, da Nova Vida em Jesus e da Ceia do Senhor, a refeição sagrada.

Pais, mães, avós, família, padrinhos, professores das classes de crianças da Escola Dominical participam da tarefa de ensinar às crianças sobre o amor de Deus, o culto e também sobre a Ceia do Senhor.

Crianças participam do culto, da graça salvadora, da Ceia do Senhor e da Salvação. Aleluia!!!

O culto ao Senhor é tarefa de todo o povo de Deus. Das crianças vem o perfeito louvor.

Os nossos filhos e filhas são criados no temor e no amor do Senhor. São herança do Senhor!

O Deus que chama todos os povos para a sua graça e salvação, também chamou as crianças: "Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus", disse o Salvador Jesus.

O altar do Senhor é lugar para as crianças. Para receberem oração. Para orarem. A oração é tarefa de todo o povo de Deus.

As crianças junto dos adultos recebem as crianças que vão ser batizadas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Para nós metodistas o batismo substitui o rito da circuncisão estabelecida por Deus na Antiga Aliança. É o símbolo da Aliança na qual Deus nos chama para participar. O Batismo é consagração dos filhos(as) ao Senhor. É o sinal de que nossos filhos(as) pertencem ao Senhor e como pais e mães cristãos não admitimos outro caminho para nossos filhos que não seja o Evangelho de Jesus.


Fonte: http://www.metodistavilaisabel.org.br

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O batismo cristão



O batismo implica normalmente na imersão total (At 8,38) ou, se não for possível, ao menos uma aspersão ou derramamento de água sobre a cabeça, tal como nostestemunha Didaquê 7,3, o livro de ensinamentos dos Apóstolos. São Paulo, em várias de suas cartas fala e aprofunda o significado do batismo. Por exemplo, nos diz que a imersão na água representa a morte e sepultura de Cristo, a saída da água simboliza a ressurreição e união com Ele. O Batismo faz com que o corpo morra como instrumento do pecado (Rm 6,6) e o fazparticipar da vida para Deus em Cristo (Rm 6,11).

O batismo é, portanto, um sacramento Pascual, uma comunhão com a páscoa de Cristo; o batizado morre ao pecado e vive para Deus em Cristo (Rm 6,11), vive a mesma vida de Cristo (Gal 2,20). Assim, a transformação realizada é radical. O despojo e morte da antiga criatura e revestimento da nova criatura. Nova criação da imagem de Deus.

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“Há um só senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, que age por meio de todos e está presente em todos” (Ef 4,5-6)




1 - O que significa a palavra “Batismo”?

O nome “batismo” deriva do verbo grego baptizein, que significa “submergir, lavar”. O batismo é, portanto, uma imersão ou uma ablução.

2 – Qual é o simbolismo da água no rito do batismo?

A água tem um papel simbólico como um sinal de purificação em todas as religiões. Vejamos brevemente o simbolismo da água na Bíblia.
No Antigo Testamento, o dilúvio e a passagem pelo Mar Vermelho foram interpretados mais tarde como prefigurações do batismo. Impõem-se leis de ablução rituais que purificam e capacitam para o culto. Os profetas anunciam uma efusão de água purificadora do pecado.
Um pouco antes da vinda de Jesus, os rabinos batizaram os prosélitos, de origem pagã que se juntavam ao povo judeu. Parece que alguns consideravam este batismo tão necessário quanto a circuncisão.

O batismo de João é um batismo único, conferido no deserto com vista ao arrependimento e ao perdão (Mc 1,4). Comporta a confissão dos pecados e um esforço de conversão definitiva, expressada no rito (Mt 3,6). João insiste na pureza moral, mas estabelece apenas uma celebração provisória, que é um batismo de água, preparatório para o batismo messiânico do Espírito Santo e no fogo (Mt 3,11),purificação suprema.

O batismo de Jesus. Jesus, ao apresentar-se para receber o batismo de João, se submete à vontade de seu Pai e se situa humildemente entre os pecadores. É o cordeiro de Deus que toma para si os pecados do mundo (Jo 1,29.36). O batismo de Jesus por João é corado pela descida do Espírito Santo e a proclamação pelo Pai celestial, de sua filiação divina. É também o anúncio do pentecostes, que inaugura o batismo no Espírito, para a Igreja (At 1,15;11,16) e para todos que entrem nela (Ef 5,25-32; Tt 3,5ss). O reconhecimento de Jesus como Filho anuncia a filiação adotiva dos crentes, participação em Jesus e como conseqüência do dom do Espírito (Gal 4,6).

3 – O que é um sacramento?

Os sacramentos são sinais externos visíveis instituídos por Jesus Cristo para conferir a graça santificante, que Deus nos concede para alcançar a vida eterna. A graça é um favor de Deus gratuito que ilumina nossas mentes e fortalece nossas vontades para realizar o bem.

4 – Qual é o sacramento mais importante?

O sacramento do Batismo.

5 – O que é o Batismo?

É o sacramento da regeneração divina.

6 – Quais outros efeitos o Batismo produz em nós?

Deus nos adota como seus filhos.
Nos incorpora ao corpo místico de Cristo, que é a Igreja.
Nos incorpora ao Povo de Deus.
Nos faz herdeiros do reino dos céus.
Ficamos livres de todos os pecados que pudéssemos ter ao ser batizados.
Depois do batismo, somos como um templo, onde Deus habita. O Pai, o Filho e o Espírito Santo estão no coração daquele que recebeu o batismo e mora nele.

7 – Quais são os sinais externos mais importantes do Batismo?

A água, com seu simbolismo purificador.
A tripla imersão ou ablução da água, pronunciando a fórmula trinitária.


8 – O que é necessário para ser batizado ou para batizar uma criança?

É necessário:
· renunciar ao mal;
· arrepender-se dos pecados;
· aceitar a Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

Além disto, fazemos um “pacto batismal” ou promessa:

· professamos a fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e na Igreja;
· estudamos os ensinamentos da Igreja; acompanhamos a Eucaristia; rezamos;
· resistimos ao mal e nos arrependemos do pecado se caímos nele;
· proclamamos o evangelho em palavra e ação;
· servimos a Cristo em todas as pessoas;
· lutamos pela justiça e paz entre todos os povos.

Devemos repetir estas promessas freqüentemente para não nos esquecermos de nosso compromisso cristão.

9 – Como uma criança pode realizar tudo isso?

Pelo Batismo, os batizados formam a família cristã, que é a Igreja, e o corpo místico de Cristo. Em nome de Cristo e da Igreja, os pais e padrinhos (padrinhos nos casos da igreja Luterana, Anglicana, Metodista Antiga/Tradicional ou Católica) prometem educar a criança na fé que eles professam. Caso estas pessoas falhem neste compromisso, toda a Igreja deve responder ante esta obrigação. Isto se encontra implícito na pergunta que se faz à congregação: “Vocês, testemunhos destes votos, farão tudo quanto possam para sustentar estas pessoas em sua vida em Cristo?”.

10 – Quem pode batizar?

O ministro apropriado para batizar é o bispo, mas em sua ausência, qualquer sacerdote. Em caso da falta do sacerdote, com permissão do bispo, um diácono pode batizar. E, em caso de emergência, qualquer pessoa pode batizar, derramando água sobre a cabeça e pronunciando a fórmula trinitária.

11 – Quais são os dias mais apropriados para batizar?

Os dias mais apropriados para batizar são: a Vigília Pascual e o dia de Páscoa, o dia de Pentecostes. Quando há muita demanda pelo batismo, poderá batizar-se uma vez ao mês. Fora do domingo, apenas em ocasiões muito especiais, assegurando-se de que sempre se realize durante a celebração e com a presença de vários fiéis.




“Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo, quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres. E todos bebemos de um só Espírito.” (I Cor 12,13)




Fonte: Site da ECUSA – Ministério Hispano http://www.iglesiaepiscopal.org

domingo, 20 de junho de 2010

A Santa Comunhão

Quando Nosso Senhor instituiu a Eucaristia antes de sua morte, fez quatro coisas e essas quatro ações ainda constituem os passos essenciais da Santa Comunhão:

• “Tomou o pão” (O ofertório)
O presbítero vai ao altar e recebe o pão e as ofertas em dinheiro dos representantes do povo de Deus. Toma-as e as apresenta a Deus, colocando-as sobre o altar. Hão de usar-se no sacramento e para a obra da Igreja, simbolizando também a oferenda de si mesmo que faz o povo de Deus em resposta ao amor de Deus revelado em Jesus Cristo.

• “Deu graças” (A consagração)
Seguindo o exemplo de Nosso Senhor, o presbítero dá graças ao Criador, Deus Pai e recorda a obra salvífica de seu Filho, Nosso Senhor. Pede também que o Espírito Santo santifique tanto a nós como ao pão e vinho, de maneira que sejam o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor e Salvador. A presença real de Cristo no Sacramento é a resposta à nossa oração, para que ele possa habitar em nós e nós nele.

• “...o partiu” (A partição)
Quando a grande súplica eucarística termina com o Pai Nosso, há um momento de silêncio, dando aos participantes uma oportunidade de refletir com recolhimento e alegria sobre o amor que Deus nos mostrou em Jesus Cristo. Após, o celebrante parte o pão bendito em preparação para que o recebamos e como símbolo do Corpo de Cristo quebrantado por nós na cruz. Então, citando as Escrituras, diz: “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado por nós” e o povo responde com alegria: “Celebramos a festa!” (I Cor. 5:7-8).

• “...o deu a seus discípulos” (A comunhão)
Quando tudo está pronto, o presbítero se volta para a congregação e a convida a receber o bendito sacramento, dizendo: “Os dons de Deus são para o povo de Deus”. Em seguida, cada um participa do ‘’Corpo de Cristo” e “do Cálice da Salvação” que nos nutrem espiritualmente e são um sinal visível da vida eterna.

Depois que todos tiverem comungado, diz-se uma oração de ação e graças e o bispo, quando presente no altar, ou o presbítero, dão a bênção. Logo após, um diácono diz uma das várias despedidas, a qual respondemos: “Demos graças a Deus (da Páscoa à quadra de Pentecostes se acrescenta: “Aleluia! Aleluia!”.


Encarnando a Cristo no mundo

A liturgia terminou, mas num certo sentido, a Eucaristia não terminou. A Eucaristia não é meramente o que os cristãos fazem ocasionalmente, mas sim o modo como vivem – em fidelidade, gratidão, alegria e em Cristo. O Corpo de Cristo (a Igreja), tendo se alimentado do Corpo de Cristo (o sacramento), sai agora para cumprir sua vocação de ser o Corpo de Cristo (o instrumento) no mundo: servindo assim, num certo sentido, como a continuação da encarnação e como instrumento nas mãos de Deus para o cumprimento do grande drama da redenção que começou há dois mil anos.



Este trabalho foi preparado pela comissão de liturgia da Diocese Ocidental de Massachusetts da Igreja Episcopal (ECUSA) e foi traduzido para o português por Norton A. Coll.

sábado, 19 de junho de 2010

SOMOS EVANGÉLICOS, MAS ELE ME ESPANCA

O soco no queixo que derrubou Tereza, 33 anos, sobre os armários da sala, também jogou-a nas estatísticas que contabilizam uma mulher agredida no Brasil a cada quinze segundos. Tereza não sabe disso, nem se importou em contar quanto tempo durou a primeira surra. A única coisa que lhe vinha á cabeça era um arrependimento uma frustração. Casada com Pedro e natural do Rio de Janeiro, ela havia se mudado para São Paulo acompanhado do marido, que buscava uma oportunidade de emprego na área de enfermagem. Evangélicos, freqüentadores de uma grande igreja pentecostal na zona leste da capital, ela achava que tudo iria se ajeitar. Foi quando viu seu marido conversando com uma desconhecida, que se sentava bem á vontade no capô do carro do casal. "Fui perguntar quem era e, como resposta recebi um soco", relembra. Além da agressão, ela foi trancada em casa e proibida de sair.

Era o início de um ciclo de violência de todos os tipos: físicas, psíquicas, morais e sexuais. Tereza teve forte depressão. “Não entendia porque isso estava acontecendo. Não tinha vontade de fazer mais nada”.
Já na igreja, tudo parecia ir muito bem. Atuante, Pedro é um dizimista fiel, serve a santa ceia, lidera o grupo de missões, participa dos encontros de coordenadores e é bem visto pela liderança. Mas em casa se transforma: humilha e agride a esposa. "Ele me obriga a praticar sexo oral e anal". Sei que isso não agrada a Deus. Não sei o que fazer. Se não faço, ele me ameaça", conta em meio às lágrimas.

Tanto o nome dela quanto o dele, assim como das demais vítimas que contam suas histórias nessa reportagem são fictícios. Uma exigência da justiça. Porém, suas histórias são dolorosamente verídicas. Afinal, longe de ser exceção, casos como de Tereza são comuns no Brasil. Os dados de um levantamento realizado pela Fundação Perseu Abramo em 2001 apontam para um número mínimo de 2,1 milhões de mulheres, uma já foi vítima de agressão doméstica.

Apesar de várias pesquisas, realizadas por organizações não governamentais (ONGs) que atuam na defesa do direito das mulheres, não mensurarem a religião das vítimas, é inegável que muitas famílias, dentro da Igreja Evangélica, vivem este drama. Prova disso é a CASA DE ISABEL, um Centro de Apoio a Mulheres Vítimas de Violência, localizada no Bairro do Itaim Paulista, Zona Leste da Cidade de São Paulo, que é dirigida pela pesquisadora Dr. Sônia Regina Maurelli, 45. "Posso dizer que mais de 90% das mulheres que procuram a Casa de Isabel são evangélicas. Na grande maioria, membros de Igrejas Pentecostais", revela a pesquisadora, que também freqüenta uma Igreja Pentecostal, cujo nome não quis revelar.
Ela é enfática ao analisar a importância que as igrejas protestantes dão ao problema da violência contra a mulher.

"Nenhuma. As igrejas, com raras exceções, não dão importância a essa questão", critica.

Sonia acredita que os métodos usados por evangélicos para trabalhar nos relacionamentos, como os populares encontros de casais, são pouco eficazes na diminuição do problema. “Se fosse assim, não haveria tantas mulheres crentes aqui”. Para ela, é preciso abrir um espaço nas igrejas, em que temas que envolvam a família possam ser discutidos. “É necessário uma mudança radical. É preciso criar reuniões, em que as famílias possam abrir seus problemas. Um fim de semana viajando não resolve”.

Nas dissidências da Casa de Isabel, é fácil encontrar grupos de mulheres com a bíblia aberta, senhoras murmurando corinhos cristãos e até mesmo a música no rádio da recepção, tocando canções evangélicas. “Toda nossa diretoria é evangélica e a maioria das funcionárias também”, explica à dirigente, que considera seu trabalho, uma espécie de ministério.

E realmente não difere muito é na sala de Sônia que chegam histórias como de Joana, 28. Desde criança, ela carregou uma terrível herança: foi vitima de abuso sexual de seu pai biológico. “Até hoje tenho pesadelos com isso”, conta, muito emocionada. Quando casou com André, achou que o ciclo de violência havia cessado. Evangélico, membro de uma igreja neopentecostal, ele parecia um modelo de marido e pai. Tiveram cinco filhos. Mas o relacionamento começou a se complicar e Joana passou a dormir na casa dos fundos á sua, onde morava sua mãe. Uma noite, ouvi seu bebê chorar-ele dormia com os demais filhos do casal e o pai. “Fiquei muito preocupada, mas meu marido dizia que eu estava louca e que não devia incomodá-lo”. Dias depois, sua filha de cinco anos contou que o pai a assediava e também molestava o bebê a noite. O mundo de Joana desabou. “Não entendo como ele pôde fazer isso. Ele disse que era doente, me pediu perdão. Mas eu o expulsei de casa”.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O maior crime da história e o maior gesto de amor do mundo

O processo que culminou na sentença da morte de Jesus estava eivado de muitos e gritantes erros. As autoridades judaicas tropeçaram nas suas próprias leis e atropelaram todo o processo no mais importante julgamento do mundo. Tanto a sua prisão no Getsêmani como seu interrogatório diante do sinédrio revelaram grandes deficiências na condução do processo.

Na verdade as autoridades já haviam decidido matar Jesus antes mesmo de interrogá-lo (Mc 14.1; Jo 11.47-53). Eles haviam decidido fazer isto depois da Festa da Páscoa, para evitarem uma revolta popular (Mc 14.2). A atitude de Judas de entregar a Jesus, porém, adiantou o intento deles (Mc 14.10,11). O processo, assim, não passou de um simulacro de justiça desde o princípio até o fim, pois não tinha outra finalidade que a de dar uma aparência de legalidade ao crime já predeterminado.

Suas leis não permitiam um prisioneiro ser interrogado pelo sinédrio à noite. No dia antes de sábado ou de uma festa, todas as sessões estavam proibidas. Nenhuma pessoa podia ser condenada senão por meio do testemunho de duas outras testemunhas, mas eles contrataram testemunhas falsas. O anúncio de uma pena de morte só podia ser feito um dia depois do processo. Nenhuma condenação podia ser executada no mesmo dia, mas eles sentenciaram Jesus à morte durante a noite e logo cedo o levaram a Pilatos para que este lavrasse sua pena de morte. A reunião do sinédrio que sentenciou Jesus à morte foi ilegal uma vez que foi à noite e o método usado também foi ilegal, visto que eles ouviram apenas testemunhas contra Jesus.

Jesus passou por dois julgamentos: um eclesiástico e outro civil; o primeiro aconteceu nas mãos dos judeus, o segundo, nas mãos dos romanos. No tribunal judaico apresentou-se uma acusação teológica contra Jesus: Blasfêmia. No tribunal romano, a acusação era política: Sedição. Os judeus o acusaram por se identificar como Filho de Deus e os romanos o acusaram por se identificar como Rei dos judeus. Assim, acusaram Jesus de delito contra Deus e contra César. Tanto no tribunal judaico como no romano, seguiu-se certo procedimento legal: 1) A vítima foi presa; 2) a vítima foi acusada e examinada; 3) chamaram-se testemunhas; 4) então, o juiz deu o seu veredicto e pronunciou a sentença. Mas Jesus não era culpado das acusações; as testemunhas eram falsas e por isso, a sentença de morte foi um horrendo erro judicial.

Tanto o julgamento judaico quanto o romano tiveram três estágios. O julgamento judaico foi aberto por Anás, o antigo sumo sacerdote (Jo 18.13-24). Em seguida Jesus foi levado ao tribunal pleno para ouvir as testemunhas (Mc 14.53-65), e então na sessão matutina do dia seguinte para o voto final de condenação (Mc 15.1). Jesus foi então enviado a Pilatos (Mc 15.1-5; Jo 18.28-38), que o enviou a Herodes (Lc 23.6-12), que o mandou de volta a Pilatos (Mc 15.6-15; Jo 18.39-19.6). Pilatos atendeu o clamor da multidão e entregou Jesus para ser crucificado.

É importante ressaltar, porém, que Jesus foi para a cruz não apenas porque os judeus o entregaram por inveja, ou porque Judas o traiu por dinheiro nem mesmo porque Pilatos o condenou por covardia. Cristo foi para a cruzporque o Pai o entregou por amor. Cristo foi para cruz porque ele se entregou a si mesmo por nós voluntariamente, não levando em conta a ignomínia da cruz pela alegria que lhe estava proposta, a alegria de conquistar-nos com seu amor e salvar-nos por sua graça.


Autor: Rev. Hernandes Dias Lopes, natural de Nova Venécia-ES. Casado com Udemilta Pimentel Lopes, pai de Thiago e Mariana.
*Fez o seu curso de Bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas-SP no período de 1978 a 1981 e o seu Doutorado em Ministério no Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos no período de 2000 a 2001.
*Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista no período de 1982 a 1984 e desde 1985 é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória-IPB.
*É conferencista e escritor, com mais de 70 obras disponíveis neste site.
*Site: http://hernandesdiaslopes.com.br

terça-feira, 15 de junho de 2010

Mulheres evangélicas, agredidas em nome de Deus, pedem ajuda

Quem vê Antonio na rua, Bíblia debaixo do braço, roupa social, jeito de gente boa, já imagina: "O sujeito é crente." Na igreja, então, o homem é um exemplo de bondade. É calmo, freqüenta o curso para se tornar obreiro (quando se formar, dará aula na escola dominical), vira anjo ao cruzar a porta do templo. "Faz pregações maravilhosas", diz a mulher, Joana, 39 anos, casada há 15 com Antonio. "Ele fala sobre a paz e como todos devem amar seus inimigos."

Só que Antonio, manso como uma ovelha do rebanho do Senhor ao lado de seus "irmãozinhos", se transforma em bicho bravo quando está sozinho com a família. Dentro de casa, diz palavrões, agride a mulher. "Ele já me agarrou pelo cabelo e me jogou em cima da cama", conta Joana. "Também atirou um frasco de xampu na minha cabeça. Não sei por que age assim."

Como Joana, outras evangélicas, com saias longas, cabelos e mágoa pesando sobre os ombros, também não entendem a mudança de seus homens quando eles põem os pés fora da igreja e brandem as mãos dentro de casa. E, cansadas de não achar refúgio na paz de seus templos - elas preferem não divulgar o nome das igrejas que freqüentam -, encontraram abrigo na Casa de Isabel, uma ONG da Zona Leste que, em parceria com a Prefeitura e o Estado, oferece assistência psicológica e jurídica a mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência.

A romaria de evangélicas à Casa de Isabel está assustando a pesquisadora da área da violência e presidente da entidade Sônia Regina Maurelli. A ONG atende 3 mil mulheres por mês. "Posso afirmar que 90% são freqüentadoras assíduas de igrejas evangélicas", diz a pesquisadora. "Me surpreende é ver as mulheres submetidas à doutrina das igrejas. Ser submissa não é tolerar espancamento."

Analisando suas estatísticas, Sônia observa que grande parte das igrejas não oferece aos fiéis um trabalho de aconselhamento. "Se existisse, esta casa não estaria tão cheia. Acredito que essas mulheres estão nos procurando porque estão lendo e se informando mais." Joana, a mulher de Antonio, admite que as portas da Casa de Isabel foram as únicas que se abriram para socorrê-la: "Procurei a pastora da minha igreja e ela me falou que problema como o meu tinha de ser resolvido entre marido e mulher."

A palavra-chave citada pelas evangélicas ouvidas pelo JT foi "submissão" - além de Joana, Lurdes, 33 anos, e Ana, 54, concordaram em falar sobre o que acontece dentro de suas casas. Joana diz: "Quando reclamo com o Antonio, ele fala de um versículo bíblico: 'Mulheres, sujeitai-vos aos vossos maridos'. Só que a Bíblia não fala para a gente ser escrava deles."

Ana, 33 anos de casada, convive com o marido que esqueceu os ensinamentos sobre respeito e harmonia: "Não tenho nenhum carinho. Só palavrões. A agressão verbal às vezes é pior que tapa. Um tapa você revida, mas a mágoa nada pode tirar." Muitas vezes, Ana pensou em separação, mas desistiu: "Ele me xinga. Depois fica mansinho e lava a louça para mim."

Joana também fica dividida entre deixar Antonio, por causa das agressões, e a culpa que sente por não se considerar uma boa dona de casa. "Não sei arrumar um guarda-roupa tão impecável como minha mãe", conta. "Detesto passar roupa e ele só usa camisa social."

Casada há 9 anos, Lurdes, até pouco tempo atrás, ia com o marido à igreja. Hoje, depois de uma decepção, ele parou de freqüentar o templo: " Viu uns 'irmãos' da igreja bebendo num bar e ficou revoltado. Não me bate, mas me humilha e diz todo tipo de palavrões."

A vida de Lurdes se tornou mais difícil depois que, meses atrás, foi vítima de estupro. "Começou a dizer que, se fui atacada, é porque dei bola para o estuprador. Eu não exponho meu corpo. Mas meu marido não teve compreensão. Vive dizendo: 'Você não é uma mulher direita'. Não posso contar com ninguém na igreja porque lá me dizem: 'Ninguém precisa de psicólogo. Aqui, o psicólogo é Jesus'." (destaques nossos)

Campos, Marinês - Jornal da Tarde - "Mulheres protestantes, agredidas em nome de Deus, pedem ajuda"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=imprensa&subsecao=brasil&artigo=20060308p&lang=bra
Online, 15/06/2010 às 20:51h

John Wycliff - A luz começa a brilhar

Introdução

“Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). Depois das trevas, do medo e da perseguição, chega o alívio com os primeiros raios de luz. A Bíblia, escondida na era das trevas, começar agora a aparecer. A bem sucedida participação na história da reforma de homens como Martinho Lutero e João Calvino, parece apagar um pouco da importante contribuição de John Wycliff e John Huss. Mas estes foram os precursores do movimento reformado. São chamados de pré-reformadores. Depois de uma época de descontentamento contra os abusos da Igreja Romana por toda a Europa, Deus, pela sua misericórdia, começa a levantar homens para fazer a Igreja de Cristo, a noiva, voltar a ser pura, santa e sem mancha. John Wycliff é chamado de a “Estrela d’alva da Reforma” por ser o primeiro instrumento usado por Deus a enfrentar o sistema papal antibíblica e as injustiças da Igreja Católica. Foi ele quem deu o “ponta-pé inicial” na emocionante história da volta da Igreja às Escrituras Sagradas. A presente lição pretende mostrar o valor do ensino Bíblico para a Igreja de Cristo e a importância de servos que se colocam como verdadeiras ferramentas na mãos do Senhor.

John Wycliff

Um grande erudito

O que marcou a vida deste homem foi sua erudição e dedicação ao estudo da teologia. Nasceu em Hipswell, Yorkshire na Inglaterra, em 1329. Foi estudar em Oxford e logo se notabilizou por sua inteligência e erudição. Dominou a filosofia e os ensinos de Agostinho (ensinos que mais tarde influenciariam homens com Lutero e Calvino). Por ser um grande teólogo, tornou-se capelão do Rei da Inglaterra, Ricardo II. Nesta posição pôde fazer muito pela reforma de sua Igreja.

A presença de Deus na História

Deus é o Senhor da História. Nela ele mostra o seu amor e cuidado pela Igreja. Estando numa posição de grande destaque, Wycliff pôde ter acesso ao Parlamento e traduzir a Vulgata (Bíblia em Latim) para o Inglês. Essa tradução foi de fundamental importância, tanto para a vida espiritual do povo, como também para o próprio inglês.

Como fez com a rainha Ester, Deus ainda hoje eleva homens e mulheres para posições de grande destaque, conforme seus soberanos propósitos, para o engrandecimento do seu nome e crescimento de sua Igreja. Vemos aqui a distinção entre o homem de Deus e o homem sem Deus – Wycliff usou sua autoridade para a glória de Deus, enquanto que o papa perdeu sua autoridade diante de Deus pois a usava para si próprio.

Wycliff defendeu as seguintes idéias para obter a reforma da sua igreja:

Sobre a Bíblia

Wycliff ensinava que os concílios e a liderança da Igreja deveriam ser provados pelas Escrituras Sagradas. A palavra do papa e a tradição da igreja não poderiam ter uma autoridade de maior do que a da Bíblia. Para o reformador Inglês, a Bíblia é a única regra de fé e prática. Ela é suficiente pra suprir as necessidades da alma humana, sem que sejam necessárias as intervenções da Igreja e as mágicas de seus sacerdotes. Wycliff entendia também que as Sagradas Escrituras deveriam ser colocadas na mão do povo e não ficarem limitadas ao clero (liderança da Igreja).

Sobre o Papa e seus sacerdotes

Wycliff ensinava que os papas eram homens sujeitos ao erro e ao engano. Assim como dentro da Igreja de Cristo havia joio e o trigo, ser líder da igreja não era garantia de salvação, muito menos de perfeição. Ensinava que o ofício do papado era invenção do homem e não de Deus e que o papa seria o anticristo se não seguisse fielmente os ensinamentos de Cristo. Censurou monges quanto à preguiça e ignorância deles no que dizia respeito ao estudo das Escrituras.

Sobre a Ceia

Segundo a Igreja Católica Romana, no momento da ceia o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo. Este dogma é chamado de transubstanciação. Wycliff declarou que esta doutrina era antibíblica, pois Cristo está presente nos elementos de forma espiritual e não física.

O historiador E.E.Cairns diz que “se a idéia de Wycliff fosse adotada, significaria que o sacerdote não mais reteria a salvação de alguém por ter em suas mãos o corpo e o sangue de Cristo na comunhão”¹

Com sua inteligência e posição dadas por Deus, a pregação de Wycliff começava a ser ouvida nos mais distantes cantões da Inglaterra, chegando a atravessar o mar em direção ao continente. Muitas pessoas devem ter recebido seus ensinos ou ganhado uma Bíblia na sua própria língua conhecendo assim a vontade de Deus para suas vidas.

Influência que Atravessou Fronteiras

Os lolardos

Para que o ensino bíblico fosse transmitido por toda Inglaterra, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos, os quais receberam o nome de Lolardos. O trabalho de expansão deu certo, mas o papa não gostou. Em um decreto², a Igreja condenou os Lobardos à pena de morte. Apesar disto, Deus não permitiu que nenhum desses pregadores fossem mortos.


Os boêmios

Estudantes da região da Boêmia, no centro da Europa, foram para Oxford e lá tiveram contato com os escritos de Wycliff e com alguns dos Lolardos. Ao regressarem para a sua terra, os boêmios levaram as novas informações e ensinos que acabaram influenciando aquele que seria um outro grande reformador, John Huss.

Ao tomar os primeiros contatos com os escritos de Wycliff, Huss escreve na margem de seus papéis: “Wycliff, Wycliff, você vai virar muitas cabeças”. Anos mais tarde, Huss teria sido acusado pela Igreja de Wicliffismo.

A história nos mostra que Deus vai espalhando sua semente. Assim como na Igreja Primitiva, crentes foram influenciando pessoas, autoridades e até reis, a ponto de ocupar todo o mundo. Temos a Bíblia em nossas mãos hoje porque servos e servas de Deus se dedicaram para isto. A mensagem continua viva. Será que a Igreja tem influenciado? O Evangelho de Cristo tem de fato sido pregado?

Condenado Depois de Morto

Próximo aos 55 anos de idade, Wycliff sofreu um derrame e morreu. Passados 30 anos, o Concílio de Constança, convocado pelo papa João XXIII, reuniu-se em 1415 e, sob a condenação de heresia, decidiu exumar o corpo de Wycliff e queimá-lo em praça pública.

Como pode-se observar, o poder arbitrário tomou conta da Igreja. Absurdos como a punição de um homem depois de morto e outros mais preencheram a sua história.

Mas tudo isso não foi suficiente para calar a voz do Evangelho. O clero não percebeu que estava lutando contra o próprio Deus.

Conclusão

Vimos que a escuridão da Idade Média começa a ser vencida pelos primeiros raios de luz de manhã. Deus prepara um homem, coloca-o numa posição de influência e autoridade e começa a trazer a Igreja de volta para o seu noivo.

John Wycliff envolve-se numa batalha de fé pela Verdade das Escrituras, coloca a Bíblia na mão do povo, ensina-a e tenta tirar este povo das mãos daqueles que exploravam suas vidas. Morre, mas deixa uma mensagem viva, um exemplo de luta pelo Evangelho.

Certo autor escreveu que a luta dos pré-reformadores terminou com insucesso. Entretanto, devemos crer que a perseguição e morte de homens com Wycliff e Huss não foram empreendimentos frustrados, e sim o plano soberano de Deus abrindo caminho para acontecimentos maiores. Anos mais tarde os reformadores levantaram a bandeira da “Sola Scriptura”, em favor da suficiência e autoridade exclusiva da Palavra de Deus sobre qualquer dogma ou direção humana. A semente do ensino de Wycliff e Huss estava lá e, até hoje, dá os seus frutos.

A presente lição serve como um alerta para a Igreja de hoje. Os crentes devem viver uma vida santa e, ao mesmo tempo, devem estar prontos para reformar a igreja sempre que ela se afastar do ensino bíblico. Agindo assim seremos encontrados por Deus fiéis.

Autor: Dráusio Piratininga Gonçalves

Fonte: revista Palavra Viva – Graça e Fé, pg 5-8, Editora Cultura Cristã. Compre esta trim

quarta-feira, 9 de junho de 2010

POR QUE A IGREJA PRECISA DE UMA NOVA REFORMA

A Reforma Protestante do Século XVI foi o maior movimento na igreja cristã. Não foi uma inovação, mas uma volta ao cristianismo puro e simples, uma retomada da doutrina apostólica, um retorno às Escrituras. A igreja cristã havia se desviado da verdade, e introduzido doutrinas e práticas estranhas às Escrituras. O culto às imagens, a mediação dos santos, a veneração a Maria, a salvação pelas obras, o confessionário, o purgatório, as reliquias, as indulgências e a infalibilidade papal foram desvios gritantes que encontraram guarida na igreja. Urgia uma Reforma, e Deus preparou o momento e as pessoas certas para essa volta às Escrituras. No dia 31 de Outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero, fixava nas portas da igreja de Wittenberg suas noventa e cinco teses contras as indulgências, deflagrando, assim, esse decisivo movimento.

Hoje, ao olharmos o cenário religioso brasileiro constatamos que a igreja evangélica precisa de uma nova Reforma. Desviamo-nos do caminho da ortodoxia. As verdades essenciais da fé evangélica estão ausentes de muitos púlpitos chamados protestantes. Novidades forâneas às Escrituras têm sido introduzidas nas igrejas sob a conivência de uns e o silêncio de outros. A igreja protestante já não protesta mais. Somos chamados de evangélicos, mas o puro evangelho está escasseando em muitas igrejas. Temos influência política, mas falta-nos autoridade moral. Temos poder econômico, mas falta-nos poder espiritual. Temos um explosivo crescimento quantitativo, mas falta-nos o crescimento qualitativo. Precisamos de uma nova Reforma. Alistaremos a seguir três motivos que exigem uma nova Reforma já.

1. Porque o liberalismo teológico tem assaltado muitas igrejas em nossa Pátria - O mesmo liberalismo que devastou as igrejas na Europa, e na América do Norte chegou às terras brasileiras, e seu fermento maldito está presente em muitos seminários, e este veneno letal tem sido espalhado das cátedras para os púlpitos e dos púlpitos para os crentes e assim, muitas igrejas já não crêem mais na inerrância e suficiência das Escrituras. Em consequência desse colapso espiritual há algumas igrejas que defendem um concubinato espúrio entre cristianismo e evolucionismo, negando a realidade da criação, conforme registrada em Gênesis 1 e 2.

2. Porque o misticismo sincrético tem invadido muitos arraiais evangélicos - Temos visto a igreja evangélica brasileira capitular-se ao misticismo pagão. O verdadeiro evangelho está ausente de muitos púlpitos. Prega-se sobre prosperidade e não sobre salvação. Prega-se sobre curas e milagres e não sobre arrependimento e novo nascimento. O lucro substituiu a mensagem da salvação em muitas igrejas. Temos visto igrejas se transformando em empresas, o púlpito em balcão, o evangelho num produto e os crentes em consumidores. Além desse descalabro, muitas crendices têm substituído a verdade em não poucas igrejas. Esses crentes incautos têm se alimentado do farelo do sincretismo em vez de serem nutridos pelo Pão da Vida. Há crentes que olham para a Palavra de Deus como um livro mágico e consultam a Bíblia como se ela fosse um horóscopo. Há aqueles que colocam um copo d'água sobre o aparelho de televisão, enquanto o suposto homem de Deus ora, pensando que essa água "benzida" tem poder extraordinário. Essas práticas não são bíblicas e devem ser reprovadas. Urge certamente uma nova Reforma.

3. Porque muitas igrejas se acomodaram a uma ortodoxia morta - A Reforma restaurou não apenas a supremacia das Escrituras e a primazia da pregação, mas também, enfatizou a necessidade de uma vida piedosa. Não podemos separar a teologia da vida; a doutrina da prática; a ortodoxia da piedade. Não basta conhecer a verdade, precisamos ser transformados por essa verdade. Na Igreja Reformada encontramos teologia pura e vida santa.


Rev. Hernandes Dias Lopes
Site:http://hernandesdiaslopes.com.br

sábado, 5 de junho de 2010

SÉRIE IGREJAS: Lakewood Church

Lakewood Church é um megaigreja norte-americana situada em Houston, Texas. Até à data de 2007, é a igreja que mais cresce nos EUA com os mais de 52 mil participantes durante seus cultos que são ministrados em língua inglesa e espanhola.


A igreja de Lakewood foi fundada por John Osteen e sua esposa, Dodie, em 1959 numa loja abandonada de alimentação em Houston . John e Dodie criaram e hospedaram o programa semanal da televisão de Lakewood, que pode ser visto em aproximadamente 100 países. Quando Jonh faleceu ,em 1999, seu filho mais novo, Joel, tornou-se pastor de Lakewood. Sob a liderança de Joel Osteen, a congregação de Lakewood aumentou quase quintuplicadamente. Por causa deste aumento grande no comparecimento, os oficiais da igreja começaram a procurar por um novo local para se reunirem.

Em 2003 , a igreja assinou um contrato de longo prazo com a cidade de Houston para adquirir o Compaq Center, uma arena esportiva da cidade. Compaq Center, a 29-year-old former sports arena. O contrato para criar a nova sede de Lakewood no Compaq Center é estimados em 75 milhões de dólares..[4] A igreja foi requerida para pagar adiantado 11 milhões e 800 mil no aluguel pelos primeiros 30 anos.


Lakewood Church gasta quase 30 milhões de dólares a cada ano em investimentos em seu ministério televisivo..[7] O programa semanal da televisão da igreja alcança semanalmente aproximadamaente 100 países e pode ser visto em 200 milhões de casas nos Estados Unidos. [13] Os serviços são tempos múltiplos da transmissão na rede TBN ( Trinity Broadcast Network) e na rede da televisão Daystar, e em outros canais locais das principais cidades americanas. Lakewood aparece também em diversas "redes secular," como a Black Entertainment Television, ABC Family, e também a USA Network.

A Lakewood Church gravou três CD ao vivo de adoração: "We Speak to Nations, Cover the Earth" e "Amazing God", com participação de Cindy Cruse-Ratcliff (diretor de música e do coral local - Choir de Lakewood ), Israel Houghton, e Marcos Witt. Em 2006, a Houston Symphony Orchestra juntou-se a Lakewood Church e gravou um álbum de Natal denominado "The Gift".Já em 2007, a Lakewood Church gravou seu terceiro álbum ao vivo lançado em 2007, com o título "Free to worship".

Lakewood Church acredita que toda a Bíblia é inspirada por Deus, e a igreja baseia a sua doutrina nesta crença. A igreja também tem em conta a crença na Trindade , bem como o reconhecimento da morte de Cristo na cruz e ressurreição.

Críticos: Alguns observadores criticam a ausência dos tradicionais símbolos religiosos na antiga Compaq Center, tais como ou uma cruz de altar

quinta-feira, 3 de junho de 2010

John Huss - Semente da Reforma

Infância Pobre

John Huss (1369-1415) foi um homem de origem simples. Nasceu no vilarejo de Hussinecz, sul da Boêmia. Seus pais eram camponeses. Sua mãe, muito religiosa, quis que o filho fosse sacerdote. Mais tarde, Huss admitiu ter iniciado a carreira religiosa pelo dinheiro e prestígio que ela dava, mas seu interesse por Deus veio quando ele começou a estudar mais profundamente.

Aluno Médio


Huss não foi um aluno brilhante, mas parecia determinado a estudar e crescer. Assim, formou-se na universidade, tornou-se Mestre e dirigente da Capela de Belém, em Praga, cidade importante em seu país. Nesta Igreja, Huss pregava na língua do povo. Nas outras, o serviço religioso era feito em latim.

Pastor Preocupado

Huss foi um pastor dedicado. Sua preocupação era agradar a Deus com uma vida santa e prover sólida alimentação espiritual ao povo. Criticava duramente os líderes da Igreja por usarem seus ofícios em benefício próprio, vivendo no conforto e na imoralidade. Para Huss, a autoridade de um líder religioso vinha do seu caráter e não da sua posição.

Huss insistia que o povo deveria viver em total dependência de Deus, numa vida simples e consagrada ao trabalho.

Deus sempre levanta homens simples que sonham em ver a verdade de Deus como luz e guia dos homens. Muitos jovens, homens e mulheres de hoje buscam realizar seu sonho pessoal ou projeto de vida, mas poucos estão dispostos a abraçar o projeto de Deus e lutar contra o erro e o engano. É sobre isso que tratamos no próximo ponto.


Deus Agindo na História

Deus é soberano. Ele é Senhor da história. Age na história e a dirige segundo a sua vontade. Aquele filho de camponeses foi ferramenta importante. Pela providencia de Deus, Huss fora colocado como o dirigente da Capela de Belém, na importante cidade de praga. A rainha Zofie costumava freqüentar aquela igreja. Ela era esposa do rei Václav da Boêmia. Zofie influenciou o rei para que facilitasse as reformas pretendidas por Huss. Com isso, a reforma cresceu, tendo Huss como líder e o Rei como escudo contra as investidas do papa.

Coragem para Estabelecer a Verdade

Apesar da cobertura do Rei, surge no cenário o Arcebispo de praga, chamado Zbynek, um ex-militar e agora superior de Huss. Um estrategista, que usou de sus recursos financeiros e políticos para obter este poderoso cargo no arcebispo de Praga. Zbynek não teve qualquer preparo teológico ou formação eclesiástica. A missão dele era a de erradicar a heresias de Wycliff naquela região e com isso ganhar favores do papa. Zbynek tornou-se grande inimigo da causa reformista de Huss.

Radicalismo ou Fidelidade a Deus?

Huss, influenciado pelos escritores de John Wycliff, tornava-se cada vez mais um apaixonado pela reforma da Igreja de Jesus Cristo. Começa então a andar em terreno perigoso. Em 1405 declara que a suposta aparição do sangue de Cristo nos elementos da comunhão não passava de embuste. Em seus sermões, condenava o pecado dos padres, bispos e arcebispos. Declarava que os crentes tinham o mesmo direito que os sacerdotes de participarem do cálice na ceia, e não somente do pão. Ridicularizava o pretenso poder dos sacerdotes de concederem o Espírito Santo a uma pessoa ou mandarem-na para o inferno.

Foram muitas e duras as críticas expostas por Huss do púlpito de sua igreja e da tinha de sua pena. Huss via a Igreja de Cristo em uma situação de clamidade e não pôde se conter diante de tantas irregularidades.

Conseqüentemente a liderança da Igreja começou a reagir. Zbynek ficou enfurecido ao saber que muitos pregadores, seguidores de Huss, acusavam Zbynek de simonia (venda de milagres) e imoralidade. Zbynek resolveu calá-los prendendo-os. Entretanto, Huss respondeu: “Como pode haver sacerdotes imorais e criminosos andando pelas ruas livremente, enquanto que os humildes homens de Deus estão enjaulados como hereges e sofrendo privações por causa da proclamação do Evangelho?”¹

O arcebispo Zbynek passou a enviar espias à igreja de Huss para ouvirem seus sermões. Huss sabia disso, mas não se intimidava.

Com a força do Espírito de Deus Huss tornou-se um gigante em plena Idade Média. Huss enfrentou o poder corrupto dentro de sua própria igreja e não temeu. Seu única temor era reservado àquele que é Senhor da Igreja e da História. Ao constatarmos isso podemos perceber quão omissos somos nós hoje!. Diante de corrupção, da violência e injustiça que verificamos em nossos dias, a coragem e audácia de John Huss não deveria nos mover em favor do reino de Deus?

Uma Cilada para John Huss

Huss recebeu ordens do próprio papa para se cala, mas não se calou. Em 1412, o papa João XXIII proclamou uma cruzada contra o rei Nápoles, que tornara-se rebelde. Para levantar fundos contra a guerra, o papa institui a venda de indulgências (perdão) em larga escala por todo o império. Huss ficou horrorizado com isso e declarou: “mesmo que o fogo para queimar o meu corpo seja colocado diante dos meus olhos, eu não obedecerei”. E ainda, diante de grande pressão, declarou: “Ficarei em silêncio? Deus não permita! Ai de mim, se me calar. É melhor morrer, do que não me opor diante desta impiedade, o que me faria participante da culpa e do inferno.” Excomungado já quatro vezes, Huss resolveu exilar-se voluntariamente, para que sua igreja não privada das ministrações. Foi para o sul da Boêmia, onde escreveu livro e pregou em alguns vilarejos. Dois anos depois, o papa convocou um concílio em Constança e convidou Huss. Depois de receber garantias do imperador da Boêmia, Sigismund, meio irmão do rei Václav, que prometeu conceder-lhe salvo conduto enquanto estivesse em Constança, Huss aceitou o convite. Na segunda semana que estava em Constança, Huss foi preso e ficou nesta condição vários meses enquanto o Concílio prosseguia.

Uma Triste Ironia

Huss sofria amargamente numa prisão onde hoje se encontra um luxuoso hotel. As condições na sela eram tão precárias que Huss ficou seriamente enfermo e quase morreu. Nenhuma oportunidade de defesa lhe foi dada.

A Morte de Huss

Finalmente Huss foi chamado ao Concílio. Advertiram: “Reconsidere seus escritos, ou morre”. Huss não voltou atrás. Então, rasgaram suas vestes e colocaram em sua cabeça uma mitra de papel com 3 demônios desenhados e escrito “Eis um herege”. Acompanhado por uma multidão, Huss, amarrado e puxado pela ruas de Constança foi ao local de sua morte.

Na presença de homens, mulheres, velhos e crianças, Huss foi amarrado numa estaca e lhe deram mais um oportunidade para rever seu ensino. Mas em um grito respondeu: “Deus é minha testemunha de que a principal intenção foi tão somente libertar os homens de seus pecados e baseado na verdade do Evangelho que preguei e ensineu, estou realmente feliz em morrer hoje.” Com estas palavras um sinal foi dado ao executor que acendeu a fogueira. Por entre chamas e fumaças Huss entoou uma melodia “Jesus, Filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim.” Huss morreu cantando.

Huss enfrentou pressões terríveis. Poderia viver uma vida confortável, desfrutando de seu status de mestre e líder religioso, mas, com Moisés, “preferiu ser maltratado... a usufruir os prazeres transitórios de pecado; porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão” (Hb 11.25,26).

Conclusão

Apesar de morto, John Huss não foi derrotado. Deixou um legado para a causa da Reforma Protestante que surgiria décadas depois, com Martinho Lutero. Tanto Wycliff como Huss foram sementes semeadas a seu tempo, que brotaram anos mais tarde, cujos frutos colhemos ainda hoje.

Que possamos, como verdadeiros cristão, defender a verdade do Evangelho e, se preciso for, assim como John Huss, morrer por ela.


Fonte: revista Palavra Viva – Graça e Fé, pg 9-12, Editora Cultura Cristã. Compre esta trimestral e excelente revista dominical em www.cep.org.br .

domingo, 30 de maio de 2010

Didaqué: A Instrução dos Doze Apóstolos - (Ano 145-150 DC)

INTRODUÇÃO: Didaquê (Διδαχń em grego clássico) ou Instrução dos Doze Apóstolos, é um escrito do primeiro século que trata do catecismo cristão. Didaquê significa doutrina, instrução. É constituído de dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico.
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Didaqué: A Instrução dos Doze Apóstolos - (Ano 145-150 DC)


O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE


CAPÍTULO I

1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 2Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

3Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.

4Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.

5Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.
6Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.


CAPÍTULO II

1O segundo mandamento da instrução é:

2Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.

3Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.

4Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.

5A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.

6Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.

7Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, reze por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.


CAPÍTULO III

1Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.

2Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.

3Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.

4Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce a idolatria.

5Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.

6Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.

7Seja manso pois os mansos herdarão a terra.

8Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranquilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.

9Não louve a si mesmo, nem se entrege à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.

10Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.


CAPÍTULO IV

1Filho, lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente o­nde a soberania do Senhor é anunciada.

2Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis para encontrar forças em suas palavras.

3Não provoque divisão. Ao contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Julgue de forma justa e corrija as culpas sem distinguir as pessoas.

4Não hesite sobre o que vai acontecer.

5Não te pareças com aqueles que dão a mão quando precisam e a retiram quando devem dar.

6Se o trabalho de suas mãos te rendem algo, as ofereça como reparação pelos seus pecados.

7Não hesite em dar, nem dê reclamando porque, na verdade, você sabe quem realmente pagou sua recompensa. reverência, como à própria imagem de Deus.

12Deteste toda a hipocrisia e tudo aquilo que não agrada o Senhor.

13Não viole os mandamentos dos Senhor. Guarde tudo aquilo que você recebeu: não acrescente ou retire nada.

14Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.


CAPÍTULO V

1Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições - homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.

2Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.


CAPÍTULO VI

1Fique atento para que ninguém o afaste do caminho da instrução, pois quem faz isso ensina coisas que não pertencem a Deus.

2Você será perfeito se conseguir carregar todo o jugo do Senhor. Se isso não for possível, faça o que puder.

3A respeito da comida, observe o que puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos pois esse culto é destinado a deuses mortos.


A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA
CAPÍTULO VII


1Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

2Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente.

3Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.


CAPÍTULO VIII

1Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.

2Não reze como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho. Reze assim: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossa dívida, assim como também perdoamos os nossos devedores e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal porque teu é o poder e a glória para sempre".

3Rezem assim três vezes ao dia.


CAPÍTULO IX

1Celebre a Eucaristia assim:

2Diga primeiro sobre o cálice: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre".

3Depois diga sobre o pão partido: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

4Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre".

5Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".


CAPÍTULO X

1Após ser saciado, agradeça assim:

2"Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo nome que fizeste habitar em nossos corações e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

3Tu, Senhor o­nipotente, criaste todas as coisas por causa do teu nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, orém, deste uma comida e uma bebida espirituais e uma vida eterna através do teu servo.

4Antes de tudo, te agradecemos porque és poderoso. A ti, glória para sempre.

5Lembra-te, Senhor, da tua Igrreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu Reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.

6Que a tua graça venha e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Venha quem é fiel, converta-se quem é infiel. Maranatha. Amém."

7Deixe os profetas agradecerem à vontade.


A VIDA EM COMUNIDADE
CAPÍTULO XI

1Se vier alguém até você e ensinar tudo o que foi dito anteriormente, deve ser acolhido.

2Mas se aquele que ensina é perverso e ensinar outra doutrina para te destruir, não lhe dê atenção. No entanto, se ele ensina para estabelecer a justiça e conhecimento do Senhor, você deve acolhê-lo como se fosse o Senhor.

3Já quanto aos apóstolos e profetas, faça conforme o princípio do Evangelho.

4Todo apóstolo que vem até você deve ser recebido como o próprio Senhor.

5Ele não deve ficar mais que um dia ou, se necessário, mais outro. Se ficar três dias é um falso profeta.

6Ao partir, o apóstolo não deve levar nada a não ser o pão necessário para chegar ao lugar o­nde deve parar. Se pedir dinheiro é um falso profeta.

7Não ponha à prova nem julgue um profeta que fala tudo sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.

8Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É desse modo que você reconhece o falso e o verdadeiro profeta.

9Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa não deve comer dela. Caso contrário, é um falso profeta.

10Todo profeta que ensina a verdade mas não pratica o que ensina é um falso profeta.

11Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas que não ensina a fazer como ele faz não deverá ser julgado por você; ele será julgado por Deus. Assim fizeram também os antigos profetas.

12Se alguém disser sob inspiração: "Dê-me dinheiro" ou qualquer outra coisa, não o escutem. Porém, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.


CAPÍTULO XII

1Acolha toda aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examine para conhecê-lo, pois você tem discernimento para distinguir a esquerda da direita.

2Se o hóspede estiver de passagem, dê-lhe ajuda no que puder. Entretanto, ele não deve permanecer com você mais que dois ou três dias, se necessário.

3Se quiser se estabelecer e tiver uma profissão, então que trabalhe para se sustentar.

4Porém, se ele não tiver profissão, proceda de acordo com a prudência, para que um cristão não viva ociosamente em seu meio.

5Se ele não aceitar isso, trata-se de um comerciante de Cristo. Tenha cuidado com essa gente!


CAPÍTULO XIII

1Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se em seu meio é digno do alimento.

2Assim também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como qualquer operário.

3Assim, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê aos profetas, pois são eles os seus sumos-sacerdotes.

4Porém, se você não tiver profetas, dê aos pobres.

5Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.

6Da mesma maneira, ao abrir um recipiente de vinho ou óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.

7Tome uma parte de seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê de acordo com o preceito.


CAPÍTULO XIV

1Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.

2Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado.
3Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: "Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei - diz o Senhor - e o meu nome é admirável entre as nações".


CAPÍTULO XV

1Escolha bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados pois também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.

2Não os despreze porque eles têm a mesma dignidade que os profetas e os mestres.

3Corrija uns aos outros, não com ódio, mas com paz, como você tem no Evangelho. E ninguém fale com uma pessoa que tenha ofendido o próximo; que essa pessoa não escute uma só palavra sua até que tenha se arrependido.
4Faça suas orações, esmolas e ações da forma que você tem no Evangelho de nosso Senhor.


O FIM DOS TEMPOS
CAPÍTULO XVI


1Vigie sobre a vida uns dos outros. Não deixe que sua lâmpada se apague, nem afrouxe o cinto dos rins. Fique preparado porque você não sabe a que horas nosso Senhor chegará.

2Reúna-se com freqüência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhe servirá todo o tempo que viveu a fé se no último instante não estiver perfeito.

3De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.

4Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.

5Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.

6Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. 7Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele". 8Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu.

sábado, 29 de maio de 2010

Pérolas de João Calvino

“Não exijo que a vida do cristão seja um evangelho puro e perfeito, embora o devamos desejar e esforçar-nos por esse ideal. Não exijo, pois, uma perfeição cristã de tal maneira estrita e rigorosa que me leve a não reconhecer como cristão a quem não tenham alcançado. Porque, se fosse assim, todos os homens do mundo seriam excluídos da igreja, visto que não se encontra nem um só que não esteja bem longe dela, por mais que tenha progredido. E a maioria ainda não avançou nada ou quase nada. Todavia, nem por isso os devemos rejeitar. Que fazer então? Certamente devemos ter diante dos nossos olhos como nossa meta a perfeição que Deus ordena, para a qual todas as nossas ações devem ser canalizadas e à qual devemos visar. Repito: temos que nos esforçar para chegar à meta. Sim, pois não é lícito que compartilhemos com Deus apenas aceitando uma parte do que nos é ordenado em sua Palavra e deixando o restante a cargo da nossa fantasia. Porque Deus sempre nos recomenda, em primeiro lugar, integridade.” [João Calvino, As Institutas – edição Especial, Vol IV, pg 182, Ed Cep,]


Visto, então, que Deus por Si só não poderia provar a morte, e que o homem por si só não poderia vencê-la, Ele tomou sobre Si a natureza humana em união com a natureza divina, para que sujeitasse a fraqueza daquela a uma morte expiatória, que pudesse, pelo poder da natureza divina, entrar em luta com a morte e ganhar para nós a vitória sobre ela. João Calvino, Edição abreviada por J. P. Wiles das Institutas, II.12, p. 182.


Aqueles que repudiam as Escrituras, imaginando que podem ter outro caminho que o leve a Deus, devem ser considerado não tanto como dominados pelo erro, mas como tomados por violenta forma de loucura. Recentemente, apareceram certos tipos de mau caráter que atribuindo a si mesmos, com grande presunção, o magistério do Espírito, faziam pouco caso de toda leitura da Bíblia, e riam-se da simplicidade dos que ainda seguem o que esses, de mau caráter, chamam de letra morta e que mata. João Calvino - As Institutas da Religião Cristã - Livro I, Capítulo 9.


Sempre que nossos males nos oprimem e nos torturam, retrocedamos nossa mente para o Filho de Deus que suportou o mesmo fardo. Enquanto ele marchar diante de nós, não temos motivo algum para desespero. Ao mesmo tempo, somos advertidos a não buscar nossa salvação em tempo de angústia, em nenhum outro senão unicamente em Deus. Que melhor guia poderemos encontrar para oração além do exemplo do próprio Cristo? Ele se dirigiu diretamente ao pai. O apóstolo nos mostra o que devemos fazer, quando diz que ele endereçou suas orações. Àquele que era capaz de livrá-lo da morte. Com isso ele quer dizer Cristo orou corretamente, visto que recorreu ao Deus que é o único Libertador. João Calvino, Exposição de Hebreus, p. 134.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pastor diz que já tivemos uma existência antes de termos este corpo.

Introdutório: O texto abaixo é do Pastor Francisco da Igreja Cristo Vive.


TEXTO

"Ao falarmos de pré-existência, queremos trazer ensinamentos bíblicos que são, a alavanca de sustentação da vida espiritual do cristão.

Normalmente o povo de Deus tem dificuldade de entender que nós tivemos uma existência prévia. Que já tivemos uma existência antes de termos este corpo. Antes que nossos pais se relacionassem conjugalmente nós já tínhamos tido uma pré-existência. Como foi impactante o dia que descobri sobre esse assunto.

Para mim pessoalmente, hoje, seria muito triste se descobrisse que a minha existência começou quando eu nasci. A palavra do Senhor diz: "aos que antemão conheceu" - Efésios 1.4 - "assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele". Então, a Bíblia diz que Deus nos conheceu de antemão e que nos elegeu antes da fundação do mundo.

Eu quero afirmar taxativamente, à luz da Palavra de Deus, que nós tivemos realmente uma existência prévia. A título de informação, os livros da Bíblia Sagrada não estão em ordem cronológica ou seja, segundo os historiadores, o Livro de Jó é o mais antigo da Bíblia em termos de escrita. E o Senhor, num certo dia convence a Jó de sua ignorância, porque ele não sabia o que eu vou mostrar agora paulatinamente. Vamos ver Jó 38.1,2 "Depois disto o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó: Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento"?

Toda pessoa que não tem conhecimento escurece os desígnios de Deus. Ela diz que não é assim. Que não é nada disto. Isto não existe! Há exagero nisto! Etc... Deus continuou sua conversa com Jó, dizendo-lhe em Jó 38.3-7 "Cinge, pois os teus lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber. Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem lhe assentou a pedra angular, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus"?

Aqui está mostrando claramente que no ato da criação, todos os filhos que Deus criou e elegeu de antemão estavam presentes. Você estava lá eu também. Aliás, para mim esta é mais uma grande verdade que encontro na Palavra de Deus.

Quando tudo estava sendo fundado as estrelas da alva juntas cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus. Portanto Deus aqui não está falando da carne, mas está falando do espírito. Porque Deus criou primeiro todos os espíritos e depois os revestiu de carne. Jó 38.21 "Tu sabes, porque nesse tempo eras nascido, e porque é grande o número dos teus dias"! Deus diz a Jó , que quando a Terra foi fundada, ele já era nascido. Por que? Porque era grande o número de seus dias.

Rejubilavam todos os filhos de Deus! Deus não está falando de anjos, mas dos filhos de Deus. Todos! Todos nós, os eleitos e escolhidos! Gênesis 1.26 - "Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança". Deus não estava falando em Pai, Filho e Espírito Santo. Não há o Deus Pai, o Deus Filho e Deus Espírito Santo. Quem diz isso é a tradição. Quem esta falando é Deus na sua manifestação de criador, falando com seus anjos: Vamos fazer o homem à nossa imagem e semelhança. Gênesis 1.27 - "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". Deus os criou, portanto eles ainda não existiam na carne, só existiam como espírito. Gênesis 2.7 - "Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente". Aqui está, manifestada nas quatro citações Bíblicas que ressaltamos, a pré-existência do homem. Deus criou todas as coisas e depois foi lhes dando forma. Para Deus tu sempre exististe, assim como eu também e todos os eleitos e predestinados. Cada um a seu tempo, nós fomos tomando a nossa vez no mundo para cumprir o seu plano divino. Mas ao nos criar antes da fundação do mundo ele já escreveu os nossos nomes no livro da vida. Portanto o nosso nome já está escrito por Ele.

Eu ainda me recordo, que antes de conhecer a maravilhosa graça de Deus, quantos pedidos eu fiz a Deus para que ele escrevesse o nome de um, ou de outro no livro da vida. Se eu pudesse ouvir sua resposta, certamente seria: "Eu já escrevi, antes da fundação do mundo".

Deus é Onisciente porque ele sabe tudo. Ele sabia também que um dia você iria se converter por ser um predestinado e eleito e por você ter o teu nome no LIVRO DA VIDA. Efésios 1.4,5 "assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos". Por um ato de amor ele nos predestinou e nos adotou como filhos.


O nosso ministério prega e ensina o que nunca ninguém pregou, porque ninguém sabia disto. Esta é a razão da nossa existência na obra de Deus. Pregando com tenacidade nas rádios, na TV, etc. Me dói ver tantas pessoas subjugadas com fardos, acorrentadas por princípios obsoletos, cauterizando suas mentes. Há rebanhos imensos sendo dominados com chicotes. Eu prefiro que meu rebanho seja dirigido por Deus e orientado pela Sua Palavra. Nós temos que levantar um clamor pelo Brasil e pelo mundo em prol do resgate de tanta gente que está morrendo porque desconhece o que a Palavra de Deus diz. São orientados na base de proibições, porque a essência da verdade espiritual lhes é desconhecida.

Agora, nós estamos sabendo que Deus já nos tinha criado, e cada um a seu tempo Deus revestiu de carne. Isto só aconteceu porque éramos predestinados.

Qual é a razão de dizermos que Deus não está fazendo nada de novo? Nós dizemos isto, não por nós mesmos, mas porque a palavra de Deus diz. Não há nenhuma soberba ou ousadia nisto. O que eu quero é que esta palavra penetre nos ouvidos de todas as ovelhas de Jesus Cristo, quiçá, perdidas, andando por aí sem rota e sem rumo. Hebreus 4.9-11 - "Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência". Ou seja, quando você não obedece à Palavra de Deus, você cai em exemplo de desobediência. A Bíblia diz que Deus já fez tudo. Deus criou tudo e depois deu forma. O primeiro homem a ter forma foi Adão. A história que todos nós sabemos, até chegarmos ao dia de hoje.

Só o conhecimento da Graça, da palavra de predestinação e da eleição, vai mudar a nossa vida. É isto que vai de dar motivação e uma excelência de comportamento e maturidade espiritual, modificando os teus valores. O resto, são coisas que todos nós conhecemos, mas que não modificam a vida de ninguém. Há pessoas com 20/30 anos de Evangelho, fazendo as coisas mais absurdas porque não têm conhecimento.

Quando você sabe que está neste mundo, não porque teus pais te geraram, mas porque Deus te predestinou, para o cumprimento de um plano especial e pra louvor de sua glória, você tem maturidade espiritual e consciência para viver. Eu tenho tanta consciência disto que hoje eu entendo que as minhas motivações são realmente motivações de Deus.


Deus fez um plano, escreveu os nomes, e só se salvarão os que, antes da fundação do mundo, foram escolhidos por Deus. Mas, há pessoas, dizendo que tudo começou depois da fundação do mundo e que Deus tem que respeitar o homem. Filipenses 4.3,4 - "A ti, fiel companheiro de jugo, também peço que as auxilies, pois juntas se esforçaram comigo no Evangelho, também com Clemente e com os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontraram no livro da vida. Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos".

E como é que sabemos que o nome de uma pessoa está escrito no livro da vida? Se ela confessar que Jesus Cristo é o Senhor, vivendo de acordo com o Evangelho, e assim sendo transformada no seu interior pelo selo do Santo Espírito da Promessa. Lucas 10.19,20 - "Eis aí vos dei autoridade par pisardes serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano. Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e, sim, porque os vossos nomes estão arrolados nos céus". O Senhor diz que o motivo do nosso regozijo deve ser o fato de termos os nossos nomes arrolados nos céus. É a minha pré-existência, sou eleito e predestinado. Eu existo desde antes da fundação do mundo, e assim também, todos os escolhidos.

O início daqueles que não estão inscritos no livro da vida, se deu no momento em que Deus, para justificar a sua ira, por causa do pecado dos primeiros pais, permitiu que Satanás depositasse a sua semente no ventre de Eva. Algo se passou, porque quando Caim nasceu ele já era filho do maligno. À luz da Palavra de Deus a massa do ventre de Eva teve parte com o diabo. 1ª João 3.12 - "não segundo Caim, que era do maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas". Caim que era do maligno.

Os homens que não tiveram pré-existência, suas existências tiveram início após o nascimento de Caim e são os chamados almas viventes. São filhos da perdição cujo pai é o diabo.

Agora podemos entender o que a Bíblia quer dizer quando anjo de Jeová matou 85.000, o campo se tornou cheio de sangue, tal era o número de mortos, que Saul matou milhares e que Davi matou 10 milhares enquanto que a mesma Bíblia diz: "não matarás". Isto se deu porque aqueles eram vasos de ira, preparados para a perdição. Eram filhos do diabo e como tal, não contam para Deus. Caim era um vaso de ira. Deus o suportou como suportou o diabo, pois quando ele tentou Adão e Eva Ele podia tê-lo destruído, mas Deus o suportou, deixando-o tocar no ventre de Eva para que sua semente se manifestasse para a perdição, gerando os ímpios, o joio, os cabritos, vasos desonra.

Romanos 9.23 - "a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão". Eu imagino Paulo ao ser arrebatado ao terceiro céu, voltando disse : eu não posso revelar o que vi, o que posso dizer é que são coisas inefáveis. Esta é a vida que espera o povo de Deus ao sair desta carne.

Somos uma autoridade espiritual, eleitos, predestinados, escolhidos, amados e justificados. Já estivemos lá no céu e para lá voltaremos. Teremos vitória absoluta porque estamos dentro do plano de Deus, desempenhando a nossa missão para louvor da sua glória, segundo o beneplácito da sua vontade.

Com carinho,

Pastor Francisco."

segunda-feira, 17 de maio de 2010

REFORMA E REAVIVAMENTO

A Igreja Evangélica Brasileira precisa de uma nova Reforma. Muitos daqueles que se dizem protestantes já não protestam mais. Muitos daqueles que se autodenominam evangélicos têm transigido com a verdade e caído na malha sedutora do pragmatismo e das falsas doutrinas. Doutrinas estranhas têm encontrado guarida no arraial evangélico. Novidades forjadas no laboratório do engano têm sido acolhidas com entusiasmo por muitos crentes. Floresce em nossa Pátria uma igreja que tem extensão, mas não profundidade. Cresce em números, mas não em maturidade. Tem influência política, mas não autoridade moral. Faz propaganda de um pretenso poder, mas transige com o pecado.

A Igreja Evangélica Brasileira precisa voltar às Escrituras. Muitos púlpitos estão sonegando aos crentes o pão verdadeiro e dando ao povo um caldo ralo e venenoso. Há aqueles que pregam o que o povo quer ouvir e não o que o povo precisa ouvir. Pregam para entreter os bodes e não para alimentar as ovelhas. Pregam para arrancar aplauso dos homens e não para levá-los ao arrependimento. Pregam prosperidade e não salvação. Pregam curas e milagres e não novo nascimento. Pregam auto-ajuda e não a ajuda do alto. Há muitas igrejas fracas e enfermas por estarem submetidas a um cardápio insuficiente e deficiente. A fraqueza e a doença começam pela boca. Há morte na panela. O veneno mortífero das heresias perniciosas destila em muitas cátedras teológicas. Muitos púlpitos espalham esse veneno e muitos crentes se intoxicam com ele. Precisamos colocar a farinha da verdade nessa panela, a fim de que o povo tenha pão com fartura na Casa do Pão.

A Igreja Evangélica Brasileira precisa voltar às grandes doutrinas da Reforma. Precisamos reafirmar que a Escritura é verdadeira, infalível, inerrante e suficiente e não podemos acrescentar à sua mensagem as revelações, sonhos e visões que emanam de corações errantes. Precisamos reafirmar que a fé em Cristo é suficiente para a nossa salvação e não podemos acrescentar a ela as obras, os méritos nem o misticismo variegado tão incentivado em tantos arraiais. Precisamos reafirmar que a graça de Deus é a única base sobre a qual recebemos a nossa salvação. O homem não merece coisa alguma a não ser o juízo divino, mas de forma benevolente, Deus suspende o castigo e nos oferece seu favor imerecido. Precisamos reafirmar que não há outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos, além do nome de Cristo Jesus. Precisamos reafirmar que a glória pertence a Deus e não ao homem, igreja ou instituição humana.

A Igreja Evangélica Brasileira precisa não apenas de Reforma, mas, também, de Reavivamento. Não basta ter doutrina certa, é preciso ter vida certa. Não basta ter apenas luz na mente, é preciso ter fogo no coração. Não basta apenas conhecimento, é preciso ter fervor espiritual. Não basta apenas conhecer doutrina, é preciso ser transformado e impactado por essa doutrina. A igreja de Éfeso tinha doutrina, mas lhe faltava amor. A igreja de Esmirna tinha amor, mas lhe faltava doutrina. Ambas foram repreendidas por Cristo. Precisamos de doutrina e amor, reforma e reavivamento. Não glorificamos a Deus com o vazio da nossa mente e a plenitude do nosso coração nem glorificamos a Deus com a plenitude da nossa mente e o vazio do nosso coração. Deus não é exaltado quando deixamos de conhecer a verdade nem Deus é glorificado quando deixamos de nos deleitar nessa verdade. Razão e emoção não são coisas mutuamente exclusivas. Elas se completam. A emoção que não provém de uma mente iluminada pela verdade é vazia, rasa e inconsistente. Uma mente cheia do conhecimento da verdade, todavia, que não exulta de alegria e santo fervor está, também, em total desacordo com a vontade divina. Oh! Que Deus nos desperte para o conhecermos verdadeiramente! Oh! Que Deus nos encha daquela alegria indizível e cheia de glória, a fim de que nos deleitemos nele e passemos a viver tão somente para a sua glória!


Rev. Hernandes Dias Lopes

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Principais declarações confessionais reformadas

Confissões de fé

Sessenta e Sete Artigos (1523): apresentados por Zuínglio no primeiro debate teológico realizado em Zurique. Parágrafo introdutório: “Eu, Ulrico Zuínglio, confesso que tenho pregado na nobre cidade de Zurique estes sessenta e sete artigos ou opiniões, com base na Escritura, que é chamada theopneustos (isto é, inspirada por Deus). Eu me proponho a defender e vindicar esses artigos com a Escritura. Porém, se eu não tiver entendido corretamente a Escritura, estou pronto a ser corrigido, mas somente com base na mesma Escritura”.

Confissão de Genebra (1536): apresentada por João Calvino e Guilherme Farel às autoridades de Genebra em 10 de novembro de 1536. Distingue-se de documentos suíços anteriores, como os Sessenta e Sete Artigos, por sua argumentação mais cuidadosa e perspectiva teológica mais consistente. Caracteriza-se por sua concisão e senso de autoridade. Aborda 21 tópicos, começando com a afirmação de convicções teológicas e concluindo com temas em disputa com os católicos.

Confissão da Guanabara (1558): escrita por quatro huguenotes que faziam parte da França Antártica, uma colônia francesa fundada por Nicolau Durand de Villegaignon na baía da Guanabara; com base nessa declaração de fé, Villegaignon os condenou à morte, executando três deles. A confissão compõe-se de 17 parágrafos que tratam dos seguintes temas: as pessoas da Trindade, os sacramentos da Ceia e do batismo, o livre arbítrio, a autoridade dos sacerdotes, casamento e celibato, a intercessão dos santos e orações pelos mortos. Parágrafo inicial: “Segundo a doutrina de São Pedro Apóstolo, em sua primeira epístola, todos os cristãos devem estar sempre prontos para dar a razão da esperança que neles há, e isso com toda doçura e benignidade. Nós, abaixo assinados, senhor de Villegaignon, unanimemente (segundo a medida de graça que o Senhor nos há concedido), damos razão a cada ponto, segundo nos haveis apontado e ordenado”.

Confissão Galicana (1559): adotada pela Igreja Reformada de França por ocasião do seu primeiro sínodo nacional, realizado nas proximidades de Paris. O autor principal do texto foi o reformador Calvino. Também é conhecida como Confissão de La Rochelle e contém 40 parágrafos.

Confissão Escocesa (1560): produzida em quatro dias a pedido do Parlamento Escocês como parte da reforma da igreja; foi escrita por uma comissão de seis membros, entre os quais o reformador João Knox (1505-1572).

Confissão Belga (1561): escrita por Guido de Brès “para os fiéis que estão dispersos por toda parte nos Países Baixos”; foi adotada por um sínodo reunido em Antuérpia em 1566 e, com algumas modificações, tornou-se um documento oficial do protestantismo reformado holandês, junto com o Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort. Possui 37 seções ou artigos.

Segunda Confissão Helvética (1566): escrita por Johann Heinrich Bullinger a pedido de Frederico III, príncipe eleitor do Palatinado (Alemanha). Em um tom moderado, apresenta o calvinismo como o cristianismo evangélico que está em harmonia com os ensinos da igreja antiga. É um longo e elaborado documento com 30 capítulos. Foi aceita oficialmente na Suíça, Alemanha, França, Escócia, Hungria e Polônia, e bem recebida na Holanda e na Inglaterra.

Cânones do Sínodo de Dort (1619): o Sínodo de Dort ou Dordrecht, na Holanda, foi convocado pelo governo para resolver a controvérsia arminiana, tendo a participação de teólogos reformados de diversos países. Seus cânones constituem os chamados “Cinco Pontos do Calvinismo”, sintetizados com as seguintes expressões: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível (Vocação Eficaz) e Perseverança dos Santos. É um dos documentos doutrinários oficiais das igrejas reformadas da Holanda.

Confissão de Fé de Westminster (1646): redigida por mais de 120 teólogos calvinistas (ingleses e escoceses), reunidos na Assembléia de Westminster, em Londres, mediante convocação do Parlamento. A Confissão de Fé compõe-se de 33 capítulos cujos temas podem ser classificados da seguinte maneira: a Escritura Sagrada (Cap. 1), o Ser de Deus e suas obras (2-5), o pecado e a salvação (6-8), a aplicação da obra da salvação (9-15), a vida cristã (16-21), o cristão na sociedade (22-24), a igreja e os sacramentos (25-29), a disciplina eclesiástica e os concílios (30-31), as últimas coisas (32-33). Entre os temas especificamente reformados estão os decretos de Deus, o pacto (das obras e da graça), o conceito de livre arbítrio, a vocação eficaz, a perseverança dos santos, a lei de Deus e os síno

Catecismos

Instrução na Fé (1537): escrita por Calvino pouco depois de se radicar em Genebra, contém uma apresentação clara e serena dos pontos essenciais do seu pensamento inicial. Possui 33 seções que abordam os mais diferentes tópicos. Primeiro parágrafo: “Visto que não há nenhum homem, por mais bárbaro e selvagem que possa ser, que não seja tocado por alguma idéia de religião, está claro que todos nós fomos criados a fim de que possamos conhecer a majestade do nosso Criador, para que, tendo-a conhecido, possamos estimá-la acima de tudo e honrá-la com toda admiração, amor e reverência”.

Catecismo de Genebra (1542): um longo documento escrito por Calvino a pedido de várias pessoas, no início da sua segunda estadia em Genebra, como um aperfeiçoamento do catecismo de 1537. Ao mesmo tempo preparou-se um calendário indicando como suas 373 perguntas e respostas podiam ser aprendidas e recitadas num período de 55 semanas. Foi adotado pela Igreja Reformada da França e pela Igreja da Escócia.

Catecismo de Heidelberg (1563): principal documento da Igreja Reformada Alemã. Foi escrito por dois teólogos, Zacarias Ursinus e Gaspar Olevianus, a pedido do príncipe Frederico III, do Palatinado. É um documento conciliador, combinando o calvinismo com um luteranismo moderado. É considerado um dos documentos reformados mais calorosos e pessoais, sendo adotado por muitas igrejas reformadas. Suas 129 perguntas e respostas classificam-se em três partes: 1) Nosso pecado e culpa, 2) Nossa redenção e liberdade, 3) Nossa gratidão e obediência. Sua primeira pergunta e resposta dizem: “Qual é o teu único consolo, na vida e na morte? É que, de corpo e alma, tanto nesta vida como na morte, eu pertenço não a mim mesmo, mas a Jesus Cristo, meu fiel Salvador, o qual pelo seu precioso sangue resgatou-me inteiramente de meus pecados e me livrou de todo o poder do Diabo. Ele cuida de mim tão bem que nem mesmo um cabelo de minha cabeça pode cair sem a vontade de meu Pai celeste e todas as coisas devem contribuir para a minha salvação. É por isso que ele me dá, pelo seu Espírito Santo, a certeza da vida eterna e me ensina a viver de ora em diante para ele, amando-o de todo o meu coração”.

Catecismos de Westminster (1647): o Catecismo Maior compõe-se de 196 perguntas e respostas e se divide em três partes: 1) A finalidade do homem, a existência de Deus e as Escrituras Sagradas (perguntas 1-5); 2) O que o ser humano deve crer sobre Deus (6-90); 3) Quais são os nossos deveres (91-196). Algumas seções especiais são: Cristo, o Mediador (36-56), os Dez Mandamentos (98-148) e a Oração do Senhor (186-196). O Breve Catecismo tem 107 perguntas e respostas. A parte central trata da lei de Deus e dos Dez Mandamentos (perguntas 39-83).

Alderi Souza de Matos
Fonte: [ Portal Mackenzie ]

sexta-feira, 7 de maio de 2010

História do Cânon do Novo Testamento

No início as palavras do Senhor e o relato de seus feitos eram repetidos e relatados oralmente, mas logo eles começaram a ser redigidos. Em sua obra missionária, os apóstolos tiveram a necessidade de escrever a certas comunidades. Pelo menos alguns desses escritos eram trocados entre as igrejas e logo ganharam a mesma autoridade dos escritos do AT. Contudo é compreensível que tenha decorrido algum tempo antes que a coleção desses escritos do tempo dos apóstolos tivesse tomado o seu lugar, com inquestionável autoridade, ao lado dos livros do AT, especialmente quando se considera que muitos eram escrito às igrejas individuais.
Os Evangelhos, mesmo não sendo os escritos mais antigos do NT, foram os primeiros a serem colocados em pé de igualdade com o AT e reconhecidos como canônicos. Por volta do ano 140, Pápias, bispo de Hierápolis, na Frígia, conhece Marcos e Mateus. Justino (c. de 150) cita os Evangelhos como autoridade. Hegésipo (c. de 180) fala da “Lei e Profetas e do Senhor”. Os mártires de Scilla, na Numídia (180) têm como escritos sagrados, “os livros e as epístolas de Paulo, homem justo”; somente o AT e os Evangelhos eram chamados de “Livros”, isto é, escrituras. Os escritos dos Padres Apostólicos fornecem certa prova de que desde as primeiras décadas do século II, as grandes igrejas possuíam um livro ou grupo de livros que eram comumente conhecidos como “Evangelho” e a que se fazia referência como a um documento que tinha autoridade e era universalmente conhecido.
É provável que já pelo fim do século I ou começo do século II, treze epístolas paulinas (excluindo Hebreus) fossem conhecidas na Grécia, Ásia Menor e Itália. Todos os manuscritos e textos das epístolas paulinas resultaram de uma coleção que se harmoniza com nosso Corpus paulinum. É verdade que as primitivas coleções mostraram variações na ordem das epístolas, mas o número de escritos permanecia o mesmo. Não há citação de Paulo que não seja tirada de uma das epístolas canônicas, embora seja certo que o Apóstolo escreveu outras cartas. Assim por volta do ano 125, havia dois grupos de escritos que possuíam a garantia apostólica e cuja autoridade era reconhecida por todas as comunidades que os possuíam.
Sobre os outros escritos temos poucos relatos na primeira metade do século II. Clemente conhecia Hebreus; Policarpo conhecia 1 Pedro e 1 João; Pápias conhecia 1 Pedro, 1 João e Apocalipse. Na segunda metade do século, Atos, Apocalipse e, pelo menos, 1 João e 1 Pedro eram considerados canônicos; eles tomaram o seu lugar ao lado dos evangelhos e das epístolas paulinas.
Podemos notar quatro fatores que influenciaram a formação do cânon do NT: 1) os muitos apócrifos que a Igreja rejeitou; 2) a heresia de Marcião, que tinha estabelecido o seu próprio cânon, o qual consistia de um Lucas corrigido e das epístolas de Paulo (excluindo as pastorais e Hebreus); 3) os heréticos montanistas, que reivindicavam revelações adicionais do Espírito Santo; 4) a grande abundância de escritos gnósticos;
As dificuldades sobre alguns escritos podem ser justificados por alguns motivos: o fato que alguns escritos do Novo Testamento eram em origem destinados às comunidades locais envolvidas em problemas particulares; as dificuldades de comunicação entre as comunidades; abusos da parte de correntes heterodoxas (o uso do Apocalipse pelos milenaristas); as incertezas sobre a conformidade com o pensamento apostólico de alguns escritos (por exemplo, a carta de Judas que cita o livro apócrifo de Enoch).
Admite-se geralmente que no começo do século III o cânon do NT incluía a maioria, se não todos, dos livros canônicos. A lista mais antiga que possuímos é aquela do fragmento muratoriano, documento descoberto na Biblioteca Ambrosiana, em Milão, em 1740; ela registra os livros que foram aceitos em Roma por volta do ano 200. Não se faz nenhuma menção a Hebreus, 1 e 2 Pedro, 3 João e Tiago. Os papiros de Chestes Beatty, primeira metade do século III, contêm todos os escritos do NT, exceto as Epístolas Católicas. Pode ser notado que Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João e Judas não foram aceitos imediatamente no Ocidente, enquanto Hebreus e Apocalipse encontraram a mesma oposição no Oriente.
Na segunda metade do século IV Cirilo de Jerusalém, o Concílio de Laodicéia e Gregório nazianzeno comprovaram a existência de todo o cânon, menos o Apocalipse; enquanto Basílio, Gregório de Nissa e Epifânio incluíam o último também. Atanásio, em 367, enumera todos os 27 livros e pode ser dito que, desde aquele tempo, o cânon estava fixado. . A canonicidade do Apocalipse, embora discutida por alguns teólogos nos séculos V e VI, foi finalmente aceita sem questionamento, em parte sob a influência do Ocidente, onde nunca houve qualquer dúvida com respeito a ela.
A origem apostólica de Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João e Apostólica foi questionada até Erasmo (1536). Hoje, quase todos os exegetas concordam que Hebreus e 2 Pedro não foram escritas pelos apóstolos e que o autor de Tiago não é o apóstolo do mesmo nome, ao passo que a autenticidade de João, Apocalipse e algumas das epístolas paulinas é amplamente questionada.
O Magistério tomará uma posição sobre o cânon, tanto do NT quanto do AT, no concílio de Florença (1441), fornecendo o elenco dos livros bíblicos segundo o cânon longo; no concílio de Trento (1546) que definirá, depois de qualquer discussão, o cânon de Florença.

Os Critérios de Definição do Cânon

Em que coisa a Igreja se apoia para definir o cânon dos livros sagrados? Uma primeira resposta, que precisa uma reflexão, nos é dada pelo último concílio, segundo o qual é “a mesma tradição que faz a Igreja conhecer o cânon dos livros sagrados” (DV 8). Porém a tradição precisa, por sua vez, de critérios para ter certeza de qual tradição se trate: por exemplo, se esteja em jogo a tradição apostólica, ou simplesmente uma tradição eclesiástica.
Esta é a questão dos critérios de canonicidade que foi objeto de disputas sobretudo a partir do século XVI com Erasmo e com os protestantes. Erasmo espalhou as dúvidas dos primeiros séculos sobre a origem apostólica de Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse, e de algumas perícopes evangélicas, tais como Mc 16,9-20; Lc 22,43s; Jo 7,57-8,11. Estas seções foram submetidas ao juízo do Concílio de Trento que, depois de ter exibido o elenco definitivo da Bíblia, declarou: “Se alguém não aceitar como livros sagrados e canônicos estes livros, inteiros com todas as suas partes, assim como se é costume lê-los na Igreja católica e se encontrem na edição antiga da Vulgata latina, e desprezará as preditas tradições, seja anátema” (DS, 1501).
Lutero considerava secundários, em relação ao testemunho dado a Cristo, os mesmos escritos rejeitados por Erasmo e os colocava no fim de sua tradução em alemão da Bíblia. Movido por um evangelismo radical, Lutero considerava que o critério determinante para reconhecer um escrito canônico fosse o seu urgere Christum (propor energicamente, fazer valer Cristo), o seu levar e comunicar Cristo (was Christum treibt). Escrevia Lutero: “Isso que não ensina Cristo, não é apostólico, mesmo se o ensinassem Pedro ou Paulo. Vice-versa, isto que anuncia Cristo é apostólico, mesmo se o fazem Judas, Ana, Pilatos ou Herodes”. Em resumo, para Lutero era determinante o critério cristológico que lhe fazia dizer: “Enquanto os adversários fazem valer a Escritura contra Cristo, nós fazemos valer Cristo (urgemus Christum) contra a Escritura”.
Não podemos negar que a fixação do cânon é um ato da Igreja, ou da Tradição, que opera na Igreja. O concílio de Trento acrescenta para a definição do cânon dois argumentos: o uso de ler determinados livros na Igreja e a sua presença na Vulgata latina. Na verdade esses dois argumentos servem para dizer que se reconhecem como canônicos aqueles livros que a tradição da igreja lê.
A tradição dos primeiros séculos deveu articular os próprios critérios de canonicidade. Eles são três: a autoridade apostólica, enquanto livros escritos pelos apóstolos ou por seus colaboradores diretos; A ortodoxia dos escritos, enquanto conformes à regra de fé, ou seja, à fé transmitida pelos apóstolos e professada na Igreja apostólica; a catolicidade dos escritos, enquanto reconhecidos por todas ou maior parte das igrejas.
Repetimos de novo a pergunta: de onde vem a certeza para a Igreja sobre os livros canônicos? É claro que à Igreja não foi dada uma revelação especial sobre isso. Assim a resposta é: a Igreja, querendo exprimir fielmente a mensagem de Cristo, reconheceu sempre mais claramente a insuperável importância daqueles 27 escritos que lhe eram transmitidos desde a idade apostólica.
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